Minuano Conecta
O baterista que levou a fúria de Bagé para Las Vegas
por Yuri Cougo Dias
Por Yuri Cougo Dias
Entre dois bumbos, um pedal duplo e a memória de Dave Lombardo, Andrei Cabral construiu nos Estados Unidos uma nova fase de uma história que começou em Bagé, em 1996 — e que agora passa pelos palcos de Las Vegas, pelo House of Blues e por um sonho chamado Whisky a Go Go
Há cidades que ficam para trás apenas no mapa. Outras continuam habitando as pessoas mesmo quando elas atravessam fronteiras, oceanos e fusos horários. Bagé é, para Andrei Cabral, um pouco das duas coisas. Está distante o suficiente para que seja necessário um avião, mas perto o bastante para aparecer quando ele fala de música, dos amigos, das primeiras bandas e, sobretudo, daquilo que o fez acreditar que uma bateria poderia ser mais do que um instrumento: poderia ser uma espécie de passaporte. A história começa em 1996, quando Andrei começou a tocar bateria em Bagé. Vieram as bandas, os ensaios, os bares, os amigos e os sonhos que costumam nascer em qualquer cidade onde alguém decide transformar madeira, pele, metal e baquetas em música. Entre os projetos daquela época esteve a BK Jones, uma banda que alcançou expressão na cidade e na região. Mas havia, por trás da experiência local, uma inquietação maior. Andrei queria sair. Não necessariamente fugir de Bagé, mas descobrir até onde aquilo que havia começado ali poderia chegar.
No heavy metal, talvez seja impossível contar uma história assim sem pensar em Slayer. Não porque toda trajetória precise terminar em uma parede de amplificadores Marshall ou em uma chuva de double bass, mas porque Slayer sempre foi uma banda sobre intensidade. Sobre não pedir licença. Sobre fazer da velocidade uma linguagem e da agressividade uma estética. Para um baterista, tocar Slayer não é simplesmente acompanhar guitarras rápidas. Há uma exigência física, técnica e mental. O repertório não permite muita margem para distração. É preciso resistência, precisão, memória muscular e uma espécie de disciplina quase atlética. Andrei acabou encontrando justamente aí uma das portas para a nova vida. Mas antes de tocar Slayer em Las Vegas, ele precisou aprender a tocar a própria vida.
Durante 15 anos, trabalhou como funcionário concursado da CRM, em Candiota. Tinha aquilo que muita gente passa anos tentando conquistar: casa, carro, moto, estabilidade. Havia férias, décimo terceiro, salário e uma rotina previsível. Todos os dias, a viagem até Candiota. Todos os dias, a volta. A segurança estava ali, materializada. Só havia um problema: Andrei não estava feliz. E existe uma pergunta incômoda escondida dentro de toda estabilidade: quanto custa permanecer? A resposta, para ele, começou a surgir quando percebeu que o tempo estava passando. Não era uma questão de dinheiro. Ele já havia conquistado aquilo que buscava materialmente. Era uma questão de vida. A sensação de estar acumulando segurança enquanto deixava de acumular experiências começou a pesar mais do que a segurança propriamente dita.
Então veio a ideia que, vista de fora, poderia parecer uma loucura: Estados Unidos. As filhas gostavam da cultura norte-americana, do cinema, da vida que conheciam pela televisão e pelos filmes. A família decidiu tentar. Venderam carro, moto e outros bens. As duas casas de Bagé, porém, permaneceram como uma espécie de âncora: não foram vendidas. Era uma segurança deixada para trás, mas não completamente abandonada. Em 2021, veio a primeira mudança. A família foi para a Flórida. Só que o sonho americano, como quase tudo que vale a pena, não veio embalado. Na Flórida, Andrei não encontrou a música que imaginava. A rotina era trabalho. A banda não aconteceu. As coisas não funcionaram como planejado e a família voltou ao Brasil. Mas, em vez de retornar a Bagé, seguiu para a Serra Gaúcha.
Em Nova Petrópolis, abriu uma lancheria e um bar voltado ao universo das motos e do rock. A música continuava ali, como uma espécie de ruído de fundo impossível de silenciar. Andrei também trabalhava com couro. Produzia bolsas para motociclistas e chegou a fabricar peças para admiradores da Harley-Davidson. Foi justamente esse trabalho artesanal, aparentemente distante dos palcos, que acabaria funcionando como outra ponte para os Estados Unidos. Um cliente de Los Angeles comprou duas bolsas. Depois comprou outra. As conversas aconteciam pelo Instagram, em inglês. Um dia, Andrei comentou que gostaria de morar nos Estados Unidos. O homem contou sua própria história: havia vindo do México ainda pequeno, constituíra família, tinha uma empresa e trabalhava com trade shows, as grandes feiras e exposições que movimentam diferentes setores da economia.
Andrei perguntou se havia trabalho. Havia. Ou, pelo menos, havia uma porta. Ele avisou que iria com a família. O homem não acreditou muito. Andrei foi mesmo assim. Quando desembarcou em Las Vegas, a primeira mensagem foi para aquele contato. “Estou aqui em Vegas.” A resposta veio quase como uma conferência de realidade: ele tinha ido passear ou tinha realmente ido embora? Tinha ido recomeçar. Começou como ajudante geral. Limpava a empresa, limpava máquinas, aprendia. O ambiente parecia uma gigantesca carpintaria industrial: corte a laser, pintura, madeira, montagem. Tudo destinado à fabricação dos estandes que depois seriam instalados em feiras de tecnologia, agronegócio, moda e diversos outros setores.
A bateria, naquele momento, ficou guardada. Não abandonada. Guardada. Andrei precisava primeiro estabilizar a vida, sustentar a casa, adaptar-se à cultura, aos horários, às pessoas, à comida, à nova rotina. Levava as filhas ao colégio, trabalhava e voltava para casa. Era uma vida americana possível, concreta, sem a trilha sonora cinematográfica que costuma acompanhar os comerciais sobre o sonho americano. Mas havia uma coisa que ele não deixou de fazer: ir a shows. Muitos. Shows que, segundo ele, jamais teria conseguido assistir no Brasil.
A matemática ajuda a explicar. Saindo de Bagé para assistir a uma grande banda em Porto Alegre, Curitiba ou São Paulo, o custo poderia chegar a R$ 2 mil ou R$ 2,5 mil. Em Las Vegas, ele cita como exemplo um ingresso do Guns N' Roses por US$ 40 — aproximadamente duas horas de trabalho, na sua conta. Assim, enquanto a música parecia ter desaparecido da própria vida de Andrei, ele estava, sem perceber, mergulhando cada vez mais fundo no ambiente que um dia desejara conhecer. Ia aos shows. Conversava com as pessoas. Contava que era brasileiro. Contava que tocava bateria.
Até que alguém perguntou: “Tu não quer tocar?” Era a pergunta que estava esperando. A hora de acelerar O primeiro reencontro com a música nos Estados Unidos aconteceu em um estúdio. O preço, segundo Andrei, girava entre US$ 15 e US$ 16 por hora. Começaram tocando Metallica, Guns N' Roses e outros covers. Então surgiu o Slayer. Nos Estados Unidos, explica Andrei, a cultura dos tributos é forte. Não se trata apenas de tocar as músicas. Há projetos extremamente fiéis, com roupas, instrumentos, estética e repertório cuidadosamente reproduzidos. Era um terreno conhecido para ele: no Brasil, já havia participado de um projeto de tributo ao Slayer com amigos de Bagé.
A ideia foi levada para Las Vegas. E começaram as dúvidas. Especialmente por causa da bateria. Um baterista que conheceu Andrei chegou a questioná-lo. Estava havia 23 anos em Las Vegas e nunca tinha visto um tributo ao Slayer na cidade. Muito menos alguém capaz de sustentar um set inteiro da banda. Já tinha visto músicos tocarem duas ou três músicas. Uma hora inteira, porém, era outra conversa. Andrei respondeu como quem já havia ouvido aquela dúvida antes. Ele tocava. Tocava porque já tinha feito aquilo no Brasil.
O projeto saiu do papel. Dois ou três meses depois dos primeiros ensaios, veio o primeiro show em um bar. A resposta foi imediata. O público recebeu aquela descarga de riffs, bateria e agressividade como quem encontra uma válvula de escape. A expressão usada por Andrei é significativa: a galera “botou a fúria pra fora”. Talvez seja essa uma das razões pelas quais Slayer continue funcionando tão bem em um palco de tributo. Há músicas que entretêm. Outras provocam. Slayer provoca. E uma bateria de Slayer não pode ser tímida.
Havia músicos para pop, bandas cover e repertórios mais comerciais. Mas bateristas dispostos a sustentar death metal, heavy metal e, especialmente, a pancadaria física exigida pelo Slayer eram mais raros. O nome começou a circular. E a partir daí, Andrei passou a receber convites para outros projetos. Ele recusou vários. Havia projetos feitos na empolgação de uma noite, sem ensaio, sem planejamento. E Andrei não parece disposto a tocar de qualquer jeito. Quando entra em um projeto, entra de cabeça. Quer ensaio. Quer repertório decorado. Para um baterista, isso não é preciosismo. É memória muscular. É transformar uma sequência de golpes em reflexo.
O garoto da MTV
Muito antes de Las Vegas, Andrei assistia à MTV. O programa Fúria Metal, apresentado por Gastão Moreira, fazia chegar à televisão brasileira uma parte daquele mundo que parecia distante demais para um jovem de Bagé. Sepultura aparecia na tela. E Andrei assistia. Era fissurado na banda. Seu ídolo de bateria era Igor Cavalera. Do outro lado da mesma devoção estava Dave Lombardo, do Slayer.
A televisão mostrava músicos falando sobre casas de shows americanas. Eles falavam do House of Blues. Ele pensava: um dia quero tocar ali. O tempo passou. E aconteceu. O House of Blues não era apenas mais uma casa de shows para Andrei. Era um daqueles lugares que existiam primeiro na imaginação e só depois no mundo real. A oportunidade veio por meio do evento Masters of Heavy Metal, uma noite de tributos realizada periodicamente no local. O tributo ao Slayer foi convidado para dividir o palco com um tributo ao Judas Priest de Las Vegas, grupo com o qual Andrei e os demais músicos já haviam criado amizade e com quem chegaram a viajar para outros estados, como Utah e Arizona.
Se Slayer representa a coluna vertebral da atual trajetória de Andrei, Pantera ocupa outro lugar afetivo. Ele gosta muito da banda. Toca suas músicas. E foi por meio de uma dessas conexões improváveis que surgiu um novo projeto de tributo. Um músico entrou em contato com ele pelo Instagram. Era conhecido pela impressionante semelhança física com Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera. O homem havia conhecido Dimebag e Vinnie Paul e fazia aparições em eventos caracterizado como o guitarrista, posando para fotografias com fãs. A proposta veio direta: voltar com um tributo ao Pantera.
Andrei aceitou. Fez um teste com três músicas. O projeto começou a tomar forma. Havia, entretanto, um problema que nenhuma quantidade de entusiasmo consegue resolver: distância. Os músicos moravam em Carson City, a cerca de seis horas de Las Vegas. Os ensaios eram escassos. E Andrei, que havia desenvolvido uma relação quase obsessiva com a preparação, começou a sentir que aquilo não estava funcionando como gostaria.
A Las Vegas que existe depois das luzes
Existe ainda uma outra Las Vegas na história. Não a cidade dos cassinos, das luzes e dos turistas. A cidade de quem acorda às 8h30 para trabalhar. Andrei percebeu que Las Vegas é menor do que parece. O turismo dá a impressão de uma metrópole gigantesca, uma espécie de Los Angeles permanente, mas a vida cotidiana revela outra dimensão. As bandas se conhecem. Os músicos se encontram nos mesmos bares. Os rostos começam a ficar familiares. A cidade cria uma espécie de circuito próprio.
E foi dentro desse circuito que o brasileiro de Bagé passou a construir seu espaço. Há também a Las Vegas das estradas. No trabalho com trade shows, Andrei viaja constantemente. As feiras mudam de cidade, e o trabalho acompanha. Ao longo dessa trajetória, conheceu 18 estados norte-americanos. Nevada, Arizona, Utah e tantos outros lugares passaram a fazer parte de uma geografia que antes existia apenas nos filmes.
Só que há uma contradição em todo esse processo. Andrei havia deixado o Brasil justamente porque não queria passar a vida trabalhando sem tempo para viver. Nos Estados Unidos, percebeu que poderia cair exatamente na mesma armadilha. O dinheiro existia. O tempo, não. O trabalho nas montadoras de estandes proporcionava renda, mas ocupava justamente os fins de semana em que ele queria pegar a Harley-Davidson, viajar com os amigos, conhecer o Arizona, percorrer trechos da Rota 66 ou simplesmente viver. Então fez outra aposta. Conversou com o chefe. Não queria abandonar o emprego. Queria mudar a relação com ele.
Passaria a trabalhar conforme os eventos aparecessem. Quando houvesse uma montagem, seria chamado. Ele avaliaria. Se tivesse show, poderia recusar. Se tivesse viagem de moto, também. O chefe aceitou e ainda sugeriu que Andrei produzisse cartões de visita para oferecer seus serviços a outras empresas do ramo. Funcionou. Outras montadoras começaram a chamá-lo. A vida profissional ficou mais flexível.
O sonho de Andrei nunca foi simplesmente “morar nos Estados Unidos”. Era poder viver. Viver a música. Viver a moto. Viajar. Dar às filhas mais segurança, cultura, informação e oportunidades. Conhecer Los Angeles. Conhecer lugares que pareciam distantes. Fazer aquilo que, durante anos, só existia em entrevistas de bandas, filmes e revistas. A mudança não foi apenas geográfica. Foi uma mudança de prioridade.
O metal também paga as contas — mas não sozinho. Existe uma fantasia recorrente sobre músicos que vivem nos Estados Unidos: a de que basta estar perto de Los Angeles ou Las Vegas para transformar uma banda em profissão. Andrei desmonta essa ideia. Mesmo nos Estados Unidos, viver exclusivamente da música pesada é difícil. Nos bares, segundo ele, é comum que bandas dividam o palco e recebam cachês que podem ficar entre US$ 100 e US$ 150 para cada músico. É dinheiro para tocar, encontrar amigos, comer, beber alguma coisa e viver a noite. Não necessariamente para pagar aluguel, seguro e prestação de carro.
A exceção está em outros mercados. Músicos que fazem acústicos em cassinos conseguem cachês maiores. Há profissionais que conseguem construir uma renda mais estável com esse tipo de trabalho. Mas a banda de metal que sustenta sozinha uma vida inteira? É rara. Muito rara.
E existe uma diferença brutal entre a imagem das redes sociais e a vida real. Andrei cita músicos que parecem estar permanentemente em turnê, cercados por ônibus, palcos e grandes bandas. Por trás das fotografias, porém, alguns precisam trabalhar com Uber nos períodos de folga para pagar as contas. A indústria da música pesada também é feita de boleto. Ele próprio encontrou sua equação: trabalho flexível, música, viagens e vida pessoal. Não é exatamente abandonar a estabilidade. É redesenhá-la.
Depois do House of Blues, surgiu outro daqueles momentos que parecem escritos por um roteirista que exagerou na dose. Los Angeles. Sunset Strip. Whisky a Go Go. Foi ali que o The Doors teve uma de suas primeiras casas importantes, onde a história do rock de Los Angeles ganhou parte de sua mitologia. Mötley Crüe esteve ligado àquele universo da Sunset Strip. Guns N' Roses também construiu ali parte de sua história. Andrei já havia assistido a shows no Whisky a Go Go. Mas, por muito tempo, sua relação com aquele endereço era a de espectador. Agora, a perspectiva mudou. Ele está diante da possibilidade concreta de tocar ali.
Há uma imagem poderosa escondida nisso tudo. O garoto de Bagé que assistia à MTV. O baterista que cresceu admirando Igor Cavalera e Dave Lombardo. O músico que começou a tocar em 1996. O homem que passou 15 anos em um emprego estável. O pai que colocou a família em um avião. O trabalhador que limpou máquinas em uma gigantesca fábrica de estandes. O sujeito que ia a shows sem ter banda. O brasileiro que dizia aos desconhecidos que tocava bateria. O cara que ouviu que ninguém conseguia tocar um set inteiro de Slayer. O dono da bateria preta de dois bumbos. O músico que tocou no House of Blues. E agora o baterista que olha para a Sunset Strip não mais como turista, mas como músico.
Quando perguntado sobre tudo o que está acontecendo, Andrei não atribui o momento simplesmente ao talento. Ele fala em persistência. E talvez essa seja a frase que melhor resume sua trajetória: “a persistência supera o talento, algumas vezes”. Andrei acredita que correu atrás de tudo o que quis: trabalho, bens materiais, música. Diz que deu o sangue. E entende o reconhecimento atual como consequência de esforço acumulado. Nada veio de graça. Nem no Brasil. Nem nos Estados Unidos.
Essa talvez seja uma das características mais próximas da própria filosofia do heavy metal. O gênero nunca dependeu de parecer confortável. Metal é repetição. É ensaio. É calo. É volume. É insistência. É voltar para o riff até acertar. É tocar de novo porque ainda não ficou bom. É bater no bumbo outra vez. E outra. E outra. Até o corpo entender.
O que vem depois do próximo acorde
A carreira de Andrei agora atravessa uma fase particularmente interessante. O tributo ao Slayer continua sendo o principal eixo de sua trajetória na cena de Las Vegas. É dali que vieram reconhecimento, contatos, convites e uma reputação construída justamente sobre aquilo que muitos inicialmente duvidaram: a capacidade de sustentar a bateria de Slayer ao vivo.
Ao mesmo tempo, novos caminhos começam a aparecer. Um projeto de tributo a Iron Maiden amplia o horizonte. Trata-se de uma banda de tributo consolidada, com mais de uma década de trajetória, músicos experientes e uma circulação maior na cena. Para Andrei, mesmo não sendo o Iron Maiden uma de suas bandas preferidas — ele coloca Slayer, Pantera e Sepultura em outro patamar afetivo —, a oportunidade representa visibilidade e crescimento profissional.
E há ainda uma diferença técnica importante nessa nova etapa: o uso de in-ear monitoring, com retorno individualizado e equalizado. Em vez de ouvir apenas o som acústico da bateria e o que escapa dos amplificadores no palco, o músico passa a receber no ouvido uma mixagem muito mais próxima daquela que chega ao público.
E o próximo show? No heavy metal, silêncio também pode ser parte da música. Antes de uma música começar, existe aquele segundo em que o público sabe que alguma coisa está prestes a acontecer. Há o Slayer, que abriu a porta. Há o House of Blues, que transformou um sonho de adolescente em realidade. Há o Iron Maiden, que amplia o alcance. Há a estrada, a Harley, os 18 estados conhecidos, os bares, os palcos, os estúdios, as amizades e uma vida profissional construída em um equilíbrio que ele precisou aprender a escolher.
E há algo mais. Novos projetos estão sendo desenhados nos bastidores. Projetos maiores, ambiciosos e capazes de colocar novamente aquele baterista bajeense diante de desafios que, alguns anos atrás, pareciam pertencer exclusivamente às telas da MTV.
Por enquanto, os detalhes permanecem fora do palco. Talvez seja melhor assim. Porque toda boa música sabe esperar a hora certa para entrar. E, quando chegar o momento, Andrei provavelmente fará aquilo que aprendeu a fazer desde 1996: sentará atrás da bateria, ajustará os pedais, contará a entrada e dará a cara a tapa.

