Minuano Conecta
Entre cafés e sabores: um roteiro gastronômico por Bagé e região
por Suélen Delabari
Conhecer uma cidade também pode ser uma experiência à mesa. É sentar sem pressa, observar o movimento ao redor, experimentar um sabor pela primeira vez ou reencontrar aquele gosto que já faz parte da memória. Em Bagé e região, o café pode ser justamente o ponto de partida para descobrir diferentes formas de viver a gastronomia.
Neste roteiro, a proposta não é apenas indicar lugares para comer. É convidar o leitor a experimentar cada espaço de uma maneira diferente: começar o dia diante de uma mesa farta, fazer uma pausa cercada por livros, provar um pastel no movimento do Centro e, depois, pegar a estrada até Aceguá para conhecer uma experiência de café colonial.
São quatro paradas, quatro atmosferas e uma mesma ideia: descobrir a região também pelos sabores que chegam à mesa.
Comece o dia sem pressa no Obino Hotel
A primeira parada pede uma manhã tranquila.
No Obino Hotel, o café da manhã começa cedo, das 6h30 às 9h30, e transforma a primeira refeição do dia em uma mesa que convida a ficar. Embora faça parte da experiência dos hóspedes, o café também está aberto ao público, permitindo que moradores e visitantes tenham acesso à proposta.
Imagine começar o roteiro com uma xícara de café e uma mesa repleta de opções. São bolos, salgados, ovos mexidos, molho, frutas, sucos, incluindo uma opção verde, e dois tipos de iogurte.
Para quem não está hospedado, o café custa R$ 45.
A experiência pode continuar depois da primeira refeição. Com 32 anos de história em Bagé, o hotel também abriga o Empório da Campanha, espaço que amplia a proposta gastronômica e reúne diferentes preparos de café, fondue, salgados, tábuas de petiscos, lanches, hambúrgueres e pizzas.
Entre uma escolha e outra, o olhar também encontra produtos que carregam referências da região, como azeites, vinhos, doces e itens de artesanato.
A dica é chegar cedo, tomar café com calma e permitir que o roteiro comece sem pressa. Entre o saguão e o deck, há diferentes ambientes para aproveitar o momento. Ao meio-dia e à noite, o espaço assume uma nova proposta, funcionando como mercado gourmet. Às sextas-feiras, a programação ainda ganha música ao vivo.
Depois, deixe o café acompanhar uma boa leitura na Leb
Da mesa farta do hotel, o roteiro muda completamente de atmosfera.
Na Leb, café e literatura dividem o mesmo endereço. A livraria integrada à cafeteria cria um ambiente que convida a desacelerar. É o lugar para escolher um livro, pedir um café, experimentar uma torta e deixar a conversa se prolongar.
Aqui, a experiência está justamente em não ter pressa.
O cardápio reúne cafés, salgados, doces, tortas e sucos naturais. As tortas são um dos destaques da casa, acompanhadas por doces tradicionais de Pelotas.
O espaço também oferece coffee breaks para empresas e trabalha com aluguel de máquinas de café, mas é na experiência cotidiana da cafeteria que o visitante encontra seu principal encanto: sentar, escolher algo do cardápio e aproveitar o ambiente.
A Leb completa 35 anos com uma trajetória construída também na relação com o público e na busca pela qualidade dos produtos e do atendimento.
Aberta de segunda a sábado, das 8h às 20h, a cafeteria tem capacidade para aproximadamente 120 pessoas.
A sugestão é simples: depois de conhecer a primeira parada, escolha um livro, peça um café e fique mais alguns minutos. Afinal, parte da experiência gastronômica também está no tempo que se dedica a ela.
No Centro, experimente o sabor que faz parte da rotina
Depois de uma experiência mais tranquila, é hora de entrar no ritmo do Centro de Bagé.
No quiosque do Calçadão, o café tem outra personalidade. Não há necessidade de planejar muito: basta estar caminhando pelo Centro e fazer uma pausa.
Aberto das 7h às 19h, o espaço acompanha o movimento da cidade e recebe um público diverso, especialmente trabalhadores que circulam pela região.
A combinação mais conhecida é também uma das mais simples: café e pastel.
Frito na hora, o pastel aparece em versões doces e salgadas e tem na massa um de seus principais diferenciais. É aquele tipo de comida que chega rapidamente à mesa, mas deixa uma lembrança que permanece.
São 23 anos de presença em Bagé, tempo suficiente para o quiosque se tornar parte da paisagem e da rotina de quem vive na cidade.
Aqui, o roteiro não precisa de cerimônia. A experiência está justamente na espontaneidade: um café antes do trabalho, um pastel durante a caminhada, uma pausa entre compromissos ou aquele encontro casual com alguém conhecido.
É uma parada que mostra outra face da gastronomia bageense: a comida cotidiana, acessível e afetiva.
Pegue a estrada e termine o roteiro em Aceguá
Depois de conhecer diferentes versões do café em Bagé, a sugestão é ampliar o roteiro e seguir até Aceguá.
É lá que surge uma experiência diferente: o Café Colonial Todas as Querências, nova opção gastronômica da região, inaugurada neste fim de semana.
Idealizado por Eliane dos Santos, Cesar dos Santos e Glória Enaile, o espaço nasceu com uma proposta essencialmente familiar. A ideia é que o visitante não encontre apenas uma mesa de comida, mas um ambiente acolhedor, onde a gastronomia seja também uma forma de convivência.
O café colonial será servido aos sábados e domingos, das 10h às 18h30.
A mesa reúne cucas doces e salgadas, pães caseiros, queijo colonial e outros produtos que remetem à cozinha afetiva, aquela que lembra receitas feitas em casa e refeições compartilhadas em família.
Mas o Todas as Querências também traz sabores de outras paisagens.
A influência sul-mato-grossense aparece na chapa paraguaia e na sopa paraguaia, que, apesar do nome, é preparada como uma espécie de torta salgada. Aos poucos, a proposta também pretende incorporar referências gastronômicas da Argentina e do Uruguai, aproximando diferentes culturas que fazem parte da identidade da região.
O atendimento é preferencialmente realizado mediante reserva, embora não seja obrigatório reservar.
Para quem fez o roteiro por Bagé, Aceguá pode ser o destino final perfeito: uma experiência mais demorada, de mesa farta e conversa longa, encerrando o passeio com a sensação de que gastronomia também é território, memória e encontro.
Um roteiro para sentir a cidade
A proposta deste roteiro é justamente não buscar uma única definição para a gastronomia de Bagé e região.
No Obino Hotel, o dia começa diante de uma mesa farta e diversificada. Na Leb, o café encontra os livros e convida à permanência. No Calçadão, o pastel e o café fazem parte do movimento cotidiano da cidade. Em Aceguá, o café colonial reúne sabores caseiros, influências culturais e a tradição de sentar à mesa em família.
Quatro lugares, quatro experiências e diferentes maneiras de conhecer uma região.
Porque viajar, mesmo sem ir muito longe, também pode ser isso: trocar o relógio pela mesa, o caminho pelo sabor e a pressa pela descoberta.
E, em Bagé e região, talvez o melhor roteiro seja aquele que começa com uma xícara de café e termina com a vontade de conhecer o próximo lugar.

