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‘E se hoje fosse o último dia?’: escritora bajeense transforma reflexão sobre a vida em novo livro

Em 28/06/2026 às 07:40h
Yuri Cougo Dias

por Yuri Cougo Dias

‘E se hoje fosse o último dia?’: escritora bajeense transforma reflexão sobre a vida em novo livro | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Maria Clara Petrarca tem cinco obras escritas - Foto: Divulgação

Por Yuri Cougo Dias

 

A pergunta que dá nome ao novo livro da escritora bajeense Maria Clara Petrarca, 26 anos, não busca respostas fáceis. Pelo contrário. Em "E se hoje fosse o último dia", a autora convida o leitor a refletir sobre a fragilidade do tempo, a importância dos afetos e a necessidade de viver de forma significativa. Aos 25 anos, a escritora lança a obra que considera a mais importante de sua trajetória literária, marcada pela sensibilidade com que aborda temas como depressão, superação e autoconhecimento.

Natural de Bagé, Maria Clara é formada em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Unipampa e atualmente cursa Direito na Urcamp. Embora esteja apenas na metade da terceira década de vida, chega ao quinto livro publicado, ainda que quatro das obras anteriores estejam passando por processo de reescrita.

Diferentemente de seus trabalhos anteriores, o novo romance nasceu de uma provocação que antecedeu a própria história. Foi o título que surgiu primeiro. "Quantos dias já foram quase nossos últimos, ou pior, quantos ainda podem ser?", questiona a autora. Para ela, a obra não propõe que as pessoas vivam como se cada dia fosse o último, mas que direcionem suas vidas para aquilo que realmente importa. "Se eu vivi meu maior sonho aos 26 anos, a Maria Clara criança certamente ficaria feliz. De alguma forma, foi uma vida bem vivida e feliz", reflete.

A narrativa acompanha Clara, protagonista que carrega parte do nome e da essência da autora. Embora a história seja ficcional, Maria Clara admite ter emprestado à personagem pensamentos, sentimentos e experiências difíceis vividas ao longo da vida. Ambientado no Brasil, o romance tem como cenário central o terraço de um prédio, elemento que, segundo ela, acaba assumindo o papel de um terceiro personagem, presente nos momentos decisivos da trama.

Mais do que um exercício criativo, a escrita sempre funcionou como ferramenta de elaboração emocional para a autora. "Há muitos anos uso a escrita como cura, como desabafo. Não é só uma história ou um texto. É minha vida ali, meus pensamentos, são coisas, pessoas e histórias às quais decidi dar um novo significado", afirma.

O livro também busca ampliar o debate sobre saúde mental. Entre as principais mensagens da obra está o convite para que as pessoas não minimizem o sofrimento alheio. "Depressão não é uma fase ou uma desculpa para dizer que os dias estão sendo absurdamente difíceis de viver", destaca. Aos leitores que enfrentam a doença, a autora diz esperar que a história funcione como um abraço. "Quero que sintam conforto, que se sintam acolhidos pela dor da Clara e pela evolução do Miguel."

Literatura desde a infância

O vínculo de Maria Clara com os livros começou cedo. Criada em uma família com forte hábito de leitura, foi incentivada desde a infância a mergulhar no universo literário. Antes mesmo de aprender a ler, ouvia histórias contadas por uma tia, que frequentemente lhe presenteava com livros.

O desejo de se tornar escritora surgiu na pré-adolescência. Entre os 12 e 13 anos, dedicava-se à escrita de fanfics e já anunciava aos amigos que publicaria um livro algum dia. "Na época parecia um sonho muito distante", recorda. Apaixonada por ficção científica, distopias e romances de época, cita autores como H.G. Wells e Ray Bradbury entre suas referências. Mais do que gêneros específicos, porém, o que a inspira são personagens complexos, marcados por contradições e processos de transformação.

Cena literária local

Sobre o cenário cultural de Bagé, a escritora avalia que houve avanços nos últimos anos, especialmente no acesso à produção e comercialização de livros. Ainda assim, acredita que o principal desafio continua sendo estimular a formação de novos leitores. "Estamos com um melhor acesso à escrita, produção e venda de livros, mas ainda falta um maior interesse da população em buscar essas obras", observa.

Onde encontrar

Natural de Bagé, Maria Clara Petrarca é formada em Letras – Português e Literatura e, atualmente, é acadêmica de Direito da Urcamp. Mantém presença ativa nas redes sociais, com perfil pessoal no Instagram (@mariapetrarca_) e conteúdos voltados ao universo literário nos perfis @grifei_umlivro, tanto no Instagram quanto no TikTok, onde compartilha resenhas, recomendações e reflexões sobre livros. "E se hoje fosse o último dia" está disponível em formato digital pela Amazon e em versão física pelo site da Uiclap.

Quanto ao futuro, Maria Clara prefere deixar espaço para as surpresas que costumam acompanhar a vida de escritora. "A gente nunca sabe qual será a próxima ideia, mas espero que o próximo livro seja sempre melhor", conclui.

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