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A vida dedicada à pecuária: a trajetória de Joal Brazzale Leal ganha homenagem na Embrapa Pecuária Sul

Em 27/06/2026 às 17:40h

por Miquéli Romero

A vida dedicada à pecuária: a trajetória de Joal Brazzale Leal ganha homenagem na Embrapa Pecuária Sul | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Joal ao lado da filha, Carolina Leal e Éber Borba, pesquisador aposentado da Embrapa. Foto: Róger Nobre

Há pessoas que passam por uma instituição. Outras ajudam a construir sua história. No caso de Joal Brazzale Leal, a história da Embrapa Pecuária Sul e a sua própria trajetória caminham lado a lado há mais de seis décadas.

Recentemente, o pesquisador teve seu nome eternizado em uma das salas de reuniões do prédio central da unidade, em Bagé. A homenagem reconhece uma vida inteira dedicada à pesquisa agropecuária e ao desenvolvimento da pecuária de corte brasileira. Mas, para quem esperava ouvir dele uma lista de conquistas, a resposta foi outra. “Eu nunca peguei as homenagens que fossem só para mim. Sempre incluí as pessoas que trabalham lá. Do pesquisador ao assistente de pesquisa. Ninguém ganha nada sozinho”, resume.

Natural de São Gabriel, Joal chegou a Bagé ainda jovem. Estudava Medicina Veterinária na então Escola Nacional de Veterinária, no Rio de Janeiro, quando escolheu realizar um estágio na Fazenda Experimental Cinco Cruzes. O que parecia apenas uma etapa da formação acabou definindo o rumo de sua vida. “Por essas coisas da vida, um ano e pouco depois eu me formei e acabei de novo aqui. E aí fiquei.”

Foi em Bagé que constituiu família, construiu amizades e desenvolveu praticamente toda a sua carreira profissional. A ligação com a Rainha da Fronteira também se estendeu para além da pesquisa. Ao longo dos anos, Joal participou ativamente de diferentes entidades ligadas ao setor agropecuário. Foi o primeiro secretário de Agropecuária do município, vice-presidente da Associação Rural de Bagé e presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Hereford e Braford, além de atuar junto à Associação Brasileira de Brangus. Funções que reforçam sua contribuição não apenas para a pesquisa científica, mas também para o fortalecimento da pecuária e das instituições do setor. Hoje, aos 88 anos, fala da cidade com a simplicidade de quem encontrou nela seu lugar no mundo.“Eu nasci em São Gabriel, mas virei bajeense por opção”, afirma. “Bagé significa a minha vida.”

Sua trajetória profissional começou em 1964, no então Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária, ligado ao Ministério da Agricultura. Em 1975, a Fazenda Experimental Cinco Cruzes foi incorporada à Embrapa, dando origem à Embrapa Pecuária Sul. Joal permaneceu acompanhando cada etapa dessa transformação. Ao longo dos anos, tornou-se uma das principais referências no desenvolvimento das raças compostas Braford e Brangus, trabalho que ajudou a impulsionar a pecuária de corte muito além das fronteiras do Rio Grande do Sul. “Um tempo grande do meu trabalho foi fazer com que essas duas raças se desenvolvessem. O orgulho é que elas não ficaram concentradas aqui. Hoje têm uma participação muito forte na produção em todo o Brasil.”

O reconhecimento ao seu trabalho atravessou fronteiras e gerações. Conhecido no Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai por sua atuação no desenvolvimento da pecuária de corte, Joal acumulou diversas homenagens ao longo da carreira. Apenas nos últimos anos, foi reconhecido durante o Beef Summit Sul, em Porto Alegre, recebeu uma homenagem da Sociedad Criadores de Braford & Cebú del Uruguay, durante a ExpoPrado, em Montevidéu, tornou-se o primeiro integrante da Galeria de Honra do Núcleo Bajeense de Criadores de Brangus Ibagé e foi intitulado Embaixador Mundial Braford, tendo seu nome escolhido para denominar a pista de julgamentos do 9º Congresso Mundial da raça.

Ao recordar as mudanças que testemunhou ao longo da carreira, Joal destaca a evolução da produtividade no campo. Segundo ele, tecnologias e pesquisas desenvolvidas pela Embrapa ajudaram a transformar a realidade dos produtores rurais. “Nós fazíamos as coisas não para ficarem dentro da ciência, mas para chegar ao sistema produtivo. E isso se conseguiu.”

Além da atuação como pesquisador, assumiu por duas vezes a chefia-geral da unidade, somando 16 anos na função. Liderou equipes com mais de cem pessoas e diz que a experiência no esporte foi uma das grandes escolas para entender o trabalho coletivo. Quando jovem, foi jogador e capitão de equipes de basquete. Foi ali que aprendeu uma lição que levaria para toda a vida profissional. “No basquete são cinco jogadores. Ninguém ganha sozinho.”

Talvez seja justamente essa visão que explique por que Joal evita falar de legado. Questionado sobre a marca que deixa para a instituição, prefere dividir os méritos com todos que fizeram parte da caminhada. Ainda assim, admite que a homenagem recebida recentemente tem um significado especial. “Se agora recebi essa homenagem numa cerimônia com os funcionários, acho que alguma coisa eu deixei.”

Aposentado desde dezembro de 2025, após mais de 60 anos dedicados à pesquisa agropecuária, ele garante que o vínculo com a instituição não termina com o encerramento das atividades profissionais. “Sempre vou caminhar com eles. Mesmo não estando lá, vou caminhar com eles.”

A frase resume não apenas sua relação com a Embrapa, mas uma vida inteira dedicada à construção do conhecimento, ao desenvolvimento da pecuária brasileira e às pessoas que fizeram parte dessa história.

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