Saúde
Cansaço que não passa: entenda quando a fadiga pode indicar uma doença reumatológica
por Miquéli Romero
A fadiga persistente, caracterizada pela falta de energia que não melhora mesmo após períodos de descanso, pode estar associada a diferentes condições de saúde, incluindo doenças inflamatórias e autoimunes. Embora frequentemente seja relacionada ao excesso de trabalho, ao estresse e à rotina intensa, a permanência do sintoma merece atenção.
De acordo com a reumatologista Dra. Ana Carolina Milán, da Clínica Singular, a fadiga vai além do cansaço ocasional e pode comprometer diferentes aspectos da vida cotidiana. “Trata-se de uma sensação persistente de falta de energia, que pode comprometer tanto a capacidade física quanto o desempenho mental, interferindo na concentração, memória, produtividade e até mesmo nas relações sociais”, explica.
Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a reagir contra estruturas do próprio organismo. Esse processo pode desencadear a liberação de substâncias inflamatórias, chamadas citocinas, que contribuem para a sensação de fadiga. Entre as doenças reumatológicas que podem apresentar esse sintoma estão a artrite reumatoide, o lúpus eritematoso sistêmico e a doença de Sjögren.
Quando investigar o cansaço?
A fadiga que persiste por várias semanas, especialmente quando interfere nas atividades cotidianas, deve ser investigada. A atenção deve ser redobrada quando o sintoma está associado a dores ou inchaço nas articulações, rigidez matinal prolongada, febre sem causa aparente, lesões na pele, sensibilidade ao sol, queda acentuada de cabelo ou ressecamento persistente dos olhos e da boca.
A médica ressalta que a fadiga não é exclusiva das doenças autoimunes. Distúrbios da tireoide, deficiência de ferro, apneia do sono, infecções e outras condições clínicas também podem provocar o sintoma.
Por isso, a investigação deve começar com uma avaliação médica, considerando o histórico de saúde do paciente, os sintomas apresentados e o exame físico. Esses fatores orientam a solicitação de exames complementares.
“A solicitação indiscriminada de exames, especialmente de testes imunológicos, pode revelar alterações sem significado clínico, gerando interpretações equivocadas”, alerta a especialista.
Tratamento depende da causa
O tratamento da fadiga varia conforme a causa identificada. Nos casos relacionados a doenças reumatológicas inflamatórias, a abordagem envolve o controle adequado da atividade da doença. A prática individualizada de atividades físicas, a melhora da qualidade do sono, o manejo da dor, o apoio psicológico, quando indicado, e o tratamento de condições associadas também podem contribuir para a redução do sintoma.
Segundo a médica, o cuidado deve ser individualizado, considerando não apenas os resultados dos exames, mas também o impacto da fadiga na rotina e na qualidade de vida do paciente.
A reumatologista destaca ainda que o sintoma não deve ser confundido com preguiça, falta de vontade ou fraqueza emocional. “Trata-se de um sintoma real, reconhecido pela medicina e que, em determinadas situações, pode representar uma das manifestações mais incapacitantes de uma doença reumatológica”, afirma.

