Saúde
HU realiza 1,2 mil atendimentos em ambulatório de neurologia
Serviço oferece 240 consultas mensais para adultos e crianças e contribuiu para zerar a fila de espera regional
por Miquéli Romero
O ambulatório de neurologia do Hospital Universitário (HU) Doutor Mário Araújo, mantido pela Fundação Attila Taborda (FAT), realizou 1.209 atendimentos entre abril e outubro de 2026. O serviço oferece 240 consultas mensais para adultos e crianças e recebe pacientes de Bagé e de outros municípios da região. A iniciativa integra o Programa de Incentivos Hospitalares do governo do Estado do Rio Grande do Sul (Assistir) e busca ampliar o acesso à assistência especializada.
Além das consultas, o hospital disponibiliza exames que auxiliam na investigação de doenças neurológicas. A estrutura permite acompanhar os pacientes desde a avaliação médica até a realização dos exames necessários para definir o diagnóstico e orientar o tratamento.
Atendimento regional
De acordo com o diretor administrativo do hospital, Leandro de Deus, o ambulatório atende os municípios de Bagé, Aceguá, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul, além de receber pacientes de outras regiões. "O acesso ocorre por meio das unidades de saúde, que cadastram os pacientes no sistema GERCOM, conforme a disponibilidade de vagas, são encaminhadas então para o atendimento", explica.
Segundo o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, a implantação do serviço foi motivada pela demanda regional e pelas longas filas de espera por consultas neurológicas. “Quando identificada a necessidade de atendimentos em neurologia diante das filas crescentes no município de Bagé e outros municípios abrangidos pela 7ª Coordenadoria Regional de Saúde, a gestão institucional buscou formas de atuar diretamente nesta pauta”, afirma.
Conforme Bragança, a proposta foi apresentada à então secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, e aprovada no Programa Assistir. O reitor destaca que a iniciativa permitiu zerar a fila de atendimentos que constava nas bases de dados da região. “Esta medida proporcionou reduzir a fila de espera que, muitas vezes, era superior a 10 meses. Em pouco tempo de implementação, já é possível comemorarmos o fato de termos zerado a fila de atendimentos que constava nas bases de dados para a nossa regional. Agora constam apenas os atendimentos mensais normalmente agendados”, ressalta.
Principais demandas
De acordo com o neurologista responsável pelos atendimentos, Dr. Vilson Rogério Weige, entre as principais queixas dos adultos estão dores de cabeça, especialmente enxaquecas, alterações de memória, doença de Parkinson e epilepsia. “Uma das queixas mais comuns são os quadros enxaquecosos. Depois tem os esquecimentos, e aí a gente tem que investigar e excluir que isso vai andar para um Alzheimer, por exemplo, ou que já seja um Alzheimer”, explica o médico.
Na neurologia pediátrica, a epilepsia está entre as condições mais frequentes. O ambulatório também recebe crianças com dores de cabeça, dificuldades de aprendizagem e alterações de linguagem e comportamento.
Weige chama a atenção para a necessidade de avaliações criteriosas, especialmente nos casos de dificuldades escolares. “Muito comumente os transtornos de aprendizagem são confundidos com outras doenças. Se pensa que é TDAH, enfim. Quando, na verdade, é uma dislexia, uma discalculia, e o tratamento não costuma ser medicamentoso. Costuma ser a adaptação da criança no meio escolar”, afirma.
O médico destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para definir a conduta adequada. “Porque se você pegar alguma doença no início, você consegue abordá-la bem melhor”, enfatiza.
Exames auxiliam no diagnóstico
O HU disponibiliza exames como tomografia, raio X, ecografias, exames laboratoriais, eletrocardiograma, ecocardiograma e eletroencefalograma. Quando o procedimento necessário não está disponível no hospital, a equipe organiza o encaminhamento para outro serviço.
Um dos diferenciais destacados pelo neurologista é a possibilidade de realizar punção lombar, procedimento que auxilia na investigação de diferentes doenças neurológicas. “O hospital fornece a realização do exame de punção lombar. Então, a gente atende o paciente no ambulatório, consegue internar esse paciente e consegue fazer a punção lombar para definição ou exclusão de inúmeras doenças, esclerose múltipla, algum tipo de sangramento, quadros demenciais”, explica Weige.
O médico acrescenta que a estrutura hospitalar facilita a investigação de casos que exigem internação e contribui para agilizar a definição diagnóstica. O acompanhamento também pode envolver profissionais de outras áreas, como psicologia, fonoaudiologia e fisioterapia.

