Cidade
Falta de transporte afeta moradores da região das Palmas
por Melissa Louçan
As comunidades da região das Palmas ficam a dezenas de quilômetros do centro de Bagé e, para muitos moradores, o deslocamento até a cidade depende do transporte coletivo. A distância varia de aproximadamente 38 a 60 quilômetros, conforme o ponto da localidade, em trajetos que incluem estradas rurais que nem sempre apresentam boas condições de trafegabilidade. Há cerca de dois meses, porém, parte dos moradores está sem o serviço, o que tem dificultado o acesso a serviços básicos.
A região reúne mais de mil moradores, que precisam se deslocar até Bagé para atividades como consultas e exames médicos, compra de medicamentos, aquisição de alimentos e atendimento em instituições bancárias. Sem os ônibus, a alternativa tem sido recorrer a caronas, dividir o custo de viagens por aplicativo ou encontrar outras formas de chegar à cidade.
“É bem complicado. As pessoas estão pedindo carona, propondo repartir o valor do Uber. Um morador me contou que gastou R$ 400 em transporte para ir na cidade fazer o rancho ”, relata o presidente da Associação Quilombola, Leomar Alves.
Segundo ele, a comunidade já encaminhou um abaixo-assinado solicitando a retomada do transporte e aguarda uma posição do poder público. Alves afirma que os moradores também avaliam buscar o Ministério Público caso não haja uma solução por meio do diálogo. A preocupação envolve ainda os moradores da Pedra Grande, onde, segundo ele, a falta do serviço ocorre há cerca de um ano.
A suspensão das linhas está relacionada à baixa demanda e à dificuldade de manter a operação financeiramente. A Divisão de Transporte de Passageiros do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) informou que a empresa solicitou a paralisação de horários. O pedido, conforme o órgão, cumpriu o rito previsto e não recebeu manifestação contrária. Com isso, os horários foram cancelados para a realização de um novo estudo de demanda.
Na região da Pedra Grande, a linha era operada pela Stadtbus e a linha foi encerrada há cerca de um ano. A encarregada da filial da empresa, Fernanda Andreotti, explica que a suspensão ocorreu após um levantamento sobre a viabilidade do serviço. Segundo ela, o número de passageiros não era suficiente para cobrir os custos do deslocamento até o centro de Bagé. A empresa solicitou subsídio ao município para manter a operação, mas, como não houve acordo, a Prefeitura autorizou a suspensão por meio de uma ordem de serviço.
“Nós, enquanto empresa, somos solidários com a situação, entendemos o que passa a comunidade e não nos omitimos. Mas, para retomar a operação, precisamos de respaldo do poder público”, afirma Fernanda.
Já a empresa São João, que foi a última a suspender a linha na região, também aponta déficit provocado pelo baixo fluxo de passageiros. De acordo com o gerente administrativo, Márcio Ribeiro, a empresa e a Prefeitura estariam em negociação sobre um possível subsídio financeiro para viabilizar a retomada do serviço. Procurada, a Prefeitura ainda não confirmou a existência da negociação.
A falta do transporte também preocupa em relação ao acesso à saúde. De acordo com a Prefeitura, pacientes da região que precisam se deslocar para consultas especializadas ou exames estão tendo o transporte organizado pelo município. A equipe da UBS Coxilha das Flores acompanha as solicitações no sistema de regulação e, conforme os procedimentos são liberados, articula com os pacientes e com o Setor de Frota o deslocamento até a cidade.
Segundo o Executivo, a medida foi determinada pelo prefeito para evitar que a comunidade fique sem acesso aos atendimentos de saúde em razão da suspensão do transporte coletivo.

