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Rótulos da Estância Paraizo levam história da família e de Bagé a premiações nacionais
Espumantes Azor Marítimo e Azor Volcano conquistaram o Troféu Ouro do Prêmio ABRE da Embalagem Brasileira; projeto também está entre os finalistas de uma premiação de design com participação de países da América Latina
por Melissa Louçan
Dois espumantes produzidos pela Estância Paraizo, de Bagé, foram reconhecidos com o Troféu Ouro no Prêmio ABRE da Embalagem Brasileira 2026. O Azor Marítimo e o Azor Volcano venceram na categoria Design Gráfico – Bebidas Alcoólicas, em uma premiação que reconhece projetos de embalagens desenvolvidos no país. O reconhecimento, no entanto, não se limita ao aspecto visual dos rótulos: os projetos foram concebidos para contar, por meio do design, parte da história da família e da formação da fronteira sul-brasileira.
A criação dos rótulos começou antes mesmo de os dois espumantes existirem. Segundo a sócia-proprietária da Estância Paraizo, Victoria Mércio, a pesquisa sobre a trajetória da família vinha sendo realizada há anos, a partir de livros, cartas e documentos. Em 2012, uma consulta à Cúria Metropolitana de Porto Alegre ajudou a identificar José e Isabel como o primeiro casal de origem açoriana da família a chegar ao Pampa gaúcho, por volta de 1690 a 1700.
A descoberta serviu de ponto de partida para o conceito dos dois rótulos. O Azor Volcano remete à saída do casal da ilha de São Jorge, que tem esse nome por ter o formato de uma silhueta de dragão, no arquipélago dos Açores, marcada pela atividade vulcânica e sísmica. Já o Azor Marítimo representa a travessia pelo Oceano Atlântico em direção à Colônia do Sacramento, então um enclave português.
"Eu tinha todas essas pesquisas, essas informações em mãos, e fiz uma viagem às Ilhas dos Açores. Fui a São Jorge em 2015, tirei muitas fotos e, quando fomos trabalhar na elaboração do rótulo, resgatei toda essa questão documental e todas as fotos da viagem e traduzi todos aqueles elementos em design", explica Victoria.
O resultado foi desenvolvido em parceria com a Bagual Estúdios, de Garibaldi. A proposta era fazer dos dois rótulos partes de uma mesma narrativa. Visualmente, eles funcionam como um mapa dividido em duas partes, que conduz o consumidor pela trajetória representada em cada espumante.
Para Victoria, a embalagem tem papel importante na comunicação de uma vinícola, especialmente em um mercado no qual o consumidor nem sempre conhece previamente o produto. "Infelizmente, a gente não pode estar do lado de cada consumidor contando a história, então a embalagem é extremamente importante como canal de comunicação na indústria do vinho", afirma.
O reconhecimento nacional também ocorre em um período de expansão da Estância Paraizo. De acordo com a proprietária, a vinícola vem ampliando a presença no interior do Rio Grande do Sul e trabalhando na entrada em novos mercados. Há também uma expansão para São Paulo, onde a empresa mantém uma estrutura de armazenagem e logística de entrega na Capital.
A premiação, segundo Victoria, contribui para abrir contatos e pontos de venda, além de reforçar a percepção sobre a marca entre clientes que já conhecem os produtos. "Um reconhecimento nacional desse porte chancela o trabalho que vem sendo desenvolvido nos últimos oito anos, não só do ponto de vista da qualidade do produto, mas também da entrega desse produto, que é a embalagem que faz toda essa comunicação", destaca.
A relação com Bagé também está presente nos rótulos da vinícola. As garrafas levam um selo com a representação da coroa formada pelos tijolos da cidade fortificada, acompanhado da identificação "Região da Campanha Bagé RS". A intenção é fazer com que a origem dos vinhos esteja presente nos diferentes mercados alcançados pela marca.
Além do Troféu Ouro no Prêmio ABRE, a Estância Paraizo recebeu nesta semana outra notícia relacionada ao projeto Azor. Os espumantes estão entre os finalistas do Prêmio Grandes Cases de Embalagem, que reúne projetos de diferentes países da América Latina.
A vinícola também prepara uma nova linha. Batizada de 25 Safras, ela será produzida a partir de uma vinificação realizada no ano passado e deve resultar em aproximadamente 1.300 garrafas. O lançamento está previsto, inicialmente, para o outono de 2027. A proposta será contar a história das 25 safras do vinhedo da propriedade, implantado nos anos 2000.

