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Saúde

Dor nas pernas, inchaço e feridas que não cicatrizam podem indicar doenças vasculares

No Agosto Azul e Vermelho especialista alerta que hábitos saudáveis, diagnóstico precoce e acompanhamento médico podem reduzir o risco de infarto, AVC, trombose e outras doenças da circulação.

Em 31/07/2026 às 10:42h
Miquéli Romero

por Miquéli Romero

Dor nas pernas, inchaço e feridas que não cicatrizam podem indicar doenças vasculares | Saúde | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
As doenças vasculares afetam milhões de pessoas e estão entre as principais causas de morte no país Foto: Magnific

O mês de agosto é marcado por diversas campanhas de conscientização em saúde. Entre elas, o Agosto Azul e Vermelho chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças vasculares, que afetam milhões de pessoas e estão entre as principais causas de morte no país.

De acordo com o médico cardiologista intensivista Paulo Alfredo Kalil Salim, a campanha tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a importância de cuidar da saúde dos vasos sanguíneos, identificando precocemente doenças arteriais e venosas e adotando medidas preventivas capazes de reduzir complicações.

As doenças vasculares abrangem alterações que acometem artérias, veias e vasos linfáticos. Entre elas estão a aterosclerose, aneurismas, doenças da circulação periférica, tromboses arteriais e venosas, trombose venosa profunda, varizes, úlceras venosas, linfedemas e linfangites. Segundo o especialista, problemas como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico também têm origem em alterações das artérias.

"Prevenção é o melhor remédio"

Grande parte dos fatores de risco pode ser controlada. Hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e envelhecimento estão entre os principais. O histórico familiar também merece atenção, especialmente diante da possibilidade de identificação de predisposição genética por meio de exames laboratoriais.

A prevenção, segundo o cardiologista, continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir o impacto dessas doenças. Parar de fumar, praticar atividade física regularmente, controlar a pressão arterial, manter os níveis adequados de colesterol, tratar corretamente o diabetes e adotar uma alimentação equilibrada, baseada na dieta mediterrânea, estão entre as principais recomendações.

Os grupos mais suscetíveis às doenças vasculares incluem idosos, fumantes, pessoas com hipertensão arterial, diabetes e indivíduos sedentários. “Com o envelhecimento, os vasos sanguíneos perdem elasticidade e a aterosclerose torna-se mais frequente, aumentando o risco de complicações”, explica.

Sintomas e alertas que não podem ser ignorados

O médico também orienta que alguns sintomas não devem ser ignorados. Dor nas pernas ao caminhar, inchaço em um ou ambos os membros inferiores, feridas que demoram a cicatrizar, sensação de formigamento nos pés, dor no peito e dores de cabeça persistentes podem indicar alterações vasculares e exigem avaliação médica.

Outro alerta diz respeito ao uso dos cigarros eletrônicos. Conforme Salim, esses dispositivos provocam inflamação dos vasos sanguíneos, disfunção do endotélio e vasoconstrição, favorecendo a formação de tromboses e aumentando o risco de obstrução arterial, infarto e AVC.

Durante o inverno, os cuidados também precisam ser redobrados. As baixas temperaturas provocam vasoconstrição, aumentam a viscosidade do sangue e favorecem a agregação de plaquetas, elevando o risco de eventos vasculares, especialmente entre idosos, fumantes, hipertensos e diabéticos.

Mil óbitos por dia

O cenário brasileiro reforça a necessidade da campanha. Segundo o especialista, cerca de 25% da população é obesa e aproximadamente 40% é sedentária. Esse conjunto de fatores contribui para que as doenças vasculares sejam responsáveis por cerca de 30% das mortes registradas no país, o equivalente a aproximadamente mil óbitos por dia.

Como forma de prevenção, o cardiologista recomenda que todas as pessoas realizem, ao menos uma vez na vida, exames para avaliação de marcadores genéticos relacionados às doenças cardíacas, principalmente quando há histórico familiar. Para quem não possui antecedentes de doenças cardiovasculares, a primeira consulta preventiva é indicada por volta dos 35 anos para os homens e aos 45 anos para as mulheres.

Ao final, Salim reforça uma mensagem simples, mas essencial: “A prevenção é o melhor remédio. Quando a pessoa procura atendimento apenas após o aparecimento dos sintomas, as chances de complicações vasculares em diferentes órgãos e sistemas são muito maiores", finaliza.

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