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Pagamento parcial reduz tensão, mas retomada total dos atendimentos ainda depende dos médicos
por Suélen Delabari
Apesar do pagamento de parte dos salários atrasados aos médicos da Santa Casa de Caridade de Bagé, a normalização completa dos atendimentos ainda não está definida. A decisão sobre a manutenção ou a suspensão das restrições será tomada por cada setor do hospital.
Em entrevista ao Jornal Minuano, o diretor da Fronteira Oeste do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Dr. Felipe Cunha, explicou que a nova administração efetuou o pagamento de três folhas salariais em atraso. No entanto, a distribuição dos recursos não ocorreu de forma igual entre todos os profissionais.
Segundo ele, havia setores com até dez meses de salários atrasados, enquanto outros acumulavam quatro, cinco ou seis meses sem receber. Por isso, a gestão optou por reduzir a diferença entre os débitos. "O pagamento não foi igual para todos. Alguns médicos receberam três folhas, enquanto outros receberam apenas uma, porque a prioridade foi diminuir a dívida dos setores que estavam com mais meses de atraso", explica.
A forma como os pagamentos foram realizados gerou descontentamento entre parte da categoria. Em reunião promovida pelo Simers, ficou definido que cada especialidade avaliará, internamente, se retomará ou não os atendimentos sem restrições.
Até o momento, apenas dois serviços anunciaram a retomada integral das atividades: a Clínica Médica de Internação, que voltará a disponibilizar dez leitos que estavam bloqueados, e o Serviço de Patologia, responsável pela realização de biópsias. "O sindicato respeitará a decisão dos médicos. Cada setor vai definir sua posição de acordo com sua realidade", afirmou Felipe Cunha.
Nova gestão
Na avaliação do dirigente, a nova administração adotou uma medida importante ao priorizar o pagamento dos médicos, utilizando recursos extraordinários provenientes de emendas parlamentares. Conforme informou, cerca de R$ 3,2 milhões em emendas, somados a recursos próprios da instituição, permitiram a quitação de três folhas salariais em atraso. Cunha destacou que a medida evitou o agravamento da crise e permitiu recompor as escalas médicas de julho. "O hospital enfrentava uma situação muito delicada. Havia dificuldade para fechar escalas em áreas como anestesia e cirurgia", disse.
Situação ainda inspira preocupação
Apesar do avanço, o diretor do Simers afirma que a preocupação permanece. "Se não houver perspectiva de pagamento integral da folha corrente, em pouco tempo poderemos voltar à situação de restrições nos atendimentos", alerta.
A expectativa da categoria é acompanhar o desempenho da nova administração nas próximas semanas. Até lá, a continuidade ou não das restrições seguirá sendo definida pelos próprios médicos em cada setor do hospital.

