Cidade
Ponte na rua São Carlos é interditada para veículos e pedestres após erosão na cabeceira
Travessia liga a comunidade à Escola Estadual Luís Mércio Teixeira, à rodoviária e a estabelecimentos comerciais; obra deve levar de 20 a 30 dias
por Miquéli Romero
A ponte localizada na rua São Carlos, entre as ruas Monte Líbano e Vinte de Setembro, foi interditada para a circulação de veículos e pedestres na tarde desta sexta-feira, 24. A medida foi tomada após o rompimento do muro de contenção que tem na cabeceira da ponte, que provocou a abertura de um buraco e comprometeu o apoio de parte da ponte.
A travessia é uma importante ligação para os moradores da região, sendo utilizada no acesso à Escola Estadual Luís Mércio Teixeira, à rodoviária e a estabelecimentos comerciais, como supermercados. O bloqueio do local foi realizado pelos Agentes de Trânsito.
De acordo com a Prefeitura de Bagé, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (Seinfra), a obra de recuperação terá início na próxima segunda-feira, 27. As equipes já realizaram as primeiras intervenções no local.
Segundo o engenheiro da Seinfra, Wagner Tavares da Silva, a erosão atingiu a cabeceira da ponte e deixou a viga sem apoio. “A viga da cabeceira está sem apoio, colocando em risco toda a estrutura da ponte”, explica.
A solução prevista é a construção de uma cortina de contenção em concreto ciclópico. Conforme o engenheiro, a obra deverá levar entre 20 e 30 dias para ser concluída, desde que as condições climáticas permitam a execução dos trabalhos. “A gente vai fazer uma forma, toda a estrutura em concreto ciclópico aqui. De 20 a 30 dias, dependendo do tempo”, explicou Wagner.
Atenção pedestres
Durante a recuperação, a circulação de pedestres também permanecerá proibida. A orientação é que a comunidade utilize ruas auxiliares para realizar os deslocamentos.
A necessidade de interdição se deve ao risco gerado pela escavação que será realizada no local. Conforme o secretário de infraestrutura Edegar Franco, será necessário abrir uma área de aproximadamente 3 a 3,5 metros de profundidade para a execução da contenção.
“Qualquer pessoa que esteja cruzando por aqui corre o risco de cair. A ideia é que a gente oriente que não tenha circulação de pedestres.”, afirmou.
A preocupação aumenta com o retorno das aulas na Escola Estadual Luís Mércio Teixeira, localizada nas proximidades. "Nós sabemos que a semana que vem ainda tem férias aqui na escola, mas logo após recomeçam as aulas. Então, o risco de uma criança cair aqui é grande" alerta o secretário.
Problema avançou em poucas horas
O morador Delmar Fialho foi uma das pessoas que identificaram e acompanharam a evolução do problema. Segundo ele, na quinta-feira (23), a abertura ainda era pequena, mas aumentou significativamente em menos de 24 horas. “Ontem não era cinco centímetros. De ontem para cá, passou para mais de meio metro de diâmetro”, relata.
Delmar conta que passou a alertar as pessoas sobre o risco de se aproximarem do local, já que era possível observar a profundidade do buraco. Diante da evolução do problema, o morador também buscou mobilizar os órgãos responsáveis.
Para ele, a participação da comunidade é fundamental na identificação de problemas e na cobrança por soluções. “A partir do momento em que a gente vê, eu tenho que denunciar o que estiver errado. Eu tenho que denunciar, eu tenho que cobrar”, afirma.
Chuvas e assoreamento
A Prefeitura aponta o assoreamento do arroio como o principal fator relacionado à erosão na cabeceira da ponte. Moradores relatam que, atualmente, cerca de 30 milímetros de chuva em uma hora já são suficientes para elevar o nível da água do arroio, enquanto precipitações de aproximadamente 60 milímetros podem provocar o transbordamento.
O engenheiro da Seinfra também explicou que a ação das chuvas e a vibração provocada pelo tráfego intenso podem contribuir para o avanço do processo erosivo.
“Uma ponte tem problemas de vibração. Aqui tem muito tráfego e, com a vibração, ela foi acarretando maior. Vai abrindo maior o buraco em função da vibração. Como não tem contenção, a tendência é que haja o desmoronamento”, explicou.
O andamento da obra também dependerá das condições do tempo. A chuva dificulta tanto a escavação quanto a execução da estrutura de concreto, especialmente em razão da instabilidade do solo.
Até a conclusão dos trabalhos, a orientação é para que motoristas e pedestres não tentem acessar a ponte interditada e utilizem rotas alternativas.

