Campo e Negócios
Embrapa Pecuária Sul comemora 50 anos com reconhecimento à ciência e legado ao país
Autoridades, pesquisadores e representantes do setor produtivo participaram da cerimônia, em Bagé, que destacou trajetória de contribuição para a sustentabilidade da agropecuária brasileira.
por Redação JM
A Embrapa Pecuária Sul completou, na sexta-feira, dia 13, meio século de história como referência em ciência, inovação e sustentabilidade para a pecuária brasileira. Fundada em 1975, sediada em Bagé, foi a primeira unidade voltada exclusivamente à pesquisa em produção animal no país, com foco inicial no bioma Pampa e, ao longo dos anos, impacto crescente em toda a agropecuária nacional.
A celebração dos 50 anos reuniu autoridades, representantes do setor produtivo, ex-servidores, técnicos e lideranças da região no Clube Cantegril. Além do lançamento da revista comemorativa “50 Anos em 50 Tecnologias”, a noite foi marcada por homenagens a servidores que fizeram parte da trajetória da unidade e por discursos que reforçaram o papel da instituição como pilar do desenvolvimento regional e da pecuária de base científica.
Uma história ligada ao campo e à transformação da produção
Ao abrir a cerimônia, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Flores Cardoso, destacou que a unidade nasceu com o desafio de qualificar uma atividade que era tradicional, mas que precisava de modernização. “Há 50 anos, a pecuária da região era baseada em práticas empíricas, com baixa produtividade e pouca tecnologia. Desde então, a Embrapa foi fundamental para transformar o setor em uma atividade altamente técnica, eficiente e, mais recentemente, sustentável”, afirmou.
Cardoso também ressaltou a singularidade da Embrapa Pecuária Sul no contexto da empresa pública federal. “Somos a única unidade com sede no bioma Pampa, e isso nos confere a responsabilidade de desenvolver soluções adaptadas à realidade dos campos sulinos, respeitando a biodiversidade e a cultura produtiva da região”, completou.
A atuação da Embrapa ao longo dessas décadas resultou em tecnologias de grande alcance, como o desenvolvimento da raça Brangus/Ibagé, os sistemas de produção de novilho precoce, a Roda da Reprodução, cultivares forrageiras adaptadas e ferramentas digitais para manejo sanitário e gestão ambiental, como o CarbonGado.
Compromisso com a ciência pública e o futuro sustentável
Presente na cerimônia, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, resgatou a transformação vivida pelo campo desde a década de 1970, quando a Embrapa começou sua atuação em Bagé. “A Embrapa Pecuária Sul mudou a história da pecuária gaúcha e nacional. Quando comecei, era um sistema arcaico, sem genética, sem sanidade, sem técnica. A chegada da pesquisa nos deu ferramentas para competir com o mundo. E essa unidade, aqui em Bagé, foi protagonista desse processo”, declarou.
Também presente na cerimônia, o prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi, destacou que a instalação da Embrapa na cidade representou um marco no desenvolvimento da Campanha Gaúcha. “Quando a unidade chegou, Bagé ainda era muito dependente do ciclo da lã e de uma pecuária extensiva pouco produtiva. A Embrapa foi decisiva para virar essa página e construir uma nova era, baseada na técnica e na sustentabilidade. Bagé deve muito a essa instituição”, disse.
A presidente da Câmara de Vereadores de Bagé, Andrea Gallina, reforçou o papel da Embrapa como agente de desenvolvimento local. “É impossível pensar o avanço da pecuária regional sem o suporte técnico, a formação e a inovação trazidas por esta unidade. A Câmara reconhece e valoriza essa história de compromisso com a região”, afirmou.
Publicação e projeto celebram passado e apontam novos rumos
A revista lançada durante a solenidade, com o título “50 Anos em 50 Tecnologias”, reúne uma seleção de inovações desenvolvidas pela unidade, com impacto direto na produção de carne, leite e lã. Entre os destaques estão tecnologias para controle de verminose em ovinos, protocolos para integração lavoura-pecuária, estratégias de melhoramento genético com uso de genômica e métodos para mensuração de emissões de gases de efeito estufa em sistemas produtivos.
O projeto comemorativo “Embrapa Pecuária Sul – Novos Desafios, Uma Só História” prevê ainda, ao longo do ano, a realização de um dia de campo, ações com escolas, concursos culturais, lançamento de documentário e a criação de um memorial físico com a história da unidade.
Para Fernando Cardoso, o futuro da Embrapa Pecuária Sul passa por ampliar a conexão entre ciência e sustentabilidade. “Vivemos um momento em que o mundo exige alimentos de baixo impacto ambiental. A pecuária pode e deve ser parte da solução para o desafio climático. Nossa missão é continuar gerando conhecimento técnico que permita isso, com inovação, credibilidade e compromisso com o Brasil”, concluiu.

