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Esportes

Bagé se reapresenta com desafios para administrar crise após agressões e depredações

Em 15/09/2026 às 08:06h
Yuri Cougo Dias

por Yuri Cougo Dias

Bagé se reapresenta com desafios para administrar crise após agressões e depredações | Esportes | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Direção acionou FGF e registrou boletim de ocorrência - Foto: Yuri Cougo Dias

O Grêmio Esportivo Bagé retomou os trabalhos na tarde desta segunda-feira, 14, em meio ao momento mais delicado da temporada. A reapresentação do elenco ocorreu menos de 24 horas após jogadores serem agredidos por torcedores e parte da estrutura do Estádio Pedra Moura ser depredada, depois da derrota por 2 a 0 para o Glória, pela 11ª rodada da Divisão de Acesso. Além da necessidade de reagir na luta contra o rebaixamento, o clube agora precisa administrar as consequências do episódio, reforçar a segurança e reconstruir o ambiente interno para as quatro rodadas finais da competição.

Até o momento, não houve saída de jogadores em razão dos acontecimentos. Entre os atletas que participaram da reapresentação esteve justamente Júlio Rusch, que registrou Boletim de Ocorrência após relatar ter sido agredido por torcedores na saída do estádio e publicou imagens dos ferimentos. Na manifestação, o jogador ressaltou que críticas fazem parte da atividade profissional, mas não podem resultar em violência. “Eu entro em campo para jogar futebol. Para competir, defender minha equipe e dar o meu melhor. Posso ganhar, posso perder, posso errar, posso ouvir críticas. O que ninguém pode aceitar é ser agredido por simplesmente exercer sua profissão”, afirmou.

Outros jogadores também se manifestaram nas redes sociais após o episódio, demonstrando indignação e cobrando providências. O movimento expôs o impacto do caso sobre o ambiente do elenco justamente em uma semana na qual o Bagé precisa se preparar para duas partidas em um intervalo curto.

Clube busca responsabilização

O Bagé formalizou uma ocorrência policial pela depredação de seu patrimônio e trabalha para identificar os responsáveis pelos danos. Segundo o Executivo de Futebol, Pedro Sabella, que reassumiu recentemente funções no clube e afirmou estar respondendo interinamente pela administração neste momento, as imagens disponíveis serão utilizadas para auxiliar na identificação dos envolvidos. O dirigente afirma que o clube pretende buscar responsabilização pelos atos. “Não vou aceitar ficar impune quem realmente fez. Doa em quem doer”, declarou.

Sabella também lamentou os danos provocados na estrutura do Pedra Moura e afirmou que o episódio ultrapassa a insatisfação com o resultado esportivo. “Mancharam a história do clube, mancharam o trabalho. A torcida é o símbolo da nossa história, mas não pode haver esse tipo de atitude”, afirmou. Além da ocorrência registrada por Rusch, o clube comunicou a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) sobre os acontecimentos. Ainda no domingo, 13, a entidade publicou uma nota de repúdio e manifestou solidariedade aos atletas e ao Bagé.

Limitações também dentro de campo

As providências policiais, entretanto, são apenas uma parte dos problemas que o Bagé precisa enfrentar. A agressão aos jogadores e os danos à estrutura surgem em uma equipe que já convive com dificuldades financeiras, elenco reduzido e um Departamento Médico que, pela quantidade de atletas afastados, praticamente forma uma equipe à parte.

O técnico Rodrigo Bandeira chega às últimas rodadas tendo novamente de encontrar alternativas para formar a equipe. Para o compromisso contra o Veranópolis, Michel e Yander voltaram a ficar à disposição, mas Vini Almeida tornou-se desfalque após sofrer uma lesão na virilha.

A limitação de opções tem sido uma constante ao longo da competição e ganha peso ainda maior em uma reta final na qual cada ponto pode definir a permanência ou o rebaixamento. Agora, além de administrar as limitações físicas e técnicas do elenco, a comissão técnica precisa lidar com os efeitos de um episódio que atingiu diretamente os jogadores.

Pedra Moura volta ao centro das atenções

O próximo jogo em casa será justamente um dos mais importantes da temporada. Depois de enfrentar o Veranópolis fora de casa nesta quarta-feira, 16, às 19h, o Bagé recebe o Gramadense no sábado, 19, às 15h, no Pedra Moura, pela 13ª rodada.

O clube confirmou a realização da partida no estádio e informou estar trabalhando em uma operação para reforçar a segurança. A medida se tornou uma preocupação adicional depois que um grupo de torcedores rompeu a tela de proteção e arrombou o portão de acesso aos vestiários após a partida contra o Glória. A Brigada Militar, que já havia deixado o local, precisou retornar para retirar os envolvidos.

A questão ultrapassa a organização de uma partida. O confronto contra o Gramadense já seria naturalmente cercado de pressão pela situação na tabela. Agora, será também o primeiro reencontro do elenco com o Pedra Moura depois de um episódio que atingiu diretamente a integridade física de jogadores e provocou danos ao patrimônio do clube.

Luta contra o rebaixamento

A situação na tabela aumenta o peso da partida. O Bagé ocupa a 14ª posição, com 10 pontos, sendo o último time fora da zona de rebaixamento. O Gramadense aparece logo atrás, em 15º, com sete pontos. A diferença é de apenas três pontos e os dois times se enfrentam justamente no sábado.

Glória, com seis pontos, completa o grupo que atualmente concentra a disputa contra o rebaixamento. Restam quatro rodadas, e os confrontos diretos podem alterar significativamente a configuração da tabela.

O Bagé terá pela frente Veranópolis, fora; Gramadense, em casa; Brasil de Farroupilha, fora; e Brasil de Pelotas, em casa. O Gramadense encara Brasil de Farroupilha, Bagé, Pelotas e Glória. Já o Glória enfrenta União Frederiquense, Brasil de Farroupilha, Brasil de Pelotas e Gramadense.

Dois confrontos diretos estão previstos dentro desse contexto: Bagé x Gramadense, neste sábado, e Glória x Gramadense, na última rodada. Por isso, o jalde-negro não depende apenas dos próprios resultados e já precisa acompanhar também o desempenho dos concorrentes.

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