Saúde
Primeira cirurgia de estrabismo em Bagé é realizada no Hospital Universitário
Procedimento foi realizado no dia 10 de julho pela oftalmologista especializada em estrabismo Camila Alves, da Oftalmopampa
por Miquéli Romero
Bagé deu um passo importante na área da oftalmologia. No dia 10 de julho, o Hospital Universitário Dr. Mário Araújo realizou, pela primeira vez, uma cirurgia de estrabismo no município. O procedimento foi conduzido pela médica oftalmologista Camila Alves, especialista em estrabismo e integrante da equipe da Oftalmopampa.
A realização da cirurgia representa a chegada de um atendimento que, até então, não estava disponível na cidade. Segundo Camila, além da estrutura hospitalar necessária, um dos principais fatores para viabilizar o procedimento é a presença de um profissional especializado. “Realmente foi a primeira vez por aqui, porque é uma cirurgia que depende de uma estrutura, de um centro cirúrgico, anestesista, anestesia geral e, principalmente, de um médico especialista. Não tinha ninguém que operasse estrabismo até então e a minha especialidade é estrabismo”, explica.
Entenda o procedimento
O estrabismo é caracterizado pelo desalinhamento dos olhos. O desvio pode ocorrer para dentro, para fora, para cima ou para baixo e pode estar presente desde o nascimento ou surgir ao longo da vida.
Apesar de ser frequentemente associado às crianças, a condição também pode atingir adultos e idosos. No caso o primeiro paciente operado no Hospital Universitário, um homem.
A cirurgia foi realizada no centro cirúrgico do Hospital Universitário, com uma equipe formada por médica cirurgiã, médico auxiliar, anestesista, instrumentador, circulante e enfermeira. O procedimento teve duração aproximada de 40 minutos, além do período necessário para anestesia e recuperação.
De acordo com a doutora, a anestesia geral permite que o paciente não sinta dor e também possibilita uma avaliação mais precisa da musculatura ocular durante o procedimento. “O estrabismo tem totalmente a ver com a musculatura dos olhos. Com o paciente sob anestesia, conseguimos observar algumas questões que não seriam possíveis de avaliar com ele acordado”, explica.
No pós-operatório, é comum que o olho apresente vermelhidão, inchaço, sensibilidade e sensação de areia ou de corpo estranho. Os pontos utilizados na cirurgia caem sozinhos e não precisam ser retirados. Segundo a médica, a primeira semana costuma ser a mais desconfortável, com melhora progressiva a partir daí. Em aproximadamente duas semanas já é possível perceber uma evolução significativa, enquanto o resultado tende a estar mais estabilizado após cerca de um mês.
Ampliação do atendimento
A expectativa é que a realização de cirurgias de estrabismo tenha continuidade no município. Neste primeiro momento, a equipe pretende priorizar pacientes adultos, adultos jovens e idosos, enquanto a estrutura necessária para ampliar o atendimento é consolidada. “Temos a pretensão de ampliar isso e começar a proporcionar a cirurgia de estrabismo aqui em Bagé. Neste momento, vamos optar por operar pacientes mais adultos, porque precisamos nos certificar de que toda essa estrutura vai funcionar da melhor forma. Mais para frente, se Deus quiser, queremos ampliar para as crianças também”, afirma Camila.
A ampliação do atendimento pediátrico é um dos principais objetivos da especialista. Segundo ela, existem muitos casos de estrabismo em crianças e a intervenção precoce pode proporcionar resultados ainda melhores.
Um novo momento para a saúde regional
Para o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, a realização da primeira cirurgia de estrabismo marca um momento histórico para Bagé e para a região. “Este é um momento histórico para a saúde de Bagé e para a saúde de toda a nossa região. Essa cirurgia de estrabismo é o início de uma nova era das cirurgias oftalmológicas na nossa cidade”, destaca.
O reitor também ressalta a importância de ampliar a oferta de procedimentos especializados dentro do próprio município, reduzindo a necessidade de deslocamentos para Porto Alegre. “É mais uma possibilidade de atender a população dentro do nosso município, sem que nós precisemos deslocar estas pessoas para consultas e cirurgias até a capital gaúcha. É uma economia financeira do transporte, mas, principalmente, é poupar vidas de estarem nas estradas”, afirma.
Guilherme destaca ainda que o deslocamento entre Bagé e Porto Alegre pode representar quase 800 quilômetros percorridos em um único dia, considerando ida, volta e deslocamentos internos. Para ele, a oferta de novos serviços no Hospital Universitário reduz não apenas custos, mas também o desgaste físico, psicológico e emocional dos pacientes e acompanhantes. “É lá que nós formamos os melhores profissionais da área da saúde e é lá que várias especialidades estão sendo trazidas para a comunidade, de maneira gratuita e com máxima qualidade. É a FAT, é a Urcamp, é o HU fazendo a diferença na vida de toda a comunidade”, conclui.
A primeira cirurgia de estrabismo realizada no Hospital Universitário abre, assim, uma nova possibilidade de atendimento especializado em Bagé e representa mais um avanço na consolidação da instituição como referência regional na área da saúde.

