Saúde
Linfomas têm altas chances de cura quando diagnosticados precocemente
por Miquéli Romero
Uma íngua que não desaparece, febre sem causa aparente, suor noturno intenso e perda de peso sem explicação. Embora esses sintomas nem sempre indiquem um problema grave, quando persistem devem ser investigados. O alerta é reforçado pelo Agosto Verde-Claro, campanha dedicada à conscientização sobre os linfomas, cânceres que acometem o sistema linfático.
Segundo o médico cirurgião oncológico Francisco Paixão, o linfoma se desenvolve no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo e formado pelos gânglios linfáticos, baço, amígdalas e medula óssea. Diferentemente de outros cânceres, que costumam surgir em um órgão específico, o linfoma nasce em um sistema distribuído por todo o corpo. Por isso, o tratamento é, na maioria dos casos, medicamentoso, enquanto a cirurgia tem papel fundamental no diagnóstico por meio da biópsia.
Existem dois grandes grupos da doença. O linfoma de Hodgkin, mais comum em adolescentes e adultos jovens, apresenta altas taxas de cura. Já o linfoma não Hodgkin reúne diversos subtipos, que podem ter evolução rápida ou lenta, exigindo abordagens diferentes.
Entre os principais sinais de alerta estão o aumento de gânglios no pescoço, axilas ou virilhas que não desaparecem após três ou quatro semanas, além de febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem causa aparente, cansaço excessivo e coceira pelo corpo.
“O que deve ser investigado é a íngua que permanece, cresce e não dói”, orienta o especialista.
Embora alguns fatores, como imunossupressão, doenças autoimunes, determinadas infecções e a exposição prolongada a agrotóxicos e solventes, possam aumentar o risco, Paixão ressalta que a maioria dos pacientes não apresenta nenhum fator de risco conhecido.
O diagnóstico é confirmado por meio da biópsia do gânglio acometido, complementada por exames que identificam o subtipo da doença e sua extensão. Para o médico, descobrir o linfoma precocemente permite tratamentos menos agressivos e reduz o risco de complicações. Ainda assim, ele destaca que mesmo casos mais avançados podem alcançar a cura.
Nas últimas décadas, os tratamentos evoluíram de forma expressiva, incorporando imunoterapia, terapias-alvo e outras tecnologias que aumentaram as chances de sucesso e reduziram os efeitos colaterais.
Como mensagem da campanha, o cirurgião oncológico reforça que ninguém deve ignorar sintomas persistentes. “Na maioria das vezes não será câncer. Mas, se for linfoma, estamos diante de uma das doenças oncológicas com melhores chances de cura, inclusive com tratamento disponível pelo SUS. O maior inimigo não é a doença, mas o medo de descobrir e o tempo perdido esperando os sintomas passarem.”

