Campo e Negócios
Programa da Arco registra alta na receita de propriedades com lã certificada
por Redação JM
A certificação da lã gaúcha alcançou quase 600 mil quilos em quatro safras desde o início do programa conduzido pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), sediada em Bagé. Os resultados foram apresentados na quinta-feira, 30 de julho, durante o 3º Dia da Lã, realizado na sede do Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento. Segundo dados apresentados, foram certificados 120.130 quilos na safra 2022/23, 190.661 quilos em 2023/24, 139.116 quilos em 2024/25 e 121.523 quilos em 2025/26.
Na abertura do evento, o presidente da Arco, Edemundo Gressler, afirmou que a certificação incorpora critérios técnicos ao conhecimento dos produtores na seleção da lã. Ele informou que o Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da produção brasileira de lã com valor têxtil e defendeu o avanço na identificação, qualificação e apresentação dos lotes.
Os cinco anos do programa foram apresentados pelo coordenador Sergio Muñoz e pelo zootecnista e técnico da Arco na parceria com o Fundovinos, Leonardo Santos Farion. Muñoz afirmou que a iniciativa começou em um período de dificuldades para a comercialização da fibra e que o programa passou a apresentar resultados ao longo das safras.
Farion destacou que o volume certificado ainda representa uma parcela reduzida do potencial de produção do estado. Segundo ele, muitos produtores ainda comercializam a lã sem informações sobre finura, rendimento ao lavado e composição dos lotes, fatores que influenciam a formação do preço.
Durante a apresentação, foram divulgados valores de referência conforme a micronagem da fibra. As cotações variaram de US$ 10 por quilo para lãs de 18 micra a 2,40 dólares por quilo para lãs de 31 micra, antes dos custos de frete e comercialização.
Os dados apresentados também apontam que propriedades certificadas registraram, em 2024, aumento de 52,8% no valor líquido da lã e de 65,1% na receita por ovelha em comparação com o ano anterior. Os resultados consideram o acondicionamento, a análise laboratorial e a comercialização de lotes identificados.
Entre os desafios apresentados para a continuidade do programa estão a ampliação da presença da lã certificada nos mercados interno e externo, o aumento da adesão de produtores e a formação de mão de obra especializada, especialmente nas comparsas. O programa também prevê capacitação integrada dos profissionais e a segunda edição do Manual de Normas de Acondicionamento, elaborado em parceria entre o Senar e a Arco.
A programação também incluiu palestra sobre o mercado internacional da lã. O responsável pelo Departamento de Lãs da Zambrano & Cia e presidente da União de Consignatários e Rematadores de Lã do Uruguai, Santiago Onande, apresentou dados sobre oferta, demanda e preços nos últimos dez anos. Segundo ele, após o período de retração entre 2020 e 2025, marcado pelo acúmulo de estoques e pela redução do consumo, 2026 apresenta estoques menores e aumento da procura por diferentes categorias de lã.
Representantes da Estancias Puppo S.A. também abordaram os critérios adotados pela indústria uruguaia para recebimento da matéria-prima, incluindo classificação, acondicionamento, identificação dos lotes e exigências para comercialização.
Durante mesa-redonda sobre a indústria brasileira e o mercado, Gressler alertou para a redução da oferta de ovinos e para os efeitos da substituição de matrizes de raças laneiras por cruzamentos voltados à produção de cordeiros. Segundo ele, produtores, entidades e indústria precisam discutir formas de atender à demanda por carne sem reduzir a disponibilidade de lã para a indústria têxtil.
O evento foi encerrado com um debate sobre a continuidade da certificação e a articulação entre produtores, entidades e empresas. O 3º Dia da Lã integrou as ações do Termo de Fomento FPE 2787/2024.

