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Máquinas e Motores

Tecnologia flex responde por cerca de 40% da frota de Bagé

Frota da cidade acompanha consolidação dos veículos bicombustíveis, enquanto aumento da mistura de etanol na gasolina reacende debate sobre impactos em modelos mais antigos

Em 29/07/2026 às 06:30h

por Redação JM

Tecnologia flex responde por cerca de 40% da frota de Bagé | Máquinas e Motores | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Mais de 32,5 mil veículos flex rodam pela cidade / Foto: Arquivo

Há pouco mais de duas décadas, abastecer um automóvel significava fazer uma escolha no momento da compra. O consumidor precisava optar entre um veículo movido exclusivamente a gasolina ou a álcool, decisão que, muitas vezes, era influenciada pelas oscilações de preço dos combustíveis. Lançada comercialmente em 2003, a tecnologia bicombustível mudou essa lógica ao permitir que o mesmo motor funcionasse com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os dois combustíveis.

Em Bagé, os números mostram como essa transformação se consolidou. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), referentes a maio de 2026, apontam que a cidade possui 32.508 veículos flex, registrados na categoria álcool/gasolina. O número representa cerca de 40% da frota considerada por tipo de combustível e confirma a consolidação da tecnologia que revolucionou o mercado automotivo brasileiro.

Os veículos flex utilizam sensores eletrônicos capazes de identificar automaticamente a proporção de gasolina e etanol presente no tanque. Com base nessa informação, a central eletrônica ajusta parâmetros como a injeção de combustível e o momento da ignição, permitindo o funcionamento do motor sem que o motorista precise fazer qualquer configuração. O abastecimento, portanto, passou a depender apenas do preço ou da disponibilidade do combustível, eliminando a necessidade de escolher um único tipo de motorização na compra do veículo.

Essa característica ganha ainda mais relevância diante da mudança aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O órgão autorizou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, composição conhecida como E32. A medida passa a valer a partir de 1º de agosto, em caráter inicial por 180 dias, período que poderá ser prorrogado uma única vez pelo mesmo prazo. Segundo o governo federal, a alteração poderá reduzir em aproximadamente R$ 0,03 o preço da gasolina ao consumidor. A expectativa do Ministério de Minas e Energia é de que, após o período de avaliação, o novo percentual seja incorporado de forma definitiva, mediante nova resolução do conselho.

Embora os veículos flex tenham sido desenvolvidos justamente para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol, o mecânico Dagmar Barbosa de Quadros alerta que alguns modelos mais antigos podem apresentar dificuldades. Segundo ele, veículos equipados com carburador tendem a registrar aumento no consumo e, caso o sistema já apresente corrosão, a maior concentração de etanol pode desprender resíduos e provocar entupimentos.

O profissional também chama atenção para os primeiros modelos flex comercializados no país. Conforme explica, alguns desses veículos podem apresentar dificuldade na partida quando abastecidos apenas com gasolina, já que a central eletrônica pode interpretar a maior concentração de etanol da mistura e alterar os parâmetros de funcionamento do motor. "Pode começar a entender que está funcionando com etanol. Se o veículo estiver abastecido apenas com gasolina, pode não pegar corretamente e isso acaba prejudicando o funcionamento do motor", observa.

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