Cidade
Exposição reúne legado português e reconstrução do Forte de Santa Tecla
por Suélen Delabari
A história da comunidade portuguesa em Bagé passou a ocupar lugar de destaque na programação dos 215 anos do município com a inauguração da exposição "Sociedade Portuguesa de Beneficência: Memória e Presença em Bagé", no Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda (Fat/Urcamp). A mostra reúne documentos, fotografias e objetos que retratam a presença portuguesa desde a conquista do Forte de Santa Tecla até a fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, evidenciando a contribuição dessa comunidade para a formação histórica e cultural da Rainha da Fronteira.
Durante a solenidade, a presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, Soraia Colares, anunciou que a entidade oficializou a doação ao Museu Dom Diogo de Souza de toda a documentação histórica relacionada à conquista do Forte de Santa Tecla. Segundo ela, a decisão reforça o compromisso da sociedade com a preservação da memória bajeense. "Entendemos que este é o espaço destinado à preservação da história de Bagé. Esses documentos passam a integrar o acervo do museu para que permaneçam acessíveis à comunidade e às futuras gerações", afirma.
A exposição também apresenta uma reconstrução digital em três dimensões do Forte de Santa Tecla, permitindo ao visitante visualizar como era a fortificação que marcou o início da ocupação da região. O projeto foi desenvolvido a partir de pesquisas históricas e entrevistas, transformadas em um vídeo narrado e legendado que contextualiza a importância do forte para a formação de Bagé.
Para o reitor da Urcamp, Guilherme Cassão, a iniciativa representa um encontro entre história, educação e preservação cultural. "Conhecer o passado é fundamental para compreender quem somos hoje. Portugueses e espanhóis escreveram capítulos importantes da nossa história, e hoje essa memória está reunida em um espaço que promove conhecimento e aproxima a comunidade de suas origens", destaca.
Calouros transformam pesquisa histórica em reconstrução digital
Um dos aspectos que mais chamaram a atenção na exposição foi o fato de a maquete digital do Forte de Santa Tecla ter sido desenvolvida por estudantes do primeiro semestre dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil da Urcamp. O trabalho foi realizado na disciplina de Modelagem e Animação Gráfica e demonstra a proposta da universidade de aproximar os acadêmicos da prática profissional desde o início da graduação.
A coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo, Fernanda Barasuol, explica que o projeto alia tecnologia, pesquisa e valorização do patrimônio histórico, tornando o conhecimento mais acessível à comunidade e às escolas. "O trabalho transforma pesquisas e entrevistas em um recurso didático que fortalece a identidade cultural da população e contribui para a preservação da memória de Bagé", afirma.
O reitor Guilherme Cassão ressaltou que o desempenho dos acadêmicos evidencia a qualidade da formação oferecida pela instituição. "É um orgulho ver alunos que estão iniciando a graduação entregando um trabalho de tamanha relevância social e histórica. Isso demonstra a força do nosso ensino e o compromisso dos professores em proporcionar experiências práticas desde o primeiro semestre. Se já começam assim, é possível imaginar o potencial desses futuros profissionais ao longo da formação", destaca.
A reconstrução digital passa a integrar permanentemente a exposição, permitindo que estudantes, pesquisadores e visitantes conheçam, por meio da tecnologia, um dos principais marcos da história da Campanha Gaúcha.

