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Ba-Gua 434 alimenta dúvidas, especulações e os tradicionais 'migués' antes do clássico
por Yuri Cougo Dias
A proximidade de um clássico costuma trazer um ingrediente tradicional do futebol: as dúvidas sobre quem joga. Entre questões físicas, mistério dos treinadores e inevitáveis especulações, o folclore da semana de Ba-Gua volta a ganhar espaço às vésperas da edição 434 do confronto, marcada para domingo, 14, às 16h, no Estádio Pedra Moura, pela quinta e penúltima rodada da Copa FGF.
Os dois rivais chegam ao duelo em cenários distintos. Enquanto o Bagé mantém uma base consolidada, o Guarany tenta remontar a equipe após o encerramento da participação no Campeonato Brasileiro Série D.
Área jalde-negra
No Bagé, as dúvidas são poucas. Nas quatro rodadas disputadas, o técnico Rodrigo Bandeira manteve uma espinha dorsal praticamente fixa, realizando apenas mudanças pontuais. O perfil do elenco ajuda a explicar a situação. Com um grupo formado majoritariamente por jovens atletas, os jogadores mais experientes assumiram protagonismo e liderança, casos dos zagueiros Diego Rocha e Yuri Bigode, do lateral-esquerdo Gustavo Nogy, do volante Elias Ceará e do centroavante Michel Henrique.
A principal incógnita está no ataque. O atacante Gustavo Linhares segue como dúvida e também como um dos mistérios preservados pelo clube para o clássico.
O jogador sentiu a panturrilha no aquecimento da partida contra o Brasil de Pelotas, em 27 de maio, no Bento Freitas, e acabou desfalcando a equipe. Na rodada seguinte, em 4 de junho, voltou a ser utilizado no intervalo do confronto diante do mesmo adversário, mas permaneceu apenas 12 minutos em campo antes de sentir novamente o problema.
Desde então, o Bagé tem tratado a situação com discrição, sem confirmar suas reais condições físicas. A presença ou ausência de Gustavo Linhares segue alimentando especulações ao longo da semana.
A dúvida não é pequena. Dentro da proposta de jogo jalde-negra, o atacante oferece velocidade, enfrentamento individual e capacidade de construção pelo chão, reduzindo a dependência das ligações diretas para Michel Henrique e das jogadas aéreas.
Área alvirrubra
Se no Bagé a dúvida está concentrada em uma peça, no Guarany ela envolve praticamente a montagem da equipe. A eliminação na Série D provocou uma reformulação no elenco, com uma sequência de saídas nos últimos dias.
Na segunda-feira, 8, foram confirmadas as despedidas do goleiro Jonathan, do meia-atacante Pedro Henrique, do atacante Tony Júnior e do centroavante Matheus Guimarães. Em contrapartida, o clube anunciou a contratação do atacante Pepeto.
As mudanças continuaram na terça-feira, 9, com as saídas do goleiro Jean Carlos e do meia Silas. Antes disso, o atacante Ferreira já havia sido descartado para o restante da temporada por lesão.
Além das baixas, o técnico alvirrubro monitora a situação de dois atletas que estão no Departamento Médico. O lateral-direito Raphinha e o lateral-esquerdo Higor Martins são tratados internamente como dúvidas e integram a lista de mistérios preservados pelo clube para o clássico.
Sem confirmações sobre as condições dos dois jogadores, o cenário ajuda a manter o ambiente de incerteza que tradicionalmente cerca os Ba-Guas.
Diante das mudanças, a tendência é que o Guarany apresente uma formação diferente daquela utilizada durante a Série D. A necessidade de reposição imediata aumenta as chances de Pepeto começar entre os titulares.
Outro nome que ganha importância é o centroavante Marcos Paulo. Contratado para esta reta final de temporada, o jogador vinha em processo de retomada física após cerca de oito meses sem atuar. Com as recentes saídas do setor ofensivo, porém, cresce a possibilidade de que assuma protagonismo já no clássico.
Entre dúvidas reais, mistérios preservados e especulações inevitáveis, o Ba-Gua 434 mantém viva uma das tradições mais antigas do futebol: a semana em que ninguém sabe exatamente quem joga — e poucos fazem questão de revelar.

