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Bagé registra 15 autorizações digitais para doação de órgãos

Em 29/05/2026 às 08:17h

por Melissa Louçan

Bagé registra 15 autorizações digitais para doação de órgãos | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Gladis em sessão de hemodiálise com a nutricionista, Ana Paula Pereira Foto: Divulgação

Com 15 manifestações registradas em Bagé, a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) começa a avançar também na região da Campanha. O sistema, criado há dois anos pelos Cartórios de Notas e regulamentado nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), já contabiliza 1.759 formalizações digitais de intenção de doação no Rio Grande do Sul. Em Dom Pedrito, há um registro. Já Aceguá, Candiota e Hulha Negra ainda não tiveram solicitações cadastradas.

Os números estaduais ganham relevância diante da demanda por transplantes. Atualmente, mais de 1,7 mil pessoas aguardam por um órgão no Rio Grande do Sul, conforme dados do Ministério da Saúde. Somente em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados no Brasil, mantendo o crescimento observado nos últimos anos. Entre os procedimentos mais frequentes estão os transplantes de rim e fígado, que seguem concentrando a maior demanda.

A AEDO permite que qualquer cidadão registre oficialmente, de forma gratuita e totalmente digital, a intenção de doar órgãos. A autorização tem validade jurídica e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, podendo ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

Presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção Rio Grande do Sul (CNB/RS), Rita Bervig destacou que a iniciativa nasceu no Estado antes de ganhar alcance nacional. “O notariado gaúcho sempre teve um papel protagonista na modernização dos serviços no Brasil, e a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) é um exemplo disso. Essa iniciativa, que começou aqui no Rio Grande do Sul e depois se consolidou nacionalmente por meio do Colégio Notarial do Brasil e do Provimento nº 164/2014 do CNJ, representa um avanço extraordinário ao permitir que qualquer cidadão manifeste oficialmente sua vontade de forma simples, segura e totalmente digital”, afirmou.

Ela também ressaltou o impacto da ferramenta na conscientização sobre a doação de órgãos. “Ao longo desses dois anos, a AEDO deixou de ser um projeto local para se tornar uma ferramenta de cidadania, conscientização e apoio direto à política pública de transplantes em todo o país. A conversa que antes era restrita ao âmbito familiar agora pode ser formalizada pela internet, com validade jurídica e acesso gratuito. É o orgulho de ver uma semente plantada no RS florescer e salvar vidas Brasil afora”, completou.

O cadastro é realizado pela plataforma e-Notariado. O interessado deve acessar o portal oficial da AEDO, solicitar gratuitamente um Certificado Digital Notarizado, participar de uma videoconferência e assinar eletronicamente o documento indicando quais órgãos deseja doar. A autorização pode ser revogada a qualquer momento pelo cidadão.

“A doação de órgãos foi um divisor de águas na minha vida”, diz transplantada

A espera por um transplante também faz parte da história da bajeense Gladis Andreia Chiapinotto de Azambuja, de 56 anos. Diagnosticada ainda jovem com rins policísticos, ela conviveu durante décadas com a perspectiva de que, em algum momento da vida, precisaria enfrentar a hemodiálise e, futuramente, um transplante renal.

Antes de iniciar o tratamento, Gladis tentou preservar ao máximo a função dos rins com dieta rigorosa, exercícios físicos e acompanhamento médico. Mesmo assim, precisou entrar na rotina da hemodiálise, marcada por sessões três vezes por semana, restrições alimentares e hídricas, além do desgaste físico causado pelo tratamento. “A tua vida depende de uma máquina”, resume.

Ao longo de cinco anos, ela foi chamada diversas vezes para a possibilidade de transplante, mas os procedimentos acabavam não acontecendo por incompatibilidade ou pelas condições do órgão disponível. Até que veio a confirmação definitiva, em Porto Alegre. “Quando cheguei em Porto Alegre ainda não acreditava. A médica disse que o rim era meu e que bastava eu estar em boas condições de saúde. Graças a Deus deu tudo certo”, relembra.

Após 14 dias de internação, Gladis recebeu alta e retomou atividades que antes eram limitadas pelo tratamento, como exercícios físicos, viagens e encontros com amigos. Hoje, afirma que vive com mais disposição e qualidade de vida. “A doação de órgãos foi um divisor de águas na minha vida. Hoje sou muito feliz e grata pela família do doador, que mesmo em um momento de dor teve uma bondade infinita e proporcionou vida nova para várias pessoas”, afirma.

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