Segurança
Réu é condenado a mais de 19 anos de prisão por tentativa de homicídio em assentamento de Hulha Negra
por Rochele Barbosa
O Tribunal do Júri da Comarca de Bagé condenou Alex Almeida de Oliveira, de 28 anos, a 19 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado, além de um ano de detenção e 20 dias-multa, por tentativa de homicídio qualificado e crimes previstos no Estatuto do Desarmamento. O julgamento ocorreu na quinta-feira, 21, no salão do Júri do Fórum de Bagé.
O caso teve origem em um ataque registrado em outubro de 2023, no Assentamento Tapete Verde, na zona rural de Hulha Negra. Conforme a denúncia do Ministério Público, a vítima, Sérgio Antônio Sziatkowsk, de 62 anos, conduzia um trator quando desceu para verificar bicos pulverizadores e foi surpreendido por disparos de arma de fogo efetuados pelo acusado. O tiro atingiu a região do pescoço da vítima.
O primeiro a ser ouvido durante o júri foi o próprio Sérgio, que relatou aos jurados que o réu era “muito agressivo”, andava armado e ameaçava vizinhos e moradores da localidade. Em depoimento emocionado, a vítima afirmou que Alex “sempre pareceu um pistoleiro”. Sérgio contou que, após ser atingido, caiu para dentro do trator e, enquanto tentava fugir, viu o acusado efetuar um novo disparo, que acertou o veículo. Um vizinho encontrou a vítima ferida e a encaminhou ao hospital. Chorando durante o depoimento, Sérgio relatou ainda que continua com sequelas na fala em razão do tiro no pescoço e afirmou que sua família continuou sendo ameaçada mesmo após o crime.
Na sequência, prestou depoimento o policial civil responsável pela investigação. Ele informou que, após a decretação da prisão preventiva, o acusado permaneceu foragido por quase um ano. O policial também afirmou que moradores e testemunhas tinham receio de colaborar com as investigações devido ao medo que sentiam do réu.
Durante o interrogatório, Alex Almeida de Oliveira negou participação no crime. Ele afirmou que não estava no local no dia do ataque, disse nunca ter atirado em ninguém e declarou que apenas soube do ocorrido por meio de vizinhos. O réu também negou fazer ameaças, portar armas ou ter comportamento agressivo. Segundo ele, “sempre foi tranquilo” e trabalhava em casa, alegando não entender o motivo de estar sendo acusado.
O laudo pericial apontou que o projétil ficou alojado na região da face da vítima, provocando fraturas, fragmentos metálicos na rinofaringe e paralisia da prega vocal direita. Sérgio precisou permanecer internado em CTI e passou por tratamento especializado, incluindo acompanhamento fonoaudiológico e avaliações cirúrgicas.
Além da tentativa de homicídio qualificado, o Conselho de Sentença também reconheceu os crimes relacionados à posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e munições. Durante cumprimento de mandado de busca na residência do acusado, em janeiro de 2024, policiais civis apreenderam uma espingarda calibre 12 com numeração suprimida e munições escondidas no telhado da casa.

