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Jornada do Patrimônio transforma Bagé em sala de aula a céu aberto

Em 19/05/2026 às 07:16h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

Jornada do Patrimônio transforma Bagé em sala de aula a céu aberto | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Outro destaque da programação foi a oficina de desenho do patrimônio histórico bajeense / Foto: Rochele Barbosa

Entre os dias 14 e 16 de maio, a cidade de Bagé se transformou em um grande espaço de aprendizado, cultura e valorização da memória urbana com a realização da Jornada do Patrimônio – Urcamp, que contou com a participação de mais de 400 pessoas. Promovido pela Consultoria Júnior e pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp, com patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, o evento reuniu acadêmicos, professores, estudantes do ensino médio e comunidade em geral em uma programação que ocupou prédios históricos, museus, praças e instituições da cidade.

A proposta da Jornada foi aproximar Urcamp e comunidade por meio da vivência direta do patrimônio arquitetônico e cultural bajeense, transformando espaços históricos em ambientes de encontro, reflexão e troca de conhecimento. As atividades aconteceram em locais como o Palacete Pedro Osório, a Casa de Cultura Pedro Wayne, o Museu Dom Diogo de Souza e residências históricas do município.

Além das visitas guiadas e atividades práticas, a programação contou com palestras e oficinas voltadas à preservação patrimonial e às técnicas de restauro. Entre os destaques esteve a palestra “Tombamento e restauro: congelamento ou dinamização?”, ministrada pelo arquiteto e urbanista Jorge Stocker Jr., que promoveu reflexões sobre conservação e revitalização de bens históricos. Também integraram a Jornada a oficina de restauro de pequenos objetos, conduzida pela arquiteta e urbanista Carine Savino, e a oficina de Prospecção em Pintura, ministrada pelos arquitetos e urbanistas Sandro Martinez, Camila Centena, Elisa Antochevis e Marcelo Goskes.

Um dos idealizadores da iniciativa, o acadêmico de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp, Luiz Miguel Saes, explica que a Jornada nasceu da necessidade de reunir em um único grande evento diversas ações que já vinham sendo desenvolvidas pelo curso.

Segundo ele, a ideia surgiu como uma forma de condensar atividades que aconteciam separadamente ao longo do ano, como visitas guiadas a prédios históricos, estudos de arquitetura funerária, oficinas e jogos educativos voltados ao patrimônio. “A Jornada surgiu para mostrar à cidade aquilo que a gente realiza no curso. É uma experiência realmente extensionista, um evento pensado para a comunidade conhecer o nosso trabalho e também reconhecer a importância do patrimônio”, destacou.

Saes também ressaltou a forte adesão institucional e comunitária ao projeto. Para ele, o apoio da Urcamp, da Consultoria Júnior e do curso de Arquitetura e Urbanismo, inclusive contando com o Diretório Acadêmico, dos Museus da Gravura Brasileira e do Museu Dom Diogo de Souza, da Prefeitura de Bagé, de escolas públicas e particulares e de diferentes secretarias municipais foi fundamental para ampliar o alcance das atividades.

Apaixonado pelo patrimônio histórico desde a infância, o estudante afirmou acreditar que os bens arquitetônicos representam um importante legado para o futuro da cidade. “As pessoas pensam no patrimônio como algo antigo e ultrapassado, mas ele talvez seja o nosso maior legado. Cuidar dele é um dever do arquiteto”, afirmou.

Programação variada

Outro destaque da programação foi a oficina de desenho do patrimônio histórico bajeense, ministrada pelo coordenador do CIM/Urcamp e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo, Francisco Lucas. A atividade buscou despertar nos participantes um novo olhar sobre os prédios históricos da cidade por meio da observação e da representação gráfica.

Conforme o professor, a proposta da oficina não era formar artistas, mas estimular o treino do olhar e da percepção arquitetônica. “O foco é explicar o desenho e, ao mesmo tempo, trabalhar a observação daquilo que está sendo representado. Bagé tem um patrimônio histórico muito rico e isso se torna uma referência importante para o aprendizado”, explicou.

Francisco Lucas também destacou que a Jornada foi marcada por uma programação intensa e diversificada, incluindo palestras, oficinas e visitas guiadas, como a atividade “Casa Bageense”, que levou participantes para dentro de residências históricas da cidade, com contextualização sobre arquitetura, memória e história local.

A participação de estudantes do ensino médio também chamou a atenção da organização. Alunos de diferentes escolas tiveram contato com práticas ligadas à arquitetura e urbanismo em oficinas acessíveis e dinâmicas. “Foi uma experiência muito interessante para nós e para eles. Conseguimos apresentar a profissão de uma forma próxima e envolvente”, relatou.

Expectativas superadas

Para a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp, Fernanda Barasuol, o evento superou as expectativas da equipe organizadora. Segundo ela, cerca de 400 pessoas participaram das atividades ao longo dos três dias.

Fernanda menciona a ampla participação de acadêmicos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, além da presença da comunidade e de representantes de instituições locais. “Foi um evento muito produtivo. Nós não esperávamos tanto público e tanta valorização do tema patrimônio. Isso foi fabuloso”, avaliou.

A coordenadora também confirmou que a proposta terá continuidade nos próximos anos, impulsionada pelo sucesso da primeira edição e pelo envolvimento coletivo de professores, estudantes, diretório acadêmico e apoiadores institucionais.

Apresentação de projetos marca encerramento

A Jornada do Patrimônio encerrou suas atividades neste sábado no Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda (Fat/Urcamp), com a apresentação de projetos desenvolvidos por estudantes e professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp. O evento reuniu representantes da universidade, da gestão de museus, entidades culturais e comunidade acadêmica.

Durante a cerimônia, foram apresentados três trabalhos ligados à preservação patrimonial, acessibilidade e educação patrimonial. Entre eles, a “Trilha da Cidade Sonho”, jogo educativo criado para apresentar elementos do patrimônio histórico local a crianças e adolescentes.

O jogo propõe percursos por prédios históricos da cidade e reúne referências sobre personagens e acontecimentos ligados à história de Bagé.

Também foi apresentado um projeto de catalogação e exposição sobre arquitetura cemiterial, que resultou no e-book Cemitério da Santa Casa de Caridade de Bagé – Estudos de Arquitetura Funerária, desenvolvido por estudantes das disciplinas de Teoria e História da Arquitetura, Patrimônio e Maquete. O trabalho contou com produção de banners, maquetes e pesquisa documental orientadas por professores da instituição.

Outro destaque da noite foi a inauguração de uma maquete tátil do Museu Dom Diogo de Souza, desenvolvida em parceria com o laboratório de desenho da Unipampa, por meio do professor Cristiano Corrêa Ferreira. A coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo explica que o projeto busca ampliar a acessibilidade do espaço museológico por meio de recursos táteis e audiodescrição acessada por QR Code.

Fernanda observa que a Jornada reuniu atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas à preservação do patrimônio cultural. O evento incluiu visitas guiadas, oficinas, palestras, exposições e ações educativas realizadas em diferentes espaços históricos da cidade.

Representantes da gestão de museus, da Sociedade Portuguesa de Beneficência, da Consultoria Júnior da Urcamp e da reitoria participaram do encerramento. O reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, destacou a importância da educação patrimonial e da aproximação entre a instituição e a comunidade. “Muito se fala em ecossistema de inovação, mas por que poucos falam em ecossistema cultural e patrimonial? A Semana do Patrimônio propõe uma reflexão sobre isso, por meio do nosso curso de Arquitetura e Urbanismo”, pontua.

Ainda durante o encerramento, a direção do Museu Dom Diogo de Souza lembrou que a instituição completa 70 anos em setembro e recebe anualmente milhares de visitantes em ações de educação patrimonial.

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