Saúde
Sinais na adolescência que podem indicar Síndrome dos Ovários Policísticos
Ginecologista alerta para a importância de um diagnóstico cuidadoso e individualizado na fase de transformações hormonais
por Viviane Becker
Na adolescência, o corpo passa por intensas mudanças hormonais que podem gerar ciclos menstruais irregulares, acne e alterações nos ovários. Embora muitos desses sintomas sejam considerados normais nessa fase, eles também podem ser os primeiros sinais da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das endocrinopatias mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva.
A ginecologista e obstetra Dra. Ramaiana Duarte ressalta que, apesar de ser comum haver irregularidades nos primeiros anos após a menarca, é fundamental observar com atenção o padrão desses sintomas.
“Nem tudo é SOP, mas também não deve ser ignorado. O excesso de diagnósticos pode gerar ansiedade e tratamentos desnecessários, enquanto a falta de diagnóstico pode comprometer a saúde futura da adolescente”, explica a médica.
Sinais que merecem atenção:
- Menstruação muito irregular, especialmente após os primeiros dois ou três anos da menarca;
- Acne intensa ou persistente, que não responde aos tratamentos convencionais;
- Excesso de pelos no rosto, tórax ou abdômen (hirsutismo);
- Dificuldade para controlar o peso ou sinais clínicos de resistência à insulina.
De acordo com a especialista, o diagnóstico de SOP na adolescência exige critério, tempo de observação e uma avaliação individualizada. “É preciso acompanhar a evolução dos sintomas ao longo do tempo, considerando também o impacto emocional que essas mudanças podem causar na jovem”, afirma.
Ramaiana destaca ainda a importância de um olhar integral. Ela defende que além dos aspectos físicos, é essencial cuidar da saúde mental da adolescente, que pode sofrer com questões de autoestima relacionadas à acne, ganho de peso ou excesso de pelos.
Cuidar cedo é prevenir
A ginecologista reforça que identificar precocemente possíveis casos de SOP permite intervenções mais eficazes, que vão desde mudanças no estilo de vida até tratamentos específicos, reduzindo riscos futuros.
Ela sugere as mães que estejam alertas a esses sinais nas filhas, para que busquem uma avaliação ginecológica especializada.
LEGENDA
Ramaiana Duarte: “Acompanhamento adequado pode trazer mais tranquilidade e direcionamento para a família”

