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Bagé tem teatro, sim!

Em 25/04/2026 às 17:57h
Márlon Castro Posqui

por Márlon Castro Posqui

Bagé tem teatro, sim! | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Cena Feminina, em 1999 / Foto: Arquivo Pessoal

Bagé é uma cidade cultural. Ponto. A comunidade artística local sempre uniu forças para promover eventos e ações que possibilitaram manter a arte viva, mesmo sem incentivos. Música, pintura, escultura, literatura, cinema e fotografia são alguns dos tipos de expressões que estão presentes no dia a dia do cidadão bajeense. Mas e o teatro? Ah! Este também! As artes cênicas seguem pulsando na cidade.

Nas quase 600 páginas do Inventário Cultural de Bagé: um passeio pela história, Elizabeth Fagundes dedica parte da obra a um dos mais importantes teatros do estado. O Teatro 28 de Setembro figurava entre os maiores da região em tamanho e acomodações, destacando-se pela beleza e pela arquitetura interna luxuosa. O espaço recebia atrações de todo o Brasil, de países vizinhos e até da Europa.

De acordo com a pesquisadora Mariana Lealdino, do projeto Arte no Sul (UFPel), o cinema em Bagé teve início no próprio Teatro 28 de Setembro, com base em relato do jornalista Francisco Taborda, publicado no Correio do Sul em 1992. Dois anos após a primeira exibição cinematográfica em Paris, em 1896, Bagé já assistia às projeções do cinematógrafo dos irmãos Lumière, antes mesmo de cidades como Pelotas e Rio Grande.

Foi justamente o cinema que marcou o fim do Teatro 28 de Setembro, mas não por competir com as artes cênicas, mas pelas condições técnicas da época. A alta inflamabilidade dos carretéis de filme contribuía para riscos constantes. “Pavoroso incêndio – Theatro totalmente destruído – pânico indescritível…”, estampava o jornal O Dever em 12 de junho de 1917, ao relatar a tragédia ocorrida dois dias antes.

Uma demanda antiga da classe artística bajeense segue sem solução: a construção de um espaço próprio e estruturado para o teatro. Para muitos grupos, mais do que um prédio, trata-se do reconhecimento de uma cena cultural que resiste há décadas na cidade.

Ainda assim, a ausência de um grande prédio não interrompeu a produção teatral. Hoje, espaços como o Teatro Santo Antônio, na Vila de Santa Thereza, e o Cenarte/Urcamp são ocupados por grupos que seguem formando atores e produzindo espetáculos, mantendo viva a tradição cênica da cidade.

Entre eles, a Cia de Comédias Bufões da Rainha, com 23 anos de atuação, promove oficinas, encontros e apresentações, muitas delas em escolas. O Grupo de Teatro Os Carlitos, há 12 anos em atividade, já formou mais de 500 pessoas em oficinas de iniciação teatral e de aperfeiçoamento, além de produção de espetáculos. Mais recente, o Coletivo Movimento, com três anos de trajetória, destaca-se pela formação de atores, produção de espetáculos e pela difusão do teatro bajeense em âmbito regional e estadual.

Cia de Comédias Bufões da Rainha

Com uma trajetória consolidada ao longo de mais de duas décadas, a Cia de Comédias Bufões da Rainha, dirigida por Sávio Machado, se firmou como uma das referências das artes cênicas em Bagé. Formada por atores e não atores, a companhia nasce com caráter amador e sem fins lucrativos, apostando na coletividade e na ocupação de diferentes espaços da cidade como forma de manter o teatro ativo.

Desde sua criação, o grupo desenvolve um trabalho contínuo de formação de elenco e equipe técnica, aliado à produção e circulação de espetáculos. A proposta dialoga diretamente com a comunidade, valorizando autores locais, a literatura e temas do cotidiano, além de integrar práticas educativas que aproximam o teatro de escolas, museus, bibliotecas e demais espaços culturais.

A atuação da companhia também se estende para além do palco. Ao longo dos anos, os Bufões da Rainha estiveram envolvidos em ações culturais, turísticas e religiosas da cidade, além de projetos voltados à poesia, à leitura e à difusão da produção artística local. Iniciativas como recitais, mostras e atividades itinerantes reforçam o compromisso com a democratização do acesso à cultura.

Mesmo com desafios históricos, como a necessidade de autofinanciamento, o grupo mantém uma produção constante, marcada pela criatividade e pela resistência. Ao longo de sua trajetória, milhares de pessoas já passaram por suas oficinas, evidenciando o papel formador da companhia na cena cultural bajeense.

Grupo de Teatro Os Carlitos

Com origem em 2013, a partir de oficinas de teatro, ministradas pelo Diretor Michel Godinho, o Grupo de Teatro Os Carlitos surge do desejo de consolidar um trabalho contínuo de formação e produção cênica em Bagé. Desde o início, a proposta esteve ancorada em duas frentes principais: a preparação de atores, por meio de oficinas, e a montagem de espetáculos, construindo um caminho que alia aprendizado e prática artística.

Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolveu um repertório de produções entre clássicos da dramaturgia e adaptações com identidade brasileira, buscando sempre aproximar o público do teatro, como o mais recente sucesso "O Morto do Encantado Morre e Pede Passagem". Montagens inspiradas em diferentes tradições culturais evidenciam essa diversidade, ao mesmo tempo em que reforçam o compromisso com uma linguagem acessível, sem abrir mão da consistência artística, segundo Godinho.

Fazer arte em uma época que não havia muitos incentivos é desafiador. A produção independente, muitas vezes sustentada com recursos próprios ou bilheteria, exigiu criatividade constante para viabilizar cenários, figurinos e montagens. Ainda assim, o grupo encontrou diferentes espaços na cidade para dar continuidade ao trabalho, como o Teatro Santo Antônio e a Biblioteca Pública Municipal, até consolidar, mais recentemente, o Cenarte/Urcamp como sede de suas atividades. Hoje, o grupo é reconhecido pelo Ministério da Cultura, como Ponto de Cultura.

Mais do que manter-se em atividade, Os Carlitos têm como marca a formação de elenco. As oficinas seguem como porta de entrada para novos integrantes e também como ferramenta de desenvolvimento pessoal, ampliando o acesso ao teatro para diferentes públicos. Esse movimento contribui diretamente para a construção de uma identidade artística sólida e para a formação de plateia na cidade, que sempre lotam os espetáculos.

Coletivo Movimento

Criado em 2023, após o retorno de seu idealizador a Bagé, Gabriel Medeiros, o Coletivo Movimento nasce com a proposta de pensar o teatro para além do palco, dialogando com temas contemporâneos e investindo na formação de atores a partir de técnicas corporais e processos de pesquisa. O grupo teve início de forma independente, com encontros semanais e oficinas, funcionando como um espaço de experimentação artística.

A trajetória do grupo também é marcada pela criação autoral e pelo diálogo com diferentes linguagens artísticas. Espetáculos com música, figurino e dramaturgia próprios evidenciam a proposta de fortalecer uma cadeia criativa local, envolvendo artistas de diferentes áreas. Essa construção coletiva reflete a própria ideia de movimento: não apenas produzir, mas gerar impacto e contribuir para o fortalecimento da cena cultural.

Mesmo diante de desafios estruturais, como a falta de um espaço fixo, o coletivo encontrou no Cenarte/Urcamp um ponto de apoio para dar continuidade às suas atividades. Paralelamente, também integrou um momento de fortalecimento das políticas públicas culturais, que possibilitaram o financiamento de projetos e ampliaram o alcance das produções.

Com participações em festivais tradicionais do Rio Grande do Sul e premiações em diversas categorias, o grupo vem se consolidando no cenário estadual. Um dos destaques é o espetáculo “Coração de Dinossauro”, que rendeu à jovem atriz Manu Mello a indicação de melhor atriz na 24ª edição do Rosário em Cena, concorrendo com diversas atrizes mais velhas e experientes. Ao mesmo tempo, o coletivo mantém forte vínculo com o público local, com sessões frequentemente lotadas e iniciativas voltadas à formação de plateia.

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