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De mão em mão, livros encontram novos caminhos

"Quando tu te depara com uma obra por R$ 100 reais, não tem como: ou a pessoa come ou lê”

Em 30/04/2026 às 15:39h

por Melissa Louçan

De mão em mão, livros encontram novos caminhos | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Acervo de Petterle conta com mais de cinco mil títulos Foto: Divulgação

Quem nunca abriu um livro antigo só para sentir o cheiro das páginas já lidas? Ou se perdeu folheando um exemplar com dedicatórias que atravessaram o tempo, carregando histórias de afeto entre desconhecidos? Nos sebos, cada livro carrega memórias de outros leitores. Entre edições simples e achados raros, existe um charme difícil de explicar, e, talvez, seja justamente nisso que mora o convite mais bonito da leitura a partir de livros usados: o de acessar novos mundos a partir de páginas que já passaram por muitas mãos.

Esse vínculo afetivo ajuda a explicar por que os livros usados seguem encontrando espaço no Brasil. Mais acessível, esse mercado já movimentava cerca de R$ 1,2 bilhão no país antes mesmo da pandemia e continua sendo impulsionado por iniciativas independentes, que ampliam o acesso à leitura e criam novas formas de circulação da literatura.

Em Bagé, esse movimento ganha um significado ainda mais especial após o fechamento do tradicional Sebo do Severo (como ficou conhecido o Culturasom), que por mais de três décadas fez parte da rotina cultural da cidade e marcou gerações de leitores. A ausência deixou saudade, mas também abriu caminho para novas formas de encontro com os livros. 

É nesse cenário que surge o Livro no Rolê, idealizado por Roberto Petterle, 41 anos. A iniciativa começou nas ruas, nas praças e em feiras, ocupando espaços públicos e aproximando a literatura de quem, muitas vezes, já não frequenta livrarias. “Percebendo a dificuldade de acesso à literatura, decidi criar o Livro no Rolê: livros nas ruas, no rolê da juventude, ocupando lugares públicos com o intuito de levar literatura acessível a todos”, conta.

Mais do que formar um público, segundo ele, o projeto revelou leitores que já existiam. “O público já estava ali formado, porém nunca fora visto, abordado, incentivado”, resume.

Com cerca de 13 anos de experiência trabalhando com livros, Petterle vê o papel do livreiro como alguém que vai além da venda, ajudando a apresentar caminhos e aproximar o leitor do universo literário. Essa relação também aparece na forma como o acervo é construído. Hoje, o Livro no Rolê reúne aproximadamente cinco mil exemplares, escolhidos a partir de uma curadoria cuidadosa, baseada em pesquisa e experiência.

Para além do acesso, Roberto também chama atenção para o papel da leitura na formação das pessoas. A partir da experiência com o público, ele observa uma mudança de comportamento, marcada pelo excesso de telas e pelo afastamento dos livros, especialmente entre os mais jovens. Ele defende a leitura como ferramenta fundamental para desenvolver pensamento crítico, vocabulário, comunicação e empatia, aspectos que, segundo ele, fazem diferença direta na forma como as pessoas compreendem o mundo ao seu redor.

A diversidade de títulos busca atender diferentes perfis de leitores, desde quem procura uma primeira leitura até quem busca conhecimento específico ou mesmo conforto em momentos difíceis. Para ele, a escolha dos livros passa pelo entendimento de que cada pessoa tem interesses e necessidades próprias ao longo da vida. Mesmo diante da concorrência com as telas e das mudanças nos hábitos de consumo, ele percebe um movimento curioso de retomada. “Há uma redescoberta do livro físico. Mas, quando tu te depara com uma obra por R$ 100 reais, não tem como: ou a pessoa come ou lê”, observa.

Em Bagé, esse interesse se reflete em uma rede que já envolve, direta e indiretamente, cerca de três mil pessoas. O contato direto com o público, seja nas ruas ou nas feiras, ajuda a fortalecer esse vínculo e a manter os livros em circulação.

Atualmente, o Livro no Rolê funciona pelas redes sociais e também em eventos pela cidade, mas há planos de expansão, sem data definida para a nova etapa: “Estamos com todo o carinho organizando um espaço físico”, adianta. A proposta é criar um ambiente acolhedor, com atendimento mais próximo e humanizado, que funcione não apenas como livraria, mas como espaço cultural e de convivência.

 

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