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'A minha expectativa é continuar. Se pudesse escolher, morreria numa cabine de rádio, narrando um jogo'

Com mais de seis décadas de trabalho, Edgar Muza segue como voz ativa do rádio e da cultura popular

Em 25/04/2026 às 17:20h
Jaqueline Muza

por Jaqueline Muza

'A minha expectativa é continuar. Se pudesse escolher, morreria numa cabine de rádio, narrando um jogo' | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Jaqueline Muza

Aos 84 anos, o radialista, jornalista e carnavalesco Edgar Abip Muza segue ativo, irreverente e profundamente ligado à comunicação e à cultura popular. Nascido no Povo Novo, em Bagé, e atualmente  bairro Getúlio Vargas, ele construiu uma trajetória que atravessa gerações, marcada por histórias curiosas, pioneirismo e contribuição decisiva para o rádio e o carnaval da cidade. Filho de descendentes de libaneses, Muza cresceu em um ambiente simples, mas desde cedo demonstrava interesse pela comunicação. Segundo ele, a vocação surgiu ainda na infância, quando improvisava “telefones” com latas e barbantes para brincar de transmitir mensagens. “Eu já tinha essa loucura pelo rádio”, relembra.

O início oficial da carreira veio de forma inusitada, em 1958, quando ainda era estudante do Ginásio Auxiliadora. Escolhido junto com colegas para negociar a transmissão da formatura na então Rádio Cultura, acabou protagonizando uma situação que ele mesmo define como uma “pequena vigarice bem-intencionada”. Ao intermediar o acordo entre a emissora e um apoiador local, conseguiu viabilizar a transmissão e ainda garantir recursos para a turma.

A desenvoltura chamou atenção da direção da rádio, que logo o convidou para trabalhar. “Quando eu estava saindo, perguntaram se eu queria trabalhar em rádio. Aquilo ali já era a minha paixão”, conta.

Do improviso ao reconhecimento no rádio

Sem formação acadêmica na área, Muza construiu sua carreira na prática, característica comum em uma época em que a experiência valia tanto quanto o diploma. Começou no plantão esportivo e rapidamente se aventurou na narração, mesmo sem experiência.

Uma de suas primeiras transmissões foi gravada em fita durante um jogo amistoso, que posteriormente foi exibido na rádio. A partir daí, ganhou espaço e passou a narrar partidas com frequência, muitas vezes substituindo colegas.

Aos 84 anos, o radialista, jornalista e carnavalesco Edgar Abip Muza segue ativo, irreverente e profundamente ligado à comunicação e à cultura popular. Nascido no Povo Novo, em Bagé, e atualmente  bairro Getúlio Vargas, ele construiu uma trajetória que atravessa gerações, marcada por histórias curiosas, pioneirismo e contribuição decisiva para o rádio e o carnaval da cidade.
Filho de descendentes de libaneses, Muza cresceu em um ambiente simples, mas desde cedo demonstrava interesse pela comunicação. Segundo ele, a vocação surgiu ainda na infância, quando improvisava “telefones” com latas e barbantes para brincar de transmitir mensagens. “Eu já tinha essa loucura pelo rádio”, relembra.
O início oficial da carreira veio de forma inusitada, em 1958, quando ainda era estudante do Ginásio Auxiliadora. Escolhido junto com colegas para negociar a transmissão da formatura na então Rádio Cultura, acabou protagonizando uma situação que ele mesmo define como uma “pequena vigarice bem-intencionada”. Ao intermediar o acordo entre a emissora e um apoiador local, conseguiu viabilizar a transmissão e ainda garantir recursos para a turma.
A desenvoltura chamou atenção da direção da rádio, que logo o convidou para trabalhar. “Quando eu estava saindo, perguntaram se eu queria trabalhar em rádio. Aquilo ali já era a minha paixão”, conta.
 

Do improviso ao reconhecimento no rádio
Sem formação acadêmica na área, Muza construiu sua carreira na prática, característica comum em uma época em que a experiência valia tanto quanto o diploma. Começou no plantão esportivo e rapidamente se aventurou na narração, mesmo sem experiência.
Uma de suas primeiras transmissões foi gravada em fita durante um jogo amistoso, que posteriormente foi exibido na rádio. A partir daí, ganhou espaço e passou a narrar partidas com frequência, muitas vezes substituindo colegas.
Entre os episódios mais marcantes, destaca uma transmissão realizada de forma improvisada, utilizando arame farpado como meio para conduzir o sinal até um telefone distante. “Era o que tinha na época. A gente dava um jeito”, afirma.
Ao longo da carreira, transmitiu jogos locais, regionais e internacionais, incluindo partidas no Uruguai e no Chile, além de jogos envolvendo grandes equipes, como o Santos de Pelé. Também vivenciou momentos históricos, como o período do golpe no Chile, do qual foi testemunha durante uma viagem.
Mesmo com o avanço tecnológico, mantém um olhar crítico e bem-humorado. “Hoje está tudo mais fácil, mas eu sou do tempo que a gente fazia acontecer sem nada disso”, diz.
 

Carnaval como missão cultural
Paralelamente ao rádio, Muza construiu uma forte ligação com o carnaval. Sua entrada no mundo carnavalesco começou de forma simples, tocando percussão em blocos de bairro. Com o tempo, passou a organizar e liderar iniciativas que ajudaram a estruturar o carnaval em Bagé.
Em 1964, durante o regime militar, enfrentou restrições para a realização da festa. Mesmo assim, articulou junto a patrocinadores e à comunidade a realização de desfiles, desafiando limitações impostas à época. “Disseram que não podia, mas nós fizemos. Carnaval é do povo”, relembra.
Uma das contribuições mais importantes foi a criação do concurso popular de Rainha do Carnaval, rompendo com o modelo tradicional baseado apenas na compra de votos por meio de jornais. A proposta democratizou o processo e ampliou a participação popular. Posteriormente, ajudou a expandir o evento para nível regional e estadual, consolidando-o como uma das principais atrações do calendário cultural.
 

Estilo irreverente e legado
Conhecido pelo jeito espontâneo e bem-humorado, Muza se define como um “bobo alegre”, expressão que usa para descrever sua forma de viver e trabalhar. “Eu faço porque gosto. Às vezes tiro do bolso, às vezes peço ajuda, mas faço”, afirma.
Ao longo da vida, também se envolveu em causas sociais importantes, como a luta pela implantação de tratamento oncológico na região. A mobilização surgiu após a perda do pai para o câncer e resultou em articulações políticas e comunitárias para viabilizar melhorias na área da saúde.
No campo profissional, acompanhou a evolução do rádio e hoje também atua em plataformas digitais, como rádio web e televisão online. Mesmo assim, mantém sua essência. “Eu não sou de televisão. A câmera que me procure”, brinca.
 

Paixão que não termina
Com mais de seis décadas dedicadas à comunicação, Edgar Muza segue ativo e sem planos de parar. Para ele, o rádio não é apenas uma profissão, mas uma forma de vida. “A minha expectativa é continuar. Se pudesse escolher, morreria numa cabine de rádio, narrando um jogo”, diz.
Entre histórias, desafios e conquistas, Muza se consolida como uma das figuras mais emblemáticas de Bagé, sendo reconhecido não apenas pela carreira no rádio, mas também pelo papel fundamental na valorização da cultura popular e na construção da identidade carnavalesca da cidade.
 

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