Região
Paralisação de obra agrava riscos na RSC-473, relatam usuários
por Melissa Louçan
A promessa de desenvolvimento e melhoria logística divulgada pelo Governo do Estado para a pavimentação da RSC-473 contrasta com a realidade enfrentada por quem depende da estrada no dia a dia. Apesar de a obra ser apresentada como estratégica para a agropecuária da região da Campanha, moradores e usuários relatam paralisação recente dos trabalhos, além de uma série de problemas que tornam o trajeto perigoso.
A situação veio à tona após denúncia por telefone, informando que, há cerca de uma semana, não há máquinas nem trabalhadores atuando ao longo da rodovia. A obra, aguardada há aproximadamente 40 anos e já iniciada outras vezes sem conclusão, volta a gerar frustração entre a população local.
Na prática, o que se vê é uma estrada fragmentada nos primeiro quilômetros. Trechos com asfalto são intercalados com partes sem pavimentação, até chegar a pontos onde há apenas estrada de terra. Em outros segmentos, foram aplicados brita e cascalho, aumentando o risco de acidentes devido à instabilidade da pista.
Além disso, motoristas enfrentam desvios improvisados e perigosos. Em alguns pontos, bueiros de cimento demarcam a passagem, mas acabam funcionando como pontos cegos para quem trafega em sentido contrário. Há ainda trechos com grande desnível entre uma pista e outra e até buracos profundos às margens da estrada, ampliando o risco de acidentes.
Quem utiliza a via com frequência relata que a paralisação recente foi perceptível. Albano Valério, que tem propriedade em São Sebastião, afirma que notou a retirada das equipes ainda na semana passada. “Eu percebi quinta-feira passada, 12. Fui a Lavras e vi que já não estavam mais as máquinas. Voltei sábado e não estavam de novo, aí confirmou. As máquinas foram retiradas da estrada, não sei o porquê.”
Segundo ele, a estrada é essencial para a rotina de quem vive e produz na região. “Uso muito a estrada, diariamente, assim como todo mundo usa, agricultores, pecuaristas. É importantíssima na região. Mas a parte que não tem asfalto está horrível. Falta manutenção, falta patrolar.”
O casal Jocy e Jane Caminha percorre o trecho duas a três vezes por semana e relata dificuldades. Inclusive, o tempo de viagem, que em geral dura cerca de uma hora, tem durado, em média, 2h30min, já que a velocidade da viagem tem que ser reduzida por questões de segurança. Segundo eles, o risco é constante, especialmente nos pontos mais críticos: “Tem um desvio perigosíssimo aqui. E não é só esse, tem vários. Quando atravessa caminhão, ninguém mais passa.”
A proximidade do período de safra e a chegada das estações mais chuvosas aumentam ainda mais a preocupação. “Começa a safra, tem soja, gado. E quando começa a chuva é a pior parte. Fica um atoleiro de carro, ônibus, caminhão”, comenta Caminha.
O cenário tende a se agravar com a chegada do outono e do inverno, períodos marcados por chuvas mais frequentes na região. A repetição de cenas já conhecidas , de veículos atolados, ônibus atravessados e trechos intrafegáveis, é considerada inevitável por quem conhece a estrada.
A precariedade também impacta diretamente a economia local. Há dificuldade inclusive para contratação de fretes, já que muitos profissionais evitam trafegar pela rodovia devido ao risco de prejuízos com danos aos veículos.
{AD-READ-3}O que diz o Daer
Em nota, o Daer informou que a pausa ocorreu para remanejo das equipes e que os serviços devem ser retomados nos próximos dias. O órgão afirma que não haverá revisão de valores e que o cronograma não será afetado, mantendo a previsão de conclusão até o final de 2026. Segundo o departamento, além dos seis quilômetros já pavimentados, outros seis quilômetros receberam macadame (sub-base) e devem avançar para as próximas etapas.

