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Castelo de Pedras Altas passa por restauração e avança em etapas de recuperação estrutural

Em 15/03/2026 às 16:44h

por Redação JM

O Castelo de Pedras Altas, construído entre 1908 e 1913 por Joaquim Francisco de Assis Brasil, passa por um processo de restauração estrutural. O imóvel integra o conjunto histórico da antiga Granja de Pedras Altas e é tombado como patrimônio histórico do Rio Grande do Sul desde 1999, além de possuir pré-tombamento federal.

Presidente da Associação Castelo de Pedras Altas, o produtor rural e advogado, Luiz Carlos Segat, as primeiras etapas das obras, viabilizadas através da Lei de Incentivo à Cultura, tiveram como prioridade resolver problemas de infiltração. “A prioridade nossa, na primeira, foi sanar a entrada de água. Porque aqui entrava tanto água dentro quanto fora. Hoje não entra mais uma gota d’água”, afirma.

Para isso, foi removida a antiga estrutura do terraço e instalada uma nova camada de impermeabilização. As duas primeiras fases do restauro foram voltadas principalmente para eliminar infiltrações que comprometiam a conservação do prédio.

Outra etapa envolveu a restauração das janelas do andar superior e das torres. As peças são originais, com estruturas vindas da França e vidros da Alemanha. Como o prédio é tombado, as peças não puderam ser substituídas. “Elas foram retiradas, levadas a Porto Alegre, restauradas e depois recolocadas no castelo”, explicou Segat.

Também foram realizados trabalhos na cobertura e nas paredes internas. Parte do reboco original foi removida devido ao desgaste provocado pela umidade e pelo envelhecimento do material, composto originalmente por cal e areia. Segundo Segat, o reboco começou a se deteriorar ao longo do tempo. “À noite, nas câmeras de segurança, parecia uma nuvem fina caindo sobre os móveis. Era o material se desfazendo”, relatou.

Durante a obra também foi feito o tratamento das vigas estruturais. Muitas delas são formadas por trilhos de trem utilizados na construção original. A umidade provocou corrosão em alguns pontos, o que exigiu intervenção para evitar danos à estrutura.

O castelo foi construído com granito rosa extraído da própria propriedade. Em alguns pontos foram identificadas infiltrações entre as pedras das paredes externas, especialmente nas ameias, o que também exigiu reparos.

Cronograma definido

A entrega oficial à comunidade da revitalização do segundo pavimento do castelo, que historicamente servia de residência para Assis Brasil, sua esposa Lígia e as filhas do casal, está oficialmente prevista para o dia 10 de abril.

As próximas etapas do restauro incluem intervenções no subsolo, com retirada de reboco, tratamento das vigas e pintura. Depois dessa fase, as obras devem avançar para o espaço da biblioteca.

A previsão é que a recuperação estrutural do castelo seja concluída em cerca de dois anos. “Eu acredito que com mais duas etapas a gente encerra a obra estrutural do castelo”, afirmou Segat.

Além do castelo, outras construções da antiga Granja de Pedras Altas também demandam restauro. Entre elas está o chamado Cotage, considerado a primeira casa pré-fabricada do Rio Grande do Sul, construída com madeira trazida da Noruega. O complexo também inclui uma antiga queijaria e estruturas ligadas à produção leiteira da propriedade.

Segundo Segat, o projeto de restauração é financiado por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul para as obras estruturais. Já a recuperação do acervo do castelo, que inclui livros, móveis e quadros, depende de captação de recursos pela Lei Rouanet. “Os livros, móveis e quadros dependem dessa captação, e ainda não conseguimos patrocinadores”, afirmou.

Durante o período de obras, o castelo recebe visitas mediante agendamento.

História do castelo

Joaquim Francisco de Assis Brasil nasceu em São Gabriel em 1858 e formou-se em direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Atuou como deputado provincial no período do Império e posteriormente como deputado federal após a Proclamação da República.

Segundo Segat, Assis Brasil também foi convidado para participar da elaboração da primeira Constituição do Rio Grande do Sul e ficou conhecido por sua atuação na agricultura. “Ele foi escolhido como patrono da agricultura do Rio Grande do Sul por tudo o que fez pelo setor”, afirma.

Entre as iniciativas na área agropecuária, introduziu no estado o gado Jersey em 1896 e o gado Devon em 1906. Também trouxe o cavalo puro-sangue inglês, a ovelha da raça Ideal e mais de cem espécies de eucalipto.

Assis Brasil também participou da criação de entidades ligadas ao setor agrícola. Em 1895, participou da fundação em Paris da Sociedade Brasileira para a Animação da Agricultura. Dois anos depois, publicou o livro “A Cultura dos Campos”, voltado ao estudo do solo e das práticas agrícolas.

Em 1932, quando atuava no Ministério da Agricultura, participou da elaboração do primeiro código eleitoral brasileiro, que estabeleceu o direito de voto para brasileiros maiores de 21 anos, independentemente do sexo.

O castelo também foi cenário de um episódio político relevante. Em 14 de dezembro de 1923, o local sediou a assinatura do Pacto de Pedras Altas, acordo que encerrou a Revolução de 1923 no Rio Grande do Sul. O pacto estabeleceu o fim da reeleição para o cargo de presidente do estado.

Origem da construção

A construção do castelo começou em 1908 e foi concluída em 1913. Segundo Segat, a decisão de erguer o prédio no local levou em conta fatores logísticos e agrícolas.

Na época havia uma estação ferroviária próxima à propriedade, com ligação ao Porto do Rio Grande e às cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Como ele viajava muito para o exterior, precisava dessa conexão com o porto”, explica.

Outro fator considerado foi a localização próxima ao paralelo 31, apontado como favorável ao cultivo de oliveiras e uvas. A propriedade foi utilizada como espaço de experimentação agrícola. “Ele queria provar que era possível viver financeiramente da agricultura e ao mesmo tempo ser uma pessoa culta”, afirma Segat.

Na granja foram desenvolvidas atividades com gado leiteiro e produção de derivados como queijo, manteiga e doce de leite. Também foram criadas raças de animais e implantados cultivos experimentais.

No interior do castelo, Assis Brasil também instalou uma biblioteca e contratou professoras estrangeiras para a educação dos filhos, com ensino de idiomas e outras disciplinas.

Aquisição e recuperação

Segat afirmou que conheceu o castelo após a família adquirir a área da antiga granja. Segundo ele, inicialmente o interesse era apenas na propriedade rural. “Quando cheguei aqui na frente eu disse: é um castelo mesmo. Até então eu imaginava que fosse apenas uma ruína”, relata.

Após a compra, ele passou a estudar a história de Assis Brasil e iniciou o processo de recuperação do imóvel. Segundo Segat, a restauração também foi motivada por um termo de ajuste que previa obras para preservar o prédio, que apresentava infiltrações e sinais de deterioração.

Para viabilizar os projetos de restauro foi criada a associação responsável pela gestão das iniciativas e pela captação de recursos.

Uso atual e visitação

Além da restauração, o projeto atual inclui a retomada de atividades relacionadas à história da propriedade. Segundo Segat, há planos para reintroduzir raças de animais e cultivos que fizeram parte da granja. “Já temos o gado Devon aqui e estamos trazendo novamente o gado Jersey e a ovelha Ideal”, afirma.

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O projeto também inclui o plantio de oliveiras e videiras e iniciativas voltadas à preservação do campo nativo, seguindo práticas defendidas por Assis Brasil.

A visitação ao castelo ocorre mediante agendamento, devido às obras em andamento. Ainda segundo Segat, a proposta é que o local funcione também como espaço de visitação histórica e cultural após a conclusão das etapas de restauração. Confira a entrevista com Segat nas redes sociais do Jornal Minuano.

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