Cidade
Dia Internacional da Mulher expõe contraste entre avanços e violência que ainda mata
por Márlon Castro Posqui
Nos dois primeiros meses de 2026, no Rio Grande do Sul, 20 mulheres foram assassinadas por seus parceiros, um aumento de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Diante de um dado tão alarmante, surge a reflexão: o que há para celebrar no Dia Internacional da Mulher? Embora a data seja um marco de conscientização e de reconhecimento das lutas femininas, os números da violência revelam que ainda há um longo caminho a percorrer.
Mulher, advogada, negra e secretária da Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher (Semppmulher), Patrícia Alves desempenha um papel fundamental na defesa e na proteção das mulheres bajeenses. Para ela, o dado divulgado pela Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres evidencia falhas na estrutura de segurança pública do Estado. “É preciso reconhecer que o Estado, enquanto estrutura de proteção, ainda não está conseguindo garantir segurança efetiva para todas as mulheres. Está falhando”, afirma.
Segundo Patrícia, o feminicídio raramente acontece de forma repentina. “O feminicídio não é um fato isolado. Ele é o desfecho de um ciclo de violência que, muitas vezes, já era conhecido pelos órgãos públicos. Isso demonstra que ainda existem fragilidades na prevenção, no acompanhamento das medidas protetivas e no monitoramento de agressores”, explica.
Para a secretária, o 8 de março mantém um significado importante por lembrar conquistas históricas das mulheres e estimular novos avanços sociais. “O Dia Internacional da Mulher é um símbolo de luta histórica e de conquistas. As mulheres avançaram, ocuparam espaços de poder, ampliaram sua presença na política, nas universidades, no mercado de trabalho e nos espaços de decisão”, destaca.
Apesar desses avanços, ela ressalta que os índices de violência mostram que a desigualdade ainda persiste. “Esses avanços são reais e devem ser reconhecidos. No entanto, os números da violência nos mostram que ainda convivemos com desigualdades profundas. Não basta ocupar espaços se ainda precisamos lutar pelo direito básico de viver sem violência. O 8 de março deve ser, ao mesmo tempo, um momento de celebração das conquistas e de reafirmação do compromisso com políticas públicas eficazes para proteger as mulheres e enfrentar a violência de forma estrutural”, diz.
444 assassinatos entre 2021 e 2025 no RS
O Rio Grande do Sul é o estado da região Sul do país que registrou o maior número de feminicídios nos últimos quatro anos. Entre 2021 e 2025, 444 mulheres foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres.
Somente em 2025 foram registrados 80 casos. De acordo com dados do Mapa do Feminicídio da Polícia Civil do RS, o número representa um aumento de 9% em relação a 2024. Ainda segundo o levantamento, 25% das vítimas já haviam registrado ocorrência policial antes do crime e 5% estavam com medida protetiva vigente.
Em 85% dos casos, o autor do crime foi o companheiro ou ex-companheiro da vítima. A residência aparece como o local de 77,6% dos assassinatos, demonstrando que a violência, muitas vezes, acontece dentro do próprio ambiente doméstico.
Patrulha Maria da Penha em Bagé
Em Bagé, a Patrulha Maria da Penha realiza o acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar que possuem medida protetiva de urgência deferida pelo Poder Judiciário. O trabalho inclui visitas periódicas às vítimas, em suas residências ou em outros locais indicados por elas.
De acordo com a integrante da patrulha, soldado Tayciane, somente em janeiro e fevereiro deste ano foram cadastradas 66 novas medidas protetivas, totalizando 218 casos em acompanhamento. “A gente acompanha durante o período em que a mulher se sente em risco. Fazemos visitas, orientações e damos o suporte necessário para garantir que a medida protetiva esteja sendo respeitada”, explica.
A soldado destaca que, entre todos os atendimentos realizados pela Brigada Militar em Bagé, as ocorrências de violência doméstica são as mais frequentes, sendo registradas praticamente todos os dias.
Atuação da Semppmulher
A Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher que está localizada na Avenida 7 de Setembro, 1356, disponibiliza diversos serviços à comunidade, como assistência social, atendimento psicológico, assessoria jurídica, consulta clínica médica e casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência.
Durante o mês da mulher, a secretaria também promove uma série de atividades de conscientização e mobilização da comunidade.
Domingo (8) - Praça da Estação
Participação nas feiras realizadas no local
Participação em uma roda de capoeira feminina
17h – Praça da Estação
Inauguração de um Banco Vermelho, símbolo de combate ao feminicídio
18h – Praça do Coreto
Inauguração de um segundo Banco Vermelho
Segunda-feira (9) e ao longo da semana
Ações em escolas do município
Atividades na Smed
Visitas à zona rural
Conversa no Hospital Universitário
Rodas de conversa em diferentes espaços
20 de março
Evento voltado exclusivamente para homens, com objetivo de dialogar sobre prevenção da violência contra a mulher
28 de março – Estádio Militão
Evento esportivo voltado para mulheres
31 de março – Urcamp
{AD-READ-3} Lançamento de e-book produzido em parceria entre a Semppmulher e a Urcamp
A obra reunirá textos com histórias de servidoras municipais homenageadas
Em situação de violência, não se cale! Ligue 190 ou 190.

