Cidade
Moradores das Palmas entregam abaixo-assinado à Prefeitura e pedem retomada de linha de ônibus
Comunidade relata dificuldades para se deslocar até Bagé e aguarda solução para o transporte coletivo
por Melissa Louçan
Moradores da região das Palmas entregaram, na terça-feira, 13, um ofício e um abaixo-assinado à Prefeitura de Bagé solicitando o restabelecimento da linha de ônibus que fazia o trajeto até a cidade. A mobilização foi realizada por representantes da Associação de Grupos de Proteção Ambiental (AGrUPa), diante das dificuldades enfrentadas pela comunidade desde a suspensão de horários do transporte coletivo.
Segundo Márcia Collares, representante da entidade, a documentação foi entregue à secretária municipal de Mobilidade Urbana, que recebeu a demanda e informou que o prefeito está em tratativas com a empresa responsável pelo serviço para buscar uma solução. A comunidade agora aguarda uma definição sobre a retomada do transporte.
O problema foi abordado pelo Jornal Minuano no início de outubro. Moradores relataram que a situação já se arrasta há quase um ano e precisavam recorrer a caronas, viagens por aplicativo e outras alternativas para chegar à cidade. A distância entre as localidades das Palmas e o centro de Bagé varia de aproximadamente 38 a 60 quilômetros, conforme o ponto da região, o que torna o deslocamento mais difícil para quem não dispõe de veículo próprio.
Márcia estima que sejam cerca de duas mil pessoas vivem nas Palmas e destaca que, embora nem todas utilizem o transporte coletivo regularmente, há moradores que dependem exclusivamente do serviço. O abaixo-assinado entregue ao Executivo teve adesão da comunidade.
A falta de transporte afeta o acesso a serviços básicos, como a compra de medicamentos, alimentos e atendimento bancário. Sem uma linha regular, parte dos moradores precisa contratar transporte particular, dividir despesas com outras pessoas ou depender de caronas. Para aposentados e famílias de baixa renda, o custo pode representar uma parcela significativa dos rendimentos.
Na reportagem anterior, moradores relataram gastos elevados para conseguir chegar à cidade. Um dos exemplos mencionados foi o de um residente que teria desembolsado R$ 400 para fazer compras em Bagé.
A interrupção dos serviços está relacionada à baixa demanda de passageiros e aos custos de operação, conforme relatado pelas duas empresas que operam, São João e Stadtbus. Conforme informações do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) divulgadas anteriormente, a empresa solicitou a paralisação de horários, que foram cancelados para a realização de um novo estudo de demanda. A Stadtbus havia solicitado subsídio ao município para manter a linha, mas não houve acordo para a continuidade do serviço.
Na ocasião, a empresa São João também apontou dificuldades financeiras para manter a operação e informou que havia tratativas com a Prefeitura sobre a possibilidade de subsídio.
Enquanto não há uma definição sobre o transporte coletivo, a Prefeitura informou anteriormente que organiza o deslocamento de pacientes das Palmas que precisam realizar consultas especializadas e exames. O atendimento é articulado pela equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) Coxilha das Flores, em conjunto com o Setor de Frota, conforme a liberação dos procedimentos.

