Cidade
Artista bajeense Wagner Previtali leva exposição sobre Bagé a Porto Alegre
Intitulada “A Bagé que nasceu menino”, a mostra reúne fotografias e vídeos produzidos, principalmente, entre 2020 e 2025
por Márlon Castro Posqui
Quando se fala em Bagé, as imagens do pampa, da vida campeira e das tradições gaúchas costumam ocupar um lugar de destaque. Mas a cidade também é formada por outras paisagens, personagens e experiências que nem sempre aparecem nessas representações. É essa diversidade de olhares que atravessa a exposição "A Bagé que nasceu menino", do artista bajeense Wagner Previtali, que será inaugurada no próximo sábado, 17, em Porto Alegre.
A mostra reúne fotografias, vídeos e colagens digitais que propõem um olhar sobre a cidade para além das referências tradicionalmente associadas à identidade regional. Entre os registros estão manifestações, paradas, eventos religiosos, paisagens naturais e cenas do cotidiano, captadas principalmente entre 2020 e 2025.
Nascido e criado em Bagé, Wagner começou a explorar a fotografia ainda na adolescência. Anos depois, encontrou na universidade pública a oportunidade de aprofundar sua produção artística. Atualmente doutorando em Artes pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ele explica que a exposição surgiu como um desdobramento de suas pesquisas acadêmicas e das conversas com o curador Thiago Rodeghiero, que o ajudou a revisitar imagens produzidas ao longo de suas vivências no município.
O título da exposição também está relacionado a essa experiência. Para Wagner, nascer em determinado lugar significa conviver com expectativas e padrões que muitas vezes antecedem as escolhas individuais. A proposta, portanto, é refletir sobre essas imposições e apresentar outras possibilidades de compreender a identidade bajeense.
A exposição começa com imagens da infância do artista, reinterpretadas por meio de colagens digitais, e avança para fotografias e vídeos que apresentam diferentes acontecimentos e espaços de Bagé. Além das cenas urbanas, Wagner direciona sua atenção para elementos naturais que fazem parte da paisagem local, como o céu, os campos, os arroios, a vegetação e os animais. O interesse, segundo ele, está tanto nos espaços quanto nas pessoas que os ocupam.
Parte dos vídeos integra a série Tentativas de Habitar Bagé, na qual moradores são convidados a escolher paisagens da cidade para serem registradas. A proposta permite que diferentes pessoas participem da construção das imagens, trazendo suas próprias relações com os lugares retratados. "Me interesso pelas pessoas e pelas paisagens que encontramos por aqui, o nosso céu, nossas plantas e animais, nossos campos, nossos arroios e a nossa terra. Em resumo, me interessa apresentar uma cidade muito mais aberta e diversa, que foge das expectativas criadas sobre Bagé", afirma.
Para Wagner, apresentar essa produção fora de Bagé também é uma maneira de dar visibilidade a grupos e experiências que nem sempre se reconhecem nos discursos mais difundidos sobre os municípios do interior. "Eu quero uma Bagé para todes", afirma o artista, que espera estimular essa reflexão a partir das experiências de sua cidade natal.
Exposição abre no sábado
A "Bagé que nasceu menino" será inaugurada no sábado, 17, às 19h, na Sala Saruê, localizada na Rua João Alfredo, 786, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. A exposição permanece aberta até 14 de novembro, com visitação de quarta-feira a sábado, das 14h às 18h. A entrada é gratuita.

