Esportes
Taekwondo amplia possibilidades de inclusão para crianças em Bagé
por Yuri Cougo Dias
O taekwondo vem sendo utilizado em Bagé como ferramenta de inclusão e desenvolvimento de crianças com diferentes necessidades. Há cerca de três meses, o professor Vinícius Silva, faixa-preta 1º Dan, desenvolve aulas adaptadas para crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e outras características do neurodesenvolvimento, além de atender alunos sem deficiência.
O trabalho é realizado na Moove Espaço de Treinamento Fisioadaptado, com turmas reduzidas e atividades ajustadas às características de cada aluno. A proposta utiliza elementos próprios do taekwondo, como movimentos de ataque e defesa, sequências técnicas, exercícios de coordenação e equilíbrio, além de técnicas de respiração e concentração.
Segundo Silva, o planejamento das aulas parte do conhecimento das características de cada criança. A experiência com esse público também levou o professor a buscar formação específica para qualificar sua atuação. “As técnicas do taekwondo permitem trabalhar diferentes aspectos do desenvolvimento, como coordenação motora, equilíbrio, concentração, paciência e raciocínio. A partir do momento em que conhecemos a criança e suas necessidades, conseguimos adaptar os exercícios para que ela participe da atividade de uma maneira adequada”, explica.
A respiração é outro recurso incorporado às aulas. De acordo com o professor, os exercícios contribuem para concentração e autorregulação, especialmente em situações de maior agitação. A intenção é oferecer estratégias que possam ser utilizadas também em outros contextos. “A respiração e a concentração fazem parte da própria prática do taekwondo. Quando conseguimos ensinar a criança a prestar atenção no movimento, controlar a respiração e executar uma atividade, estamos trabalhando habilidades que podem contribuir para outros contextos da vida dela”, afirma.
Turmas adaptadas
Atualmente, cerca de 10 crianças participam das aulas. Os grupos reduzidos permitem maior atenção individual e facilitam a condução das atividades. Silva destaca que crianças com TEA apresentam características distintas, inclusive quanto aos níveis de suporte, o que exige atenção na formação das turmas.
O trabalho também contempla crianças com outras condições, como TDAH, além de alunos que procuram a modalidade por diferentes motivos relacionados à atividade física. Dessa forma, as aulas não se restringem ao público com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
Para Silva, a capacitação dos profissionais é fundamental para ampliar a participação desse público no esporte. “Quanto mais conhecemos as características de cada criança, melhor conseguimos compreender as necessidades dela e adaptar a atividade. Inclusão também passa por formação e preparo dos profissionais”, ressalta.
Do desenvolvimento ao esporte
Além do trabalho realizado nas aulas, o professor avalia a possibilidade de ampliar, futuramente, o acesso ao parataekwondo em Bagé. A iniciativa ainda está em fase de desenvolvimento e depende da criação de uma estrutura que permita a participação de atletas com deficiência em competições.
Silva considera que a prática pode abrir caminhos para crianças que apresentem potencial esportivo. “Existem crianças com potencial esportivo. O objetivo é que elas tenham oportunidade de desenvolver esse potencial e, se desejarem e tiverem condições, possam avançar para o esporte competitivo”, afirma.
A experiência também tem significado pessoal para o professor, que é pai de uma criança com necessidades específicas. Segundo ele, a vivência familiar influencia sua forma de compreender os alunos e reforça a importância de criar espaços esportivos nos quais as diferenças sejam consideradas durante o processo de aprendizagem.
As aulas de taekwondo ocorrem na Moove Espaço de Treinamento Fisioadaptado, na Avenida Tupy Silveira, 1619, em diferentes horários. Informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 9163-1409.

