Região
Moradores ampliam mobilização por falta de energia em Candiota após nove dias sem luz
Moradores de Candiota relatam mais de 200 horas sem energia elétrica após o temporal; produtores rurais acumulam perdas e novas manifestações cobram agilidade da Equatorial
por Márlon Castro Posqui
Nove dias após o temporal que atingiu Candiota e outros municípios da região, moradores seguem mobilizados para cobrar o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica. Nesta terça-feira, 29, uma nova manifestação aconteceu com concentração no bairro João Emílio, que reuniu moradores que relatam permanecer sem luz desde o domingo, 20. Além das residências, os problemas atingem propriedades rurais e já provocam prejuízos à produção.
A mobilização dá continuidade aos protestos realizados na semana passada, quando moradores bloquearam a estrada Miguel Arlindo Câmara (MAC). Na ocasião, a comunidade também relatava problemas no abastecimento de água e perda de alimentos, além de cobrar uma resposta da Equatorial sobre os reparos na rede danificada pelo temporal.
Segundo uma moradora envolvida na mobilização, que também é funcionária pública municipal, a situação permanece especialmente difícil no interior de Candiota. Um dos setores afetados é a bacia leiteira, onde produtores enfrentam dificuldades para armazenar o leite ordenhado devido à falta de refrigeração. Nas residências, moradores também relatam perda de alimentos que estavam armazenados em geladeiras e freezers.
Um produtor rural ouvido pela reportagem está sem energia elétrica há nove dias e relata que a situação já ultrapassa 200 horas de interrupção. Segundo ele, somente na região onde mora, a partir da ponte do Passo dos Carros, haveria aproximadamente 200 famílias atingidas. Considerando outras localidades, ele estima que o número possa ultrapassar 300 famílias. Os números são uma estimativa do produtor e não correspondem a um levantamento oficial.
Os prejuízos, segundo o produtor, vão além da falta de eletricidade dentro de casa. Ele conta que precisou descartar carne e leite e que está utilizando um gerador para manter parte das atividades. Com isso, também passou a arcar com gastos elevados com gasolina para manter o equipamento funcionando. De acordo com o produtor, os prejuízos provocados pela falta de energia já ultrapassam R$ 10 mil. O valor inclui perdas de carne, leite e outros produtos refrigerados.
A demora nos reparos é o principal motivo do descontentamento manifestado pelos moradores. Conforme os relatos, há a percepção de que o número de equipes disponíveis não é suficiente para atender simultaneamente todos os pontos onde a rede elétrica foi danificada. A comunidade também questiona a redução das equipes de trabalho e afirma que parte dos profissionais deslocados para os atendimentos não teria conhecimento suficiente da região, o que, segundo os moradores, dificulta a localização dos danos, principalmente no interior.
Apesar das críticas, os manifestantes ressaltam que o protesto não é direcionado aos trabalhadores que estão em campo. O descontentamento é voltado à atuação da concessionária e à forma como a resposta à situação de emergência estaria sendo conduzida. Para os moradores, falta uma estrutura de gestão de crise capaz de ampliar e agilizar os atendimentos diante da dimensão dos danos registrados após o temporal.
Na semana passada, durante o bloqueio da MAC, representantes da comunidade participaram de uma reunião com a Prefeitura de Candiota, a Equatorial e a Brigada Militar. Naquele momento, a previsão informada durante as tratativas era de restabelecimento da energia na área urbana ainda na sexta-feira, 25. A Brigada Militar também acompanhou equipes da concessionária em levantamentos realizados em assentamentos que permaneciam sem fornecimento. Para esta quarta-feira, 30, moradores articulam uma nova manifestação na entrada de Pinheiro Machado.

