Saúde
Estomatologia: quando uma alteração na boca precisa de atenção?
Estomatologista Dr. Pedro Orabe explica a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças que afetam a boca, os maxilares e a face
por Miquéli Romero
Feridas que não cicatrizam, manchas, sangramentos, caroços ou mudanças na coloração da boca podem parecer alterações simples, mas, em alguns casos, são sinais que precisam de investigação. Observar a saúde da boca e procurar atendimento diante de mudanças persistentes é uma forma importante de prevenção.
Segundo o cirurgião-dentista, cirurgião bucomaxilofacial e estomatologista Dr. Pedro Orabe, a estomatologia é uma especialidade da odontologia voltada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças que acometem a boca, os maxilares e a face.
“Quando identificamos algum problema ou alteração na boca, procuramos o dentista. O que poucas pessoas sabem é que, dentro da Odontologia, existem várias especialidades, assim como ocorre na Medicina”, explica.
A boca pode revelar diferentes doenças
A região bucomaxilofacial pode apresentar uma grande variedade de alterações. Entre os problemas de origem local estão aftas, lesões provocadas por próteses, gengivite, periodontite, inflamações dos maxilares, mucocele, alterações das glândulas salivares, cistos e tumores benignos.
De acordo com Orabe, também existem doenças que afetam outras partes do organismo e podem apresentar manifestações na boca. É o caso de algumas infecções bacterianas, como sífilis e tuberculose; infecções fúngicas, como a candidíase; doenças virais; além de alterações genéticas, metabólicas e dermatológicas.
Por isso, uma alteração na cavidade oral não deve ser analisada apenas pelo aspecto local. O histórico do paciente e a persistência dos sintomas também são importantes para determinar a necessidade de investigação.
Atenção às lesões que não desaparecem
Um dos principais cuidados está relacionado às lesões que permanecem por um período prolongado. Aftas que não cicatrizam após 14 dias, manchas ou placas de coloração branca, vermelha ou escura, sangramentos sem causa aparente e áreas de aumento de volume são alguns dos sinais que devem ser avaliados por um profissional.
Outros sintomas que merecem atenção incluem sensação persistente de ardência ou queimação, dormência, dentes que ficam frouxos repentinamente, caroços na boca, maxilares ou pescoço, dificuldade para abrir a boca e rouquidão persistente sem causa aparente.
A avaliação especializada é especialmente importante para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de boca e da região maxilofacial. Nesses casos, o estomatologista pode identificar alterações suspeitas e encaminhar o paciente para investigação e tratamento especializado.
Prevenção também faz parte do tratamento
Para o Dr. Pedro Orabe, observar a própria boca é uma medida simples que pode contribuir para a identificação precoce de alterações.
O autoexame pode ser realizado em frente ao espelho, em um ambiente bem iluminado, observando a parte interna das bochechas, gengivas, língua, céu da boca e lábios. A presença de feridas, manchas, mudanças de coloração, caroços ou outras alterações deve servir como alerta para buscar avaliação profissional.
O acompanhamento também ganha importância entre pessoas que fumam e aquelas que fazem uso frequente de bebidas alcoólicas, fatores relacionados ao desenvolvimento do câncer de boca.
“Prevenir também é observar. Qualquer alteração que persista deve ser investigada”, orienta o especialista.
Cuidado antes e durante o tratamento contra o câncer
A Estomatologia também participa do cuidado de pacientes que passarão por quimioterapia ou radioterapia. Esses tratamentos podem provocar alterações na boca, como a mucosite, caracterizada por inflamação, dor, vermelhidão, inchaço e feridas na boca e na garganta.
Por isso, o acompanhamento odontológico antes do início do tratamento oncológico pode ajudar a identificar problemas existentes e reduzir possíveis complicações. Durante o tratamento, o estomatologista também pode atuar na prevenção e no controle das alterações que surgirem na cavidade oral.
A recomendação é não esperar que uma alteração se torne dolorosa ou mais grave para procurar atendimento.

