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Egressa da Urcamp apresenta pesquisa sobre a história do curso de Fisioterapia em congresso
Mestranda em Ensino pela Unipampa, Letícia Ribeiro Noble levou ao Congresso Ibero-Americano de Ciências, Humanidades e Educação um recorte de sua dissertação
por Miquéli Romero
A trajetória do curso de Fisioterapia da Urcamp, desde sua criação, passou a ser objeto de pesquisa acadêmica pelas mãos de uma de suas egressas. Mestranda em Ensino pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Letícia Ribeiro Noble apresentou, entre os dias 16 e 18 de setembro, em Criciúma (SC), um recorte de sua dissertação durante o Congresso Ibero-Americano de Ciências, Humanidades e Educação.
Graduada em Fisioterapia pela Urcamp em 2021, Letícia desenvolve uma pesquisa sobre as memórias e histórias da fundação do curso, no período entre 1987 e 1994. O trabalho é orientado pelo professor Alessandro Carvalho Bica e integra as atividades do grupo de pesquisa em História da Educação, Repositórios Digitais e Acervos Históricos (PHERA).
A pesquisa tem caráter histórico-documental e busca reconstruir não apenas o processo de criação do curso, mas também o contexto histórico, político e econômico em que a graduação foi implantada em Bagé. “Quando o meu orientador sugeriu o tema, eu achei superinteressante, principalmente por termos os fundadores do curso ainda entre nós e por não ser algo tão explorado”, explica Letícia.
Segundo a pesquisadora, o estudo também procura preservar as memórias daqueles que participaram dos primeiros anos da graduação. Além dos fundadores, a investigação reúne relatos de professores que atuaram na primeira turma e de estudantes que participaram daquele período.
Ao longo da pesquisa, Letícia passou a perceber que os documentos institucionais não são as únicas fontes para compreender a trajetória do curso. As narrativas e lembranças das pessoas que participaram da criação da graduação também ajudam a reconstruir esse processo.
“Quando a gente se debruça em documentos institucionais e nas narrativas que permeiam eles, nós também acessamos a memória não só dos participantes, mas da instituição como um todo”, observa.
A pesquisadora destaca ainda a importância de contar com fontes vivas para o desenvolvimento do trabalho. Para ela, o contato direto com pessoas que participaram da fundação do curso permite acessar memórias que não estão necessariamente registradas em documentos.
A dissertação também busca contextualizar a criação da Fisioterapia dentro de um cenário mais amplo, considerando a constituição do ensino superior no Brasil e no Rio Grande do Sul, a história da própria Fisioterapia no país e a realidade de Bagé no período estudado.
Para Letícia, o trabalho representa uma forma de dar visibilidade a uma trajetória que, segundo ela, ainda não está compilada de maneira ampla. “A gente acaba esquecendo como as coisas começaram, por que as coisas são como são e quem pensou nisso? Acho que para eles também é um retorno muito especial ter essa história contada em algum lugar”, afirma.
Da graduação à pesquisa
Formada em 2021, Letícia viveu em Santa Catarina entre agosto daquele ano e fevereiro de 2025. Durante esse período, atuou como mentora acadêmica, atividade que já desenvolvia enquanto ainda estava na graduação.
Ela também chegou a trabalhar na área da Fisioterapia, mas, com o crescimento da atividade de mentoria, optou por seguir profissionalmente nesse campo. A experiência construída durante a graduação, no entanto, permaneceu como uma referência para sua trajetória. “Tudo que eu construí ao decorrer desse tempo, a Urcamp foi a base inicial”, destaca.
O ingresso no mestrado, em 2026, possibilitou também um reencontro com a Fisioterapia, dessa vez por uma perspectiva histórica. A pesquisa permitiu que ela retomasse o contato com a graduação e com pessoas que fizeram parte de sua trajetória acadêmica.
Além da apresentação da pesquisa, Letícia Ribeiro Noble participou do espaço destinado ao lançamento de livros durante o congresso e apresentou novamente sua obra: O início é sempre agora: percursos da escrita acadêmica. O livro foi lançado originalmente no ano passado, durante a Feira do Livro de Bagé, e aborda a escrita e a pesquisa acadêmica a partir de uma perspectiva mais sensível e subjetiva.
A obra trata de temas como gestão do tempo, curiosidade, organização de ideias e as razões que levam pesquisadores a escolherem determinadas temáticas. Também apresenta espaços destinados à anotação de ideias. A proposta, segundo Letícia, é compreender a pesquisa para além do cumprimento de etapas acadêmicas. “A pesquisa é uma ferramenta tanto para desenvolvimento pessoal quanto profissional”, define.

