Cidade
Museu Dom Diogo de Souza inicia comemorações dos 70 anos com visitação especial neste domingo
por Miquéli Romero
O Museu Dom Diogo de Souza deu início, neste domingo, 20, às comemorações de seus 70 anos com um ato simbólico que reuniu visitantes para cantar parabéns à instituição. Além do bolo, a data contou com uma oportunidade pouco comum: o museu esteve aberto para visitação durante a tarde de domingo, permitindo que moradores e visitantes conhecessem o acervo justamente no dia em que Bagé também celebra o 20 de Setembro.
No momento do parabéns, as crianças que estavam entre os visitantes foram convidadas a participar da celebração e ficaram responsáveis por apagar as velas do bolo dos 70 anos. O gesto simbolizou a presença das novas gerações na história que o Museu preserva e ajuda a aproximar o público infantil do espaço de memória.
A programação marcou o início de uma série de atividades que se estenderá até setembro de 2027. De acordo com a gestora do Museu, Carmen Barros, a proposta é que os 70 anos não sejam concentrados em uma única comemoração. Ao longo do período, cada mês deverá contar com uma atividade alusiva à trajetória da instituição, entre exposições, encontros e outras ações.
O movimento registrado neste domingo não surpreendeu a gestão. Segundo Carmen, o Museu recebe diariamente um público expressivo, especialmente estudantes. Cerca de 15 mil alunos passam pela instituição ao longo do ano, em visitas que aproximam crianças e jovens da história de Bagé e da região.
A abertura excepcional também permitiu que algumas pessoas conhecessem o espaço pela primeira vez. Foi o caso de Joaquim Kluwe, de 13 anos, que visitou o Museu acompanhado do irmão Lorenzo, de 16. Para Lourenzo, que já havia estado no local em uma atividade escolar, a visita representa uma oportunidade de ampliar o contato dos jovens com a história e a cultura.
“Eu acho que é importante as escolas levarem os jovens para ir no museu. Não só porque é uma coisa interessante, mas porque isso permite que os jovens aprendam mais sobre a história, sobre a cultura, sobre a cidade também”, avaliou.
Entre os itens que mais chamaram a atenção dos irmãos estavam espadas, uniformes, quadros antigos e objetos relacionados à medicina. Joaquim, que nunca havia visitado o Museu, também destacou o contato com objetos antigos.
A experiência se repetiu para Bento e Matteo, levados pela avó, Eliane Funari. Bento, de apenas oito anos, já demonstrava interesse em conhecer o espaço e encontrou no projetor de filmes um dos itens que mais despertaram sua curiosidade.
“O projetor lá do tempo que começou o cinema na cidade e as pessoas ficavam assistindo”, contou o menino.
Para Eliane, a abertura do Museu neste domingo possibilitou realizar um desejo dos netos, que há algum tempo pediam para conhecer o local. Na avaliação dela, esse contato desde a infância contribui para que as novas gerações conheçam e valorizem a história da cidade.
Visitantes de fora também aproveitam a abertura
A visitação especial também atraiu bajeenses que atualmente vivem em outras cidades. A psicóloga Luciane Gomes e o poeta e psiquiatra Jaime Vaz Brasil nasceram em Bagé e moram em Porto Alegre. Quando retornam ao município, costumam passar pelo Centro, mas relatam que nem sempre conseguem visitar o Museu por causa do funcionamento aos fins de semana.
Ao saberem, pelas redes sociais, que a instituição estaria aberta neste domingo, aproveitaram a oportunidade.
“Assim como nós, várias outras pessoas também gostariam de visitar o museu, e é fim de semana que se faz isso”, observou Jaime.
Jaime destacou o vínculo afetivo com a cidade e com a história regional. Para ele, o Museu representa um importante espaço de preservação cultural e deveria ter oportunidades de visitação aos fins de semana de forma eventual.
“É um museu bastante completo, muito nos orgulha. E aberto nos orgulha muito mais”, afirmou.
O casal também defendeu a aproximação das novas gerações com espaços culturais e históricos. Para Luciane, permitir que mais pessoas conheçam o acervo é uma forma de fortalecer o vínculo com a cultura local.
Sete décadas de memória
Inaugurado em 20 de setembro de 1956, o Museu Dom Diogo de Souza foi idealizado por Tarcísio Antônio Costa Taborda. A instituição passou a ser vinculada à Fundação Attila Taborda (FAT) em 1969 e, desde então, integra a estrutura responsável pela manutenção dos museus mantidos pela Fundação.
O acervo reúne fotografias, jornais, documentos, objetos, peças arqueológicas e diferentes registros relacionados à história de Bagé e da região. São aproximadamente 150 mil documentos fotográficos, 20 mil volumes de jornais, cinco mil artefatos e três mil documentos, além de outros materiais distribuídos entre reservas técnicas, fototeca, hemeroteca e discoteca.
Para o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, os 70 anos representam também sete décadas de preservação da memória da comunidade.
“São 70 anos de preservação do patrimônio histórico e cultural. São 70 anos de preservação da nossa história, através de documentos, fotos, objetos que contam os diversos períodos da nossa existência”, destacou.
O reitor também ressaltou o papel da comunidade na preservação do acervo, lembrando que objetos guardados dentro das próprias residências podem ter valor histórico e contribuir para a construção da memória coletiva.
“Quando a comunidade entende que tudo é história, o museu toma uma nova significação. E é isso que a gente está conseguindo fazer aqui”, afirmou.
Atualmente, o Museu Dom Diogo de Souza e o Museu da Gravura Brasileira são mantidos pela Fundação Attila Taborda, mantenedora da Urcamp, com apoio da Associação dos Amigos dos Museus. Segundo Bragança, a ausência de recursos públicos também limita a possibilidade de funcionamento da instituição em todos os fins de semana.
“Por isso que nós não conseguimos abrir todos os finais de semana, porque nos falta recurso para isso”, explicou.
A questão também apareceu entre os visitantes deste domingo, que avaliaram positivamente a possibilidade de acesso ao Museu em um dia tradicionalmente destinado ao lazer e à circulação de turistas e moradores.
A programação dos 70 anos pretende ampliar justamente esse contato. As atividades seguem até setembro de 2027, quando será encerrado o calendário comemorativo que começou neste domingo, no mesmo espaço que há sete décadas preserva parte da história de Bagé e da região.

