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Da paixão pelo campo à moda gaúcha: a trajetória da Fina Estampa em Bagé
Há oito anos, Simone Moraes transformou a experiência com o universo rural e o gosto pelas alpargatas em uma loja que hoje reúne vestuário, acessórios e tradição gaúcha
por Érica Alvarenga
Para quem cresceu próxima ao campo, algumas referências não são apenas escolhas de estilo. Elas fazem parte da própria história. É assim que Simone Moraes, descreve a relação que mantém com o universo rural e com a cultura gaúcha – uma ligação que começou dentro de casa e, anos mais tarde, encontrou no empreendedorismo uma nova forma de expressão.
Formada em administração rural, Simone trabalhou durante mais de duas décadas com remates. A experiência profissional, somada à convivência com o meio rural desde a infância, construiu uma rede de contatos e afetos que seria fundamental para o próximo capítulo de sua trajetória.
Antes mesmo de abrir a Fina Estampa, ela já havia encontrado nas alpargatas uma oportunidade de negócio. Começou vendendo os calçados pela internet e participando de eventos, rodeios e exposições. Era uma atividade que unia uma paixão pessoal à familiaridade com o público que frequentava aqueles espaços.
Na época, as alpargatas estampadas e listradas começavam a ganhar espaço e Simone decidiu apostar nesse movimento. A experiência com as vendas e o contato próximo com o público acabaram preparando o espaço para a criação da loja. Em fevereiro de 2018, nascia a Fina Estampa.
Uma loja que cresceu ouvindo seus clientes
A princípio, a proposta era trabalhar com moda masculina. Simone recebeu o convite de uma amiga para dividir um espaço e decidiu apostar em um segmento no qual já possuía público e relacionamentos construídos ao longo dos anos. Mas os próprios clientes começaram a indicar um novo caminho.
A partir daí, a moda rural passou a integrar o negócio. Vieram as bombachas, as peças femininas, o infantil e, posteriormente, os calçados. O crescimento aconteceu de maneira orgânica, a partir das necessidades percebidas no dia a dia da loja.
O universo do chimarrão também ocupa espaço nas prateleiras, com cuias de diferentes modelos, incluindo cuias tradicionais e de alpaca, bombas comuns e de alpaca e diferentes marcas de erva-mate. A seleção se completa com facas, bolsas, mateiras em couro e uma linha de semijoias inspirada no universo rural.
A lógica, porém, não é simplesmente reunir muitos produtos sob o mesmo empreendimento. Para Simone, existe uma preocupação em escolher aquilo que tenha identidade própria. “Não adianta todas as lojas terem a mesma coisa, o mesmo produto, as mercadorias iguais. Então eu procuro ter coisas diferentes, mas sem perder a qualidade”, afirma.
Qualidade como escolha
Em um segmento que reúne tradição e moda, a proprietária encontrou na qualidade um dos pilares da Fina Estampa.
A preocupação aparece tanto na seleção das marcas quanto na escolha das peças e na busca por produtos que possam acompanhar o cliente por mais tempo. Para Simone, é essencial oferecer aos clientes peças com maior durabilidade e qualidade.
É uma percepção que, segundo ela, também aparece entre os clientes. A proposta pode ser resumida em três palavras que se tornaram uma espécie de lema para a empreendedora: conforto, beleza e qualidade.
A busca por diferenciação também explica parte da variedade encontrada atualmente. O que começou com a moda masculina foi incorporando outros públicos até chegar a uma proposta capaz de atender diferentes gerações de uma mesma família.
Uma tradição que também se reinventa
A proximidade com a cultura gaúcha não é uma construção recente para Simone. Ela vem da infância, da família e da própria trajetória profissional.
Seu pai sempre esteve ligado ao campo. A mãe, que posteriormente se mudou para a cidade para que os filhos pudessem estudar, também carregava essa relação com a vida rural. Simone seguiu outro caminho profissional, mas nunca deixou de se reconhecer nesse universo. “Eu sempre fui ligada ao campo, sempre adorei.”
É uma paixão que ela define como algo que “vem de berço”.
Talvez seja justamente essa familiaridade que permita à Fina Estampa transitar entre tradição e contemporaneidade. A indumentária gaúcha permanece ligada a símbolos, costumes e histórias que atravessam gerações, mas também acompanha transformações de materiais, modelagens, cores e formas de vestir.
Na loja, essa diversidade aparece na própria curadoria de Simone, que procura apresentar opções diferentes sem abrir mão daquilo que considera fundamental.
O resultado é uma moda que pode ser usada para manter vínculos com a tradição, mas também para expressar personalidade e estilo.
Vestir uma história
Às vésperas de mais um 20 de setembro, quando o Rio Grande do Sul volta seus olhares para símbolos que fazem parte de sua identidade cultural, a indumentária ganha ainda mais espaço.
Bombachas, camisas, vestidos, botas, alpargatas, chapéus e acessórios deixam de ser apenas elementos de uma composição visual. Para muitas pessoas, vestir-se de acordo com a tradição é também uma maneira de demonstrar pertencimento, preservar memórias e participar de uma cultura construída ao longo do tempo. Na trajetória da Fina Estampa, essa relação aparece de maneira cotidiana.

