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Bajeense integra produção de filme brasileiro premiado no Festival de Veneza
London, dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli, conquistou o Queer Lion na 83ª edição do festival italiano
por Márlon Castro Posqui
Um filme brasileiro, gravado em Porto Alegre, conquistou um dos principais reconhecimentos do cinema internacional. London, longa escrito e dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli, venceu o Queer Lion na 83ª edição do Festival de Veneza. A produção conta com a participação da bajeense Luara Moglia, que integra a equipe responsável pela realização do filme.
Produzido pela Proa & Popa Produções e pela Balde de Tinta, o longa estreou na Semana da Crítica do Festival de Veneza e chamou a atenção da crítica internacional. A obra é apresentada como um thriller queer intimista, construído a partir de uma narrativa centrada em seus personagens e atravessada por temas como deficiência, sexualidade, identidade e libertação.
Em entrevista concedida anteriormente ao Jornal Minuano, quando o longa foi selecionado para o Festival de Veneza, Laura Moglia definiu a produção como um sonho coletivo construído ao longo de quase uma década. “London é um sonho coletivo, trabalhamos no projeto há praticamente 10 anos, com muitos obstáculos, mas com a escolha diária de continuar acreditando, mesmo quando tudo parecia impossível. Foi um momento muito único que vamos guardar na memória pra sempre”, destacou, na oportunidade.
A relação de Laura com o audiovisual também passa por Bagé. Na mesma entrevista, a profissional deixou um incentivo para jovens bajeenses que desejam ingressar no setor, ressaltando que a distância dos grandes centros não impede a construção de uma trajetória na área. “Bagé pode parecer distante dos grandes centros da indústria, mas foi justamente vivendo aqui que aprendi a observar o mundo com mais sensibilidade e a entender que as histórias mais belas se nascem das particularidades de cada um. Estudem, assistam a filmes de diferentes lugares, leiam, criem, conheçam pessoas e não tenham medo de começar com os recursos que têm”, afirmou.
A história acompanha London, interpretado pelo próprio Victor Di Marco. O personagem é um jovem com deficiência que trabalha realizando performances eróticas em uma casa de fetiches. Sua vida muda depois que um exame médico revela informações sobre a origem e o destino de sua deficiência.
A partir da descoberta, London passa a questionar se deve conduzir sua vida a partir do diagnóstico ou seguir os próprios sonhos. Em meio a um mundo que enxerga sua existência de maneira limitada, o protagonista busca reinventar suas forças, libertar-se das expectativas impostas sobre ele e descobrir quem realmente é.
A trajetória do filme até Veneza também foi marcada por dificuldades. Às vésperas das filmagens, o Rio Grande do Sul foi atingido por uma enchente de grandes proporções, que afetou a produção e provocou danos a materiais. Mesmo diante dos obstáculos, a equipe conseguiu concluir o projeto e levá-lo ao circuito internacional.
A conquista do Queer Lion amplia a visibilidade de uma produção realizada no Rio Grande do Sul e coloca em evidência histórias que ainda encontram pouco espaço no cinema. O reconhecimento também mostra a importância de representações que tratem deficiência e sexualidade a partir da perspectiva dos próprios personagens, sem recorrer a estereótipos ou a um olhar condescendente.
O longa terá distribuição no Brasil pela Retrato Filmes.

