Segurança
PF investiga possível interferência em licitação da saúde em Bagé
por Suélen Delabari
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, 11, a Operação Prior II, que investiga uma possível tentativa de interferência em uma licitação para contratação de serviços de saúde realizada pela Prefeitura de Bagé em julho de 2026.
Em Bagé, um dos mandados de busca e apreensão teve como alvo um servidor efetivo da Prefeitura. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados em Bagé, Porto Alegre e Alvorada. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Santana do Livramento.
Segundo a Polícia Federal, as diligências realizadas após a primeira fase da investigação identificaram uma possível atuação de um servidor público para interferir no processo licitatório em benefício de uma cooperativa que já era alvo da apuração.
A suspeita de interferência está relacionada à licitação realizada em julho deste ano. A investigação busca esclarecer se houve tentativa de favorecer a cooperativa no processo de contratação de serviços de saúde e qual teria sido a participação dos envolvidos.
Prefeitura diz ter comunicado o caso
Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Prefeitura de Bagé afirmou que os fatos relacionados à operação já haviam sido identificados pela própria Administração Municipal e comunicados às autoridades.
Segundo o Executivo, o caso teve início após servidores municipais relatarem à Procuradoria-Geral do Município, PGM, uma suposta tentativa de interferência em um procedimento licitatório por parte de outro servidor do quadro municipal.
Ainda conforme a Prefeitura, diante das informações recebidas, a PGM adotou as providências cabíveis e encaminhou o caso para apuração pelos órgãos competentes.
A Administração Municipal também informou que vem colaborando com as investigações e permanece à disposição das autoridades para fornecer informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos.
Contratos anteriores também são investigados
A Operação Prior II também dá continuidade à apuração de possíveis irregularidades em contratos firmados entre o município de Bagé e uma cooperativa responsável pela prestação de serviços de saúde entre 2018 e 2020.
De acordo com a Polícia Federal, os contratos são investigados por possíveis desvios de recursos públicos destinados à saúde. Os pagamentos relacionados aos contratos sob investigação são estimados em mais de R$ 7 milhões.
As diligências realizadas após a primeira fase da operação identificaram, segundo a PF, uma aproximação de integrantes da cooperativa com agentes públicos responsáveis pelos pagamentos dos contratos investigados. A suspeita é de que a relação tivesse como objetivo a obtenção de vantagens indevidas.
Com o avanço das investigações, a possível interferência no processo licitatório de julho de 2026 passou a integrar a apuração.
Investigação continua
Os mandados cumpridos nesta sexta-feira têm como objetivo reunir documentos, equipamentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
Os fatos permanecem sob investigação e os alvos da operação não foram condenados. A apuração deverá determinar se houve efetivamente interferência indevida na licitação, além de esclarecer eventual relação entre o episódio de 2026 e as irregularidades investigadas nos contratos anteriores.
Conforme a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder, de acordo com as condutas eventualmente comprovadas, pelos crimes de modificação ou pagamento irregular em contrato administrativo, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

