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Como escolher uma atividade física que combine com seus objetivos

Em 07/09/2026 às 21:37h

por Redação JM

Como escolher uma atividade física que combine com seus objetivos | Brasil | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Reprodução /JM

Escolher uma atividade física nem sempre depende apenas de motivação. Em muitos casos, a dificuldade está em alinhar expectativa, rotina, condição atual e objetivo real. Quando essa escolha é feita sem esse filtro, a chance de abandono aumenta, mesmo quando a modalidade parece interessante no início.

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde indicam que adultos devem acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, além de incluir fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Isso mostra que não existe uma única prática ideal para todas as pessoas. O melhor caminho costuma ser aquele que combina eficiência, segurança e possibilidade de continuidade.

1. Defina o objetivo principal com clareza

A primeira etapa é entender o que se espera da prática. Emagrecimento, ganho de força, melhora do condicionamento, mobilidade, redução do sedentarismo e alívio do estresse são metas diferentes e, por isso, pedem estímulos distintos. Quando o objetivo fica vago, qualquer plano tende a parecer inadequado depois de poucas semanas.

Também é importante reconhecer que muitas atividades podem atender a mais de um propósito, mas quase sempre existe uma prioridade. Caminhada acelerada, musculação, ciclismo, natação, dança e treinos intervalados podem contribuir para a saúde geral, porém cada uma oferece ênfases diferentes.

Para quem tem o emagrecimento como prioridade, conhecer diferentes opções de treinos para emagrecer pode ajudar a identificar combinações de atividades mais compatíveis com o próprio condicionamento, rotina e preferências. A clareza inicial evita comparações injustas e ajuda a medir progresso de forma mais coerente.

2. Considere o condicionamento atual

Nem toda modalidade adequada no papel será adequada no ponto de partida. Uma pessoa sedentária, com baixa resistência ou limitações articulares, pode ter mais benefício ao começar com estímulos progressivos, em vez de buscar atividades muito intensas logo no início. Essa adaptação reduz desconfortos excessivos e favorece a adesão.

Entidades como a OMS e o American College of Sports Medicine destacam que a progressão da carga deve respeitar a condição individual. Isso vale tanto para exercícios aeróbicos quanto para treinos de força. Em contextos de dor, lesão prévia, doenças cardiovasculares, obesidade ou outras condições clínicas, a avaliação profissional é especialmente importante antes da definição do plano.

3. Observe a rotina real, não a ideal

Uma atividade excelente no aspecto técnico pode fracassar quando não cabe na agenda. Frequência, deslocamento, tempo de preparação e nível de energia disponível ao longo do dia interferem diretamente na consistência. Na prática, uma modalidade sustentável costuma gerar mais resultado do que uma opção teoricamente superior, mas inviável na rotina.

Por isso, a escolha deve considerar horários possíveis, tempo de sessão e facilidade de repetição semanal. Em muitos casos, o melhor formato é aquele que permite constância sem exigir reorganizações extremas da vida diária.

4. Priorize atividades com boa adesão pessoal

A literatura sobre comportamento em saúde mostra que preferência individual e motivação intrínseca influenciam a permanência na prática. Em outras palavras, a atividade precisa fazer sentido também no plano subjetivo. Uma pessoa pode reconhecer a eficácia de determinado treino e, ainda assim, não conseguir mantê-lo por não gostar da dinâmica.

Isso não significa escolher apenas o que parece fácil, mas identificar formatos com maior chance de continuidade. Algumas pessoas respondem melhor a aulas coletivas; outras preferem treino individual, exercícios ao ar livre ou sessões com metas objetivas. A aderência, muitas vezes, pesa mais no resultado de longo prazo do que a modalidade “perfeita” no curto prazo.

5. Equilibre gasto energético e fortalecimento muscular

Quando o objetivo envolve composição corporal, a escolha da atividade não deve se limitar ao número de calorias gastas em uma sessão. O consenso do ACSM sobre excesso de peso e adiposidade reforça a importância de combinar atividade aeróbica com fortalecimento muscular, já que o controle do peso corporal depende também de preservação de massa magra, gasto total e manutenção da rotina.

Por isso, modalidades exclusivamente aeróbicas podem ser úteis, mas nem sempre bastam de forma isolada. Já o treino de força contribui para funcionalidade, postura, autonomia e suporte metabólico. A combinação entre diferentes estímulos tende a ser mais estratégica do que a aposta em uma única frente, sobretudo quando o objetivo é resultado sustentável.

6. Avalie impacto articular e nível de segurança

A atividade ideal também precisa respeitar o corpo disponível no presente. Pessoas com dor no joelho, histórico de lesões, sobrepeso importante ou restrições médicas podem se adaptar melhor a práticas de menor impacto, como bicicleta ergométrica, elíptico, exercícios aquáticos ou fortalecimento supervisionado.

Segurança não significa evitar esforço, e sim escolher a dose e o tipo corretos de esforço. Em vez de perseguir intensidade máxima, costuma ser mais eficiente trabalhar com progressão planejada. Quando há sintomas persistentes, limitação funcional ou insegurança para executar movimentos, a orientação de profissional de educação física e, se necessário, avaliação clínica tornam a escolha mais responsável.

7. Diferencie resultado rápido de resultado sustentável

Uma escolha comum é buscar a atividade com promessa de resposta mais rápida. O problema é que esse critério, sozinho, tende a ignorar desgaste, prazer, recuperação e viabilidade de longo prazo. Modalidades muito intensas podem ser interessantes para alguns perfis, mas inadequadas para quem ainda está construindo base física e hábito.

Na prática, resultados consistentes costumam surgir da soma entre regularidade, progressão e adequação individual. O exercício mais eficiente não é necessariamente o mais exaustivo, e sim aquele que produz estímulo suficiente sem comprometer a continuidade. Essa diferença é decisiva para evitar ciclos de empolgação inicial seguidos de abandono.

8. Reavalie a escolha ao longo do processo

A atividade que combina com um objetivo hoje pode não ser a mesma daqui a alguns meses. Conforme o condicionamento evolui, novas metas aparecem e o corpo responde de outra forma aos estímulos. Reavaliar a escolha não representa fracasso, mas ajuste inteligente.

Essa revisão pode incluir mudança de intensidade, combinação de modalidades ou substituição parcial do treino. Além disso, objetivos simultâneos exigem equilíbrio: quem busca emagrecimento pode precisar incluir força; quem quer hipertrofia talvez precise cuidar melhor do condicionamento; quem procura qualidade de vida pode se beneficiar de mobilidade e regularidade. A melhor atividade, portanto, é aquela que acompanha a fase atual sem perder coerência com a meta principal.

Escolher bem não significa encontrar uma modalidade perfeita, mas uma prática possível, segura e compatível com o objetivo. Quando a decisão considera evidência, rotina e adesão, o exercício deixa de ser uma obrigação passageira e passa a ocupar um lugar mais estável na vida diária.

Referências

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. 2020. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/9e776de6-adc7-46c1-936f-6dd2bb4f7373/content.

PAN AMERICAN HEALTH ORGANIZATION. OMS lança novas diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário. 2020. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/26-11-2020-oms-lanca-novas-diretrizes-sobre-atividade-fisica-e-comportamento-sedentario.

JAKICIC, John M.; APOVIAN, Caroline M.; et al. Physical activity and excess body weight and adiposity for adults: American College of Sports Medicine Consensus Statement. 2024. Disponível em: https://journals.lww.com/acsm-tj/fulltext/2024/10000/physicalactivityandexcessbodyweightand.1.aspx.

PALUCH, Amanda E.; BOYER, William R.; FRANKLIN, Barry A.; et al. Resistance exercise training in individuals with and without cardiovascular disease: 2023 update: a scientific statement from the American Heart Association. 2024. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001189.

JONES, C. S.; SPRING, K. E.; WADSWORTH, D. D. Factors influencing regular exercise in young women: a survey study assessing the preferences and motivators for aerobic and muscle-strengthening exercise. 2025. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/21642850.2025.2465613.

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