Cidade
Aeroporto segue sem previsão de retomada de vôos
por Melissa Louçan
A troca no controle da operação do Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer não trouxe, até o momento, uma previsão para a retomada dos voos comerciais regulares no município. A aquisição da plataforma aeroportuária da Motiva pela ASUR foi concluída nesta semana, mas o principal entrave para o retorno das operações permanece fora da gestão do terminal: a falta de demanda considerada suficiente pelas companhias aéreas.
Segundo informações da assessoria da ASUR, responsável agora pela operação do aeroporto, a decisão sobre a criação ou retomada de rotas cabe às próprias empresas aéreas. A concessionária, por sua vez, tem como atribuição disponibilizar a infraestrutura necessária para que essas operações possam ocorrer.
O Aeroporto de Bagé, conforme a empresa, dispõe da estrutura necessária para receber voos comerciais, incluindo pista, pátio de aeronaves, sala de controle e equipamentos de iluminação. Assim, caso alguma companhia tenha interesse em operar no município, não haveria, neste momento, uma limitação relacionada à infraestrutura aeroportuária.
A questão central é a viabilidade econômica da rota, já que as companhias avaliam principalmente a demanda existente antes de decidir pela implantação de uma operação. Para que um voo seja considerado viável, seria necessário alcançar um nível de ocupação que permita à empresa sustentar financeiramente a rota.
Além da demanda local, as companhias consideram fatores internos, como a disponibilidade de aeronaves e a própria estratégia de distribuição da malha aérea. Em alguns casos, uma empresa pode ter uma quantidade limitada de aeronaves e, para atender uma cidade de menor porte, precisar retirar uma aeronave de um mercado maior. Nessa situação, a operação pode não apresentar vantagem financeira.
Atualmente, segundo a ASUR, não há previsão de retomada dos voos comerciais em Bagé nem estudo em andamento para viabilizar uma nova operação. A concessionária afirma que não pode determinar unilateralmente a criação de uma rota, uma vez que a decisão pertence às companhias aéreas.
A situação ocorre mesmo após a modernização do terminal. Em novembro de 2024, após a conclusão das obras no aeroporto, a então administradora, CCR Aeroportos, já apontava que a retomada dos voos dependia do interesse das empresas aéreas. O aeroporto havia recebido cerca de R$ 43 milhões em investimentos, com melhorias na estrutura e no pátio, que passou a ter capacidade para receber duas aeronaves de grande porte simultaneamente.
Pouco mais de um ano depois, em novembro de 2025, a Motiva anunciou a venda de sua plataforma aeroportuária para a ASUR, operação que incluía os aeroportos de Bagé, Pelotas e Uruguaiana. Na ocasião, a mudança de controle não representava alteração na operação dos terminais. A aquisição foi concluída no início de setembro de 2026, com a ASUR assumindo as operações.

