Social
Longe ou perto?
por Viviane Becker
Por Flávio Kieffer
Quando estive em Bagé para o lançamento do meu livro de crônicas Cidade Abstrata, além da generosidade e do carinho com que fui recebido, guardei um comentário que ouvi: o defeito de Bagé é a distância. Aquela frase ficou ressoando na minha cabeça: distância do quê?
De si mesma quando quer crescer com olhos para o desenvolvimento de outras regiões? Quando quer imitar cidades que estão se desmanchando em territórios amorfos e sem identidade, onde já não dá para diferenciar o que é campo ou cidade?
Vi com tristeza esse processo acontecendo em Bagé, na implantação de condomínios fechados e centros de compras rodeados de automóveis. É o progresso, dizem.
Ou poderíamos dizer que é próxima, quando valoriza o que lhe é próprio, desenvolvendo sua própria identidade? Foi o que eu vi nas ótimas intervenções em sua arquitetura histórica e na valorização de iniciativas de proteção de áreas que identificam Bagé como Bagé, e não como qualquer cidade genérica.
Que prazer caminhar nas calçadas ladeadas por bonitas fachadas! Que alegria ver a Vila Santa Thereza voltar a ser lugar de cultura, encontros e festas!
De minha parte, torço para que Bagé, com seus 215 anos, siga encurtando cada vez mais esses 400 km que a separam de mim.

