MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

Cidade

Historiadora de Candiota participa de projeto aprovado na Lei Rouanet para preservar acervo de José Anélio Saraiva

Em 20/08/2026 às 14:09h

por Melissa Louçan

Historiadora de Candiota participa de projeto aprovado na Lei Rouanet para preservar acervo de José Anélio Saraiva | Cidade | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Rosilene é natural de Candiota, historiadora e Doutoranda em Antropologia pela UFPel e Foto: Divulgação

Uma historiadora de Candiota está à frente de um projeto aprovado na Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) para preservar e difundir o acervo de José Anélio Saraiva (1912–2015), pesquisador autodidata e pioneiro nos estudos sobre o potencial petrolífero da Bacia de Pelotas. A iniciativa prevê a organização, inventário e digitalização do Fundo José Anélio Saraiva, além de pesquisa histórica, exposição cultural, catálogo e ações de educação patrimonial.

Historiadora e mestra em Antropologia, Rosilene Oliveira se aproximou do acervo ainda durante a graduação em História pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Por volta de 2011, passou a direcionar suas pesquisas para a importância dos acervos documentais na construção da memória e da história. Na época, foi estagiária do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas (IHGPEL), onde participou de atividades de higienização e acondicionamento de documentos e teve contato com diferentes fundos preservados pela instituição. Foi nesse contexto que conheceu o Fundo José Anélio Saraiva, que também se tornou um dos recortes de sua pesquisa de graduação.

“Por isso, existe uma relação de longa data com essa documentação. Anos depois, retornar a esse acervo por meio de um projeto mais amplo de preservação, inventário, digitalização, pesquisa e difusão representa, para mim, a continuidade de um trabalho iniciado ainda na universidade”, explica Roselaine.

O projeto “Inventário da Memória: Preservação, Educação Patrimonial e Exposição Cultural do Acervo Fundo José Anélio Saraiva” foi aprovado pelo Ministério da Cultura, no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC nº 265313), com publicação no Diário Oficial da União em 22 de julho de 2026. Apresentado pela Tramas Patrimônio Cultural, em parceria com o IHGPEL, o projeto entra agora na fase de captação de recursos, que segue até dezembro deste ano. A execução está prevista para ocorrer durante 24 meses, entre janeiro de 2027 e dezembro de 2028.

Um pesquisador à frente do seu tempo

Natural de Lavras do Sul e um dos fundadores do IHGPEL, José Anélio Saraiva dedicou grande parte da vida aos estudos sobre geologia e recursos minerais. Décadas antes dos avanços tecnológicos que permitiriam novas descobertas na margem continental brasileira, ele já defendia que a Bacia de Pelotas apresentava elevado potencial petrolífero.

Com base em seus estudos, Saraiva apontava semelhanças entre a geologia da margem sul do Brasil e formações encontradas na Namíbia e na África do Sul. Anos mais tarde, descobertas realizadas pela Petrobras corroboraram a hipótese defendida pelo pesquisador, reforçando o caráter pioneiro de suas investigações.

Ao longo da trajetória, Saraiva também manteve correspondência com autoridades públicas, entre elas os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e Fernando Henrique Cardoso, defendendo a ampliação das pesquisas sobre o potencial petrolífero e mineral do litoral sul do Rio Grande do Sul.

O Fundo José Anélio Saraiva, sob a guarda do IHGPEL desde 2011, reúne correspondências, manuscritos, anotações de pesquisa, mapas, registros técnicos, fotografias e outros materiais produzidos ou reunidos pelo pesquisador. A quantidade exata e a tipologia dos documentos ainda serão dimensionadas durante o inventário previsto no projeto.

Além de contabilizar os itens, a etapa deverá permitir compreender as relações entre os diferentes registros e acompanhar como Saraiva construiu suas pesquisas ao longo de décadas. Para Roselaine, o valor do acervo não está necessariamente concentrado em um único documento, mas na possibilidade de analisar os materiais de forma articulada.

“Quando analisamos correspondências, anotações, mapas e manuscritos de forma articulada, conseguimos acompanhar a construção de suas pesquisas ao longo do tempo e compreender melhor o percurso de um pesquisador que dedicou grande parte de sua vida ao estudo da região”, afirma.

Uma das potencialidades do projeto é justamente a possibilidade de identificar documentos e informações que ainda não receberam estudos aprofundados. Segundo Roselaine, o acervo reúne registros relacionados às pesquisas de Saraiva sobre a Bacia de Pelotas que podem ser explorados por pesquisadores de diferentes áreas.

À medida que avançarem as etapas de inventário, organização, pesquisa e digitalização, poderão ser estabelecidas novas relações entre os documentos e identificados materiais ainda pouco estudados. O projeto, portanto, não pretende apenas preservar o que já é conhecido, mas criar condições para novas perguntas, interpretações e pesquisas.

Após a digitalização, a documentação deverá ser disponibilizada por meio do site do IHGPEL. Pesquisadores, estudantes e demais interessados também poderão consultar presencialmente o acervo na instituição, mediante agendamento e conforme as normas de atendimento e preservação documental.

A primeira etapa será desenvolvida em Pelotas, onde o Fundo está preservado. No entanto, há interesse em ampliar futuramente a circulação dessa história. Lavras do Sul, cidade natal de Saraiva, é apontada como um local de especial interesse para receber, em uma etapa posterior, a exposição e ações de educação patrimonial, a partir da construção de novas parcerias.

Para viabilizar a iniciativa, empresas tributadas pelo Lucro Real podem destinar até 4% do Imposto de Renda devido ao projeto. Pessoas físicas que fazem a declaração no modelo completo podem destinar até 6%. Os valores são deduzidos do Imposto de Renda devido, conforme as regras da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A captação segue aberta até dezembro de 2026. O apoio deverá permitir a execução das ações de preservação, inventário, digitalização, pesquisa e difusão previstas no projeto.

“O projeto busca justamente construir essa ponte: preservar a memória, ampliar o acesso e criar condições para que novos conhecimentos possam surgir a partir desse patrimônio documental”, resume Roselaine.

 

Galeria de Imagens
Leia também em Cidade
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br