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Fogo Cruzado

Leonel Radde defende mandato combativo e propostas para segurança pública

Em 18/08/2026 às 13:33h

por Redação JM

Leonel Radde defende mandato combativo e propostas para segurança pública | Fogo Cruzado | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Parlamentar visitou a redação do Jornal Minuano / Foto: Érica Alvarenga

Em visita a Bagé, o deputado estadual Leonel Radde, do PT, candidato à reeleição, falou sobre a relação com a região da Campanha, a trajetória como policial civil e parlamentar de esquerda, a atuação na área de segurança pública e as principais pautas que pretende manter em uma eventual nova legislatura. A entrevista também abordou a defesa do antifascismo, a maioridade penal e mudanças na estrutura das forças de segurança.

Radde afirma que a presença no interior faz parte de uma estratégia adotada desde a campanha de 2022, quando foi eleito deputado estadual. Segundo ele, por ter uma votação pulverizada, o mandato procura manter presença em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

“De 497 municípios, a gente fez votos em 435”, afirma. Ele explica que, embora em algumas cidades a votação tenha sido pequena, a distribuição dos votos contribuiu para a eleição. “A gente considera que o nosso voto é muito pulverizado. Não tem supervotações em cada cidade, mas tem muitos votos de forma pulverizada.”

Em Bagé, o deputado cita relações políticas e partidárias como um dos motivos para a visita. A agenda incluiu encontros com apoiadores e reuniões políticas. A passagem pela região também integra, segundo ele, uma circulação por municípios da Campanha e da Fronteira Oeste.

Policial e deputado de esquerda

Policial civil de carreira, com atuação operacional na área de homicídios e formação no grupo de operações especiais da Polícia Civil (CORE), Radde afirma não enxergar contradição entre a profissão e a atuação política à esquerda.

Para ele, a experiência na polícia contribuiu para uma compreensão mais ampla sobre segurança pública e direitos humanos. “Eu consigo enxergar que, mesmo que exista a parte da violência, nenhuma sociedade prescinde de um aparato repressivo que mantenha aquela sociedade minimamente viável”, afirma.

O deputado ressalta, porém, que a atuação policial precisa estar submetida às regras e ao controle institucional. Segundo ele, a polícia também exerce uma função de proteção de direitos ao investigar crimes como feminicídio, racismo, pedofilia, roubos e homicídios. “Eu não vejo, de forma alguma, contradição em ser de esquerda e ser policial”, afirma. Para Radde, a contradição estaria em defender posições incompatíveis com a legislação e, ao mesmo tempo, integrar uma instituição que deve atuar dentro da lei.

Antifascismo

A defesa do antifascismo, uma das principais marcas de sua atuação política, segundo o deputado, está relacionada à sua formação acadêmica e à trajetória familiar e política. Radde afirma ter se formado em História e Direito, além de ter realizado pós-graduação em História Contemporânea e mestrado em Direitos Humanos.

Ele conta que começou a observar com preocupação as manifestações de 2013 e passou a interpretar aquele processo como um movimento que poderia favorecer o avanço de posições extremistas. A partir de então, afirma ter aprofundado a atuação nessa pauta.

Em 2018, quando disputou pela primeira vez uma eleição para deputado estadual, já se apresentava como policial antifascista. Radde também cita a participação na organização da primeira conferência internacional antifascista, realizada neste ano em Porto Alegre.

Avaliação do primeiro mandato

Na avaliação do deputado, o primeiro mandato foi marcado pela atuação de oposição ao governo estadual e pela defesa de servidores públicos, aposentados e trabalhadores. Radde destaca ainda a presidência da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa.

Entre as propostas que considera prioritárias estão a distribuição de cannabis terapêutica pelo SUS, mudanças relacionadas à previdência dos servidores e o fim do chamado confisco previdenciário para aposentados. “Talvez não vencendo a disputa, mas demarcando”, resume ao explicar a atuação parlamentar em pautas nas quais encontrou resistência no Legislativo.

Sobre uma eventual reeleição, Radde afirma que pretende manter a linha de atuação adotada no primeiro mandato. Entre as prioridades, cita segurança pública, defesa dos servidores, meio ambiente, causa animal e combate ao extremismo político.

Maioridade penal

Questionado sobre a redução da maioridade penal, Radde afirma que a legislação atual precisa ser modificada nos casos de crimes hediondos, mas não defende simplesmente a transferência de adolescentes para o sistema prisional comum.

O deputado apoia uma proposta que prevê a ampliação do período de permanência de adolescentes que cometerem crimes hediondos no sistema socioeducativo, com continuidade do cumprimento após a maioridade, mas sem inserção no sistema prisional destinado aos adultos.

Na avaliação dele, colocar adolescentes no sistema prisional poderia ampliar a influência das facções criminosas. “Racionalmente, o Estado não pode agir na lógica da vingança. Ele tem que agir numa lógica racional”, afirma.

Mudanças na segurança pública

Para modernizar as forças de segurança, Radde defende a regulamentação, no Rio Grande do Sul, das leis orgânicas nacionais das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. Também cita a necessidade de investimentos em efetivo, perícia, equipamentos e investigação científica.

Outra proposta defendida pelo deputado é a adoção de carreira única nas polícias. Segundo ele, o modelo permitiria que os profissionais ingressassem pela mesma porta e avançassem na carreira de acordo com formação e experiência.

Radde argumenta que cargos de gestão nas forças policiais deveriam ser ocupados por profissionais que conheçam a atividade operacional e tenham formação específica para assumir funções de comando.

Para o deputado, a combinação entre investimento, formação, reorganização das carreiras e definição das atribuições das diferentes forças pode contribuir para uma estrutura de segurança pública mais integrada. “Eu vejo que a gente teve um mandato muito marcado por ser combativo, por ser propositivo”, afirma ao resumir sua atuação na Assembleia. Em uma eventual nova legislatura, diz que pretende dar continuidade às pautas que já vêm sendo defendidas.

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