Cidade
Casa de Pedra terá ruínas preservadas e nova estrutura para uso turístico e cultural
Projeto desenvolvido pela Geplan prevê consolidação das estruturas remanescentes do século XIX e instalação de cobertura contemporânea
por Érica Alvarenga
Por Érica Alvarenga, acadêmica de Jornalismo
As ruínas da Casa de Pedra, edificação do século XIX, localizadas na Avenida Sete de Setembro, 134, deverão ganhar uma nova função dentro do plano de revitalização do centro histório de Bagé, o Coração da Rainha. O setor de patrimônio da Secretaria Municipal de Gestão e Planejamento (Geplan) está desenvolvendo o projeto de Requalificação Arquitetônica e novo uso do prédio, com a proposta de transformar o imóvel em um equipamento público voltado ao turismo e à cultura.
A construção remanescente é caracterizada por paredes espessar formadas por pedras irregulares assentadas com juntas de barro. Embora não existam registros sobre a autoria da construção original, documentos apontam que a propriedade foi adquirida pela família Garibaldi-Baggini no final do século XIX e, posteriormente, passou a pertencer à parteira Soledad Pradier.
O projeto deverá ser desenvolvido até o final deste ano e terá a pesquisa história como uma de suas etapas. Antes do levantamento arquitetônico, entretanto, será necessário liberar o acesso ao local. A primeira intervenção prevista consiste na limpeza e supressão da vegetação que atualmente encobre parte da área. Somente depois dessa etapa os técnicos poderão realizar o levantamento detalhado das pedras e avaliar com precisão as condições das ruínas.
Preservar sem reconstruir
De acordo com o coordenador de Patrimônio da Geplan, Márlon Lameira, a principal diretriz do projeto é a consolidação das ruínas, mantendo integralmente aquilo que ainda existe da construção histórica. A proposta não prevê a reconstrução de partes da edificação que foram perdidas ao longo do tempo.
Para isso, será aplicada a técnica de anastilose, utilizada em intervenções de preservação patrimonial para o reposicionamento de elementos originais que tenham tombado ou se deslocado. No caso da Casa de Pedra, as pedras somente serão recolocadas quando for possível identificar com segurança o local de onde originalmente faziam parte.
A medida busca evitar intervenções baseadas em hipóteses e a consequente criação de um “falso histórico”. Assim, as ruínas deverão permanecer como registro da passagem do tempo, evidenciando as transformações sofridas pela edificação ao longo dos anos.
Estrutura contemporânea
Além de preservar a construção histórica, o projeto também prevê a adaptação do espaço para receber uma nova utilização. A destinação específica ainda será definida, mas a intenção é que o local tenha uma função ligada ao turismo e à cultura.
Para viabilizar esse novo uso, a proposta deverá incorporar uma estrutura metálica independente, associada a coberturas translúcidas. A solução foi pensada para proteger o conjunto e permitir a ocupação segura do espaço sem interferir fisicamente nas estruturas históricas existentes.
A opção por uma estrutura contemporânea também pretende deixar evidente a diferença entre aquilo que pertence à construção original e aquilo que será acrescentado pela intervenção atual. Dessa forma, a nova arquitetura não busca reproduzir uma edificação que já não existe, mas criar as condições necessárias para que as ruínas sejam preservadas e possam voltar a ser utilizadas pela população de uma forma segura.

