Cidade
Violão de Octacilio Amaral é entregue ao Museu Dom Diogo de Souza
por Márlon Castro Posqui
O Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Áttila Taborda (Fat/Urcamp) recebeu, na terça-feira, 11, um importante item que passa a integrar seu acervo histórico e cultural. O violão que pertenceu ao músico bajeense Octacilio Amaral foi entregue pelo filho do artista, José Otacílio Amaral, à diretora do Museu, Maria Luiza Pegas.
Octacilio Amaral demonstrou desde a infância uma forte ligação com o violão. Segundo o filho, há inclusive uma fotografia do músico aos três anos de idade já segurando um pequeno instrumento. Uma das histórias que o filho guarda da trajetória do músico ocorreu quando Octacilio foi aprovado em um concurso para trabalhar no Banco do Brasil, emprego considerado muito desejado na época. Apesar da alegria da família, ele decidiu não assumir o cargo. “Ele chegou em casa e foi tomar posse do cargo e disse: ‘Não, minhas mãos não foram feitas para a máquina de datilografia, foram feitas para o violão’”, conta José.
A escolha marcou o caminho que Octacilio seguiria ao longo da vida. Como violonista, percorreu diferentes lugares do mundo, levando consigo também elementos da cultura e das tradições gaúchas. Mesmo distante de Bagé, a ligação com a cidade natal permaneceu presente.
Segundo o filho, uma das últimas vontades de Octacilio foi ouvir “Adiós Pampa Mia”, música tradicional da região de fronteira entre Brasil e Uruguai. Para José Otacílio, o pedido demonstrava a saudade que o músico mantinha de sua terra. “Ele faleceu distante de Bagé, mas com muita saudade da terra dele”, conclui.
Agora, o instrumento que acompanhou parte da trajetória do violonista retorna à cidade onde sua história começou. De acordo com o Secretário de Cultura, Zeca Brito, que estava presente na entrega do instrumento, a incorporação do violão ao acervo do Museu Dom Diogo de Souza contribui para preservar não apenas o objeto, mas também a memória de um artista bajeense que levou a música e as tradições de sua terra para diferentes lugares. “Este violão é uma peça histórica que fortalece o acervo de nosso principal museu. Ele simboliza o talento musical de um artista nascido em Bagé, que deu a volta ao mundo graças ao domínio que tinha de seu instrumento. Um dos maiores músicos brasileiros que levou consigo nossa identidade pelos principais palcos do planeta", destaca.

