Região
Memória da Usina Candiota I é destaque no Dia Estadual do Patrimônio Cultural
por Melissa Louçan
Candiota terá, pela primeira vez, uma programação especial em celebração ao Dia Estadual do Patrimônio Cultural. Nos dias 14 e 15 de agosto, o Centro Cultural Candiota I recebe exposições, apresentações culturais, visitas mediadas à antiga Usina Termelétrica Candiota I e uma roda de memória com pessoas que fizeram parte da história ligada ao local.
Com o tema “Nossa História, Nossa Energia: Patrimônio e Memória da Usina Termelétrica Candiota I”, a programação pretende aproximar a comunidade de um dos principais símbolos da trajetória do município. As visitas serão realizadas com escolas e também estarão abertas à população em geral.
A roda de memória reunirá ex-funcionários da Usina Candiota I e da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), além de familiares e moradores das antigas vilas operárias. A proposta é registrar e valorizar as lembranças de quem viveu o cotidiano ligado à usina e à atividade de mineração, preservando uma parte da história que também ajudou a formar a identidade de Candiota.
A iniciativa é realizada pela Tramas Patrimônio Cultural, com apoio das Secretarias Municipais de Educação, Cultura e Assistência e Inclusão Social da Prefeitura de Candiota. Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade.
Para a historiadora e gestora cultural Rosilene Oliveira, responsável pela Tramas Patrimônio Cultural, a celebração também representa uma oportunidade de fortalecer a relação dos moradores com a própria história. “Mais do que celebrar uma data, o Dia do Patrimônio representa uma oportunidade de fortalecer o vínculo da população com sua história”, destaca.
O interesse de Rosilene pela história de Candiota surgiu durante sua especialização em Patrimônio Cultural, quando escolheu a Usina Termelétrica Candiota I como objeto de pesquisa. Reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) como patrimônio industrial, a usina passou a ser estudada por ela também a partir das memórias dos trabalhadores e de sua relação com o desenvolvimento do município.
Essa aproximação com a história da usina também tem um componente pessoal. Rosilene é filha de José Adahyr Silva, eletricitário aposentado que trabalhou nas fases A e B da Usina Termelétrica de Candiota. As histórias que ouviu dentro de casa, somadas à pesquisa acadêmica, contribuíram para ampliar seu interesse pelas transformações históricas, sociais e territoriais de Candiota.
A programação é um recorte desse trabalho e está relacionada ao projeto “Patrimônio em Transformação: A Usina de Candiota I e o Processo de Musealização e Educação Patrimonial”, aprovado no Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e atualmente em fase de captação de recursos.
A proposta tem como ponto de partida uma experiência realizada em 2017, com a Roda de Memória em Candiota, desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Na ocasião, moradores participaram do registro e compartilhamento de lembranças relacionadas à construção da Usina Candiota I, com destaque para as trajetórias de antigos operários, trabalhadores e suas famílias.
A partir desse trabalho, o projeto atual prevê a realização de novas rodas de memória, formação de professores e estudantes, construção de um acervo participativo, oficinas de preservação comunitária, produção de documentário, materiais educativos e uma exposição museográfica interativa. A intenção é fortalecer o Centro Cultural Candiota I como espaço de memória e educação patrimonial, envolvendo diferentes públicos nesse processo. “O Dia do Patrimônio é um momento importante para refletirmos sobre a preservação da memória, da cultura e da identidade de uma comunidade”, afirma Rosilene.

