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Projeto & Construção

Enoturismo, história e arquitetura se encontram na Estância Paraizo

Em 08/08/2026 às 11:10h
Viviane Becker

por Viviane Becker

Enoturismo, história e arquitetura se encontram na Estância Paraizo | Projeto & Construção | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Arquiteta Cecília Lacerda

Arvena Arquitetura e Paisagismo

 

 

Nos campos da Campanha Gaúcha, na saída de Bagé pela BR-153, uma propriedade rural guarda mais de dois séculos de história em suas construções de pedra. A Estância Paraizo, hoje conhecida por seus vinhedos e por seu enoturismo, é também um testemunho vivo da arquitetura das antigas estâncias crioulas gaúchas — um patrimônio que une paisagem, memória e trabalho da terra.

 

Uma história que começa nos Açores

A trajetória da família Mércio no Pampa remonta a 1690, quando os primeiros antepassados, vindos da Ilha de São Jorge, nos Açores, chegaram à Colônia do Sacramento. Com o Tratado de Madrid e a troca de Colônia pelas Missões, seguiram rumo ao Rio Grande do Sul, passando por Rio Grande e Rio Pardo, até se estabelecerem nos campos que hoje formam a Estância Paraizo. Em 1790, essas terras ao redor do Forte de Santa Tecla já eram ocupadas sejam pelos missioneiros do posto avançado da Estância de São Miguel ou pelos colonos açorianos — mais de duas décadas antes da fundação de Bagé, em 1811, como acampamento militar de Dom Diogo de Souza. Passadas dez gerações, a propriedade segue sob gestão da família, que em 2000 deu um novo capítulo ao negócio ao iniciar a produção de vinhos.

 

Pedras, memória e lidas campeiras

A arquitetura da Estância Paraizo é um retrato fiel das construções rurais açorianas erguidas na Campanha Gaúcha.

O Galpão Açoriano, um dos marcos da propriedade, preserva técnicas construtivas originais e ainda abriga as mangueiras seculares de pedra usadas no manejo do gado — que, segundo a própria família, seguem em funcionamento até hoje. Não muito longe dali está a Capela, erguida sobre uma Cova de Toro, que também funciona como Mausoléu e Panteão da Revolução Federalista de 1893, onde repousam heróis maragatos e seu líder Coronel

Thomaz Mercio Pereira. Cada construção é um elo entre o presente e a história da lida campeira, mantendo viva a estética simples e funcional das antigas estâncias gaúchas.

 

Vinhedos que dialogam com o Bioma Pampa

Se a arquitetura remete ao passado, os vinhedos trazem a Estância Paraizo para o presente do enoturismo gaúcho. Ao lado da Capela centenária está o primeiro vinhedo de Syrah do Brasil, com videiras trazidas há mais de vinte e cinco anos da África do Sul. Os visitantes podem caminhar entre as parreiras, participar de degustações guiadas por enólogos e provar vinhos elaborados com técnicas de baixa intervenção, produzidos com uvas cultivadas na própria propriedade. Tudo isso em meio a um campo nativo preservado e certificado pela iniciativa internacional de conservação do Bioma Pampa, a Alianza del Pastizal, onde a viticultura convive com a pecuária de Braford — outro traço característico da região.

 

Próximos passos: um galpão centenário vira vinícola

Entre os planos para os próximos passos da Estância Paraizo está a revitalização de um dos galpões antigos da propriedade. Erguido em pedra segundo as mesmas técnicas construtivas açorianas que marcam o restante do conjunto arquitetônico, o galpão funcionou até o final dos anos 1990 como barracão de tosquia e armazenagem da lã produzida na estância. Agora, a construção será recuperada para receber a vinícola, unindo em um só espaço a memória das lidas campeiras e a nova vocação da propriedade para o vinho e o enoturismo.

 

Um convite à Campanha Gaúcha

Mais do que um roteiro de vinhos, a Estância Paraizo propõe uma imersão na história e na paisagem da Campanha Gaúcha: arquitetura preservada, relatos de mais de 230 anos de ocupação da terra e a experiência sensorial do Pampa conservado. As visitas acontecem em datas e horários específicos, sempre mediante reserva, e podem ser consultadas no site www.estanciaparaizo.com.

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