Cidade
Bajeense cruza fronteiras de carro rumo ao Chile ao lado de duas pets
por Érica Alvarenga
Por Érica Alvarenga
A bajeense Nágila Camponogara, de 33 anos, vive a realização de um sonho que começou a ser desenhado há mais de um ano. Com algumas roupas, equipamentos de trabalho, uma cachorra, uma gata e muita coragem, ela saiu de Bagé dirigindo com destino ao Chile, onde pretende reencontrar amigos, apresentar seu trabalho como DJ e viver uma experiência que, segundo ela, era "agora ou nunca".
A ideia nasceu entre janeiro e fevereiro de 2025, quando passou um mês em intercâmbio no Chile e realizou seu primeiro show internacional. A recepção que recebeu fez nascer a vontade de voltar, mas, na época, a rotina ainda não permitia. "Eu trabalhava no setor de marketing de forma presencial e tinha a responsabilidade de cuidar da minha cachorrinha Frida", relembra.
Mas o cenário mudou neste ano. Especializada em anúncios e análise de dados, ela passou a trabalhar de forma remota, conquistando a liberdade geográfica de que precisava para transformar o projeto em realidade. Nágila revela que, mesmo assim, o medo esteve presente até os últimos dias antes da viagem.
Foi uma frase dita por uma tia que serviu de impulso definitivo. "Tu sempre vai ter para onde voltar, o mundo é teu, a gente sempre vai te apoiar." Aquele incentivo foi decisivo para dar início ao plano.
Nágila conta que, se havia uma certeza desde o início, era que a viagem não aconteceria sem a Frida, de oito anos, e Ammy, uma gata de seis meses resgatada por ela. "Deixar minhas pets no Brasil nunca foi uma opção. Então, a parte mais intensa do planejamento foi estudar todos os prazos, as burocracias e os documentos", conta.
Já em território argentino, a aventura veio acompanhada dos desafios esperados – e de outros nem tanto. Abordagens policiais, longos trechos de estrada praticamente desertos e a preocupação de ficar sem combustível fizeram parte da experiência. "Sei que dou muito trabalho para Deus, mas Ele gosta de mim. As coisas sempre dão certo no final", brinca.
Apesar dos imprevistos, ela conta que as duas companheiras de viagem se adaptaram rapidamente. Frida, acostumada a viajar desde pequena, encarou o trajeto com tranquilidade. Já Ammy surpreendeu pela facilidade em se adaptar à nova rotina.
Porém, nem tudo foi simples. Um dos momentos mais difíceis aconteceu em Puente del Inca, quando uma tempestade de neve provocou o fechamento da fronteira e obrigou Nágila a interromper a viagem. Ainda assim, ela afirma que o risco fazia parte dos planos. "Escolho assumir o risco de viver o extraordinário, em vez de apenas seguir o roteiro mais seguro e previsível", afirma.
Por enquanto, a viagem está em pausa. Nágila está hospedada em Mendoza, na Argentina, aguardando que as condições climáticas permitam seguir o trajeto. Uma grande nevasca que atinge a região – acumulando cerca de quatro metros de neve em alguns pontos – impede a passagem com segurança. Segundo ela, a hospedagem reúne diversos brasileiros que também esperam a liberação das estradas para seguir viagem.
Agora, a expectativa é chegar a Santiago, reencontrar amigos feitos durante o intercâmbio e dar sequência à carreira como DJ. Com um show já marcado e agenda aberta para os próximos meses, ela acredita que cada quilômetro percorrido confirma a decisão tomada meses atrás. "O perrengue faz parte, mas a recompensa de viver o que você planejou não tem preço", resume.

