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Daeb prevê investimentos em esgoto e abastecimento após revisão tarifária
por Redação JM
O diretor-geral do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), Max Meinke, afirmou que o reajuste de 33,9% na tarifa de água foi uma medida necessária para recuperar a situação financeira da autarquia, quitar dívidas acumuladas e garantir investimentos em abastecimento e esgotamento sanitário. Segundo ele, a recomposição tarifária foi definida a partir de estudos da agência reguladora e busca preparar o município para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento.
De acordo com Meinke, a principal finalidade do reajuste é restabelecer o equilíbrio financeiro do Daeb. Ele afirmou que a autarquia herdou débitos com fornecedores e até retenções descontadas dos servidores que não haviam sido repassadas ao Fisco e ao IPE Saúde. "Primeiro, precisávamos voltar a pagar as contas do mês e também as contas vencidas. Depois, reestruturar o Daeb para viabilizar investimentos em água e, principalmente, em esgoto", disse.
O diretor destacou que o maior desafio está na ampliação da coleta e do tratamento de esgoto. Conforme explica, o município precisará investir pelo menos R$ 10 milhões por ano até 2033 para atender às exigências do Marco Legal do Saneamento.
Apesar do percentual de reajuste, Meinke argumentou que a tarifa de Bagé continua entre as mais baixas do Rio Grande do Sul. Como comparação, afirmou que um consumidor com consumo de 10 metros cúbicos paga cerca de R$ 70 a menos do que em municípios atendidos pela empresa Aegea. Segundo ele, a decisão buscou preservar a chamada "modicidade tarifária", mantendo a cobrança abaixo da praticada por diversos sistemas públicos e privados de saneamento.
O diretor atribuiu a necessidade da revisão tarifária à gestão financeira dos últimos anos. Segundo ele, uma reserva técnica de aproximadamente R$ 15,5 milhões existente em 2016 foi totalmente utilizada até 2018 e, posteriormente, o departamento passou a acumular dívidas por falta de recursos. Dados apresentados por Meinke indicam que a disponibilidade de caixa caiu para R$ 274 mil em 2024.
Ainda conforme o diretor, o Daeb chegou a ficar inadimplente com financiamentos, precatórios, tributos retidos dos servidores e outros compromissos. Ele afirmou que parte dessas pendências já foi regularizada em 2025 e que a nova arrecadação permitirá quitar o passivo remanescente.
Na área operacional, Meinke apontou como prioridade a redução das perdas de água na distribuição, que atualmente chegam a cerca de 40% da água tratada. Segundo ele, a rede de abastecimento é antiga e necessita de substituição gradual, além da implantação de sistemas de automação e setorização para monitoramento remoto da pressão e do funcionamento da rede.
Outro eixo considerado estratégico é a Barragem da Arvorezinha. O diretor afirmou que a obra deverá ampliar em quatro vezes a capacidade de reservação de água do sistema, reduzindo a necessidade de racionamentos, que, segundo ele, ocorreram em 12 dos últimos 20 anos. A expectativa é de que a nova adutora seja licitada entre o fim deste ano e o início do próximo.
Meinke também informou que o Daeb pretende ampliar os investimentos em equipamentos e renovação da frota, além de reforçar o quadro de servidores. Segundo ele, o último concurso público da autarquia foi realizado em 2009.
Durante a apresentação, o diretor defendeu a manutenção do Daeb como autarquia pública e afirmou que o planejamento atual substituiu a orientação anterior, que, segundo ele, preparava o departamento para uma eventual privatização. Ele afirmou que a prioridade da gestão é recuperar a capacidade operacional e financeira do órgão, mantendo o serviço sob administração municipal.
Ao responder às críticas sobre o reajuste, Meinke afirmou que a agência reguladora já alertava, há anos, que a tarifa praticada em Bagé era insuficiente para custear a operação e os investimentos necessários. Segundo ele, a revisão foi baseada em critérios técnicos e comparativos com municípios da região.

